Mais introspectivo, menos colaborativo: Rubel aposta no silêncio, na emoção e nas sutilezas para compor um de seus trabalhos mais íntimos
por Ana Tolentino

Em Beleza. Mas agora a gente faz o que com isso?, Rubel abandona os caminhos calculados da experimentação e se entrega a um lado mais intimista: voz, violão e emoção à flor da pele. Razão pela qual é um álbum que respira com o peito aberto, em que cada canção parece ter sido escrita mais com o coração do que com a razão.
Conhecido por transformar palavras em poesia cantada, o artista escolhe agora a leveza da simplicidade como narrativa. O disco foi produzido de forma caseira com o tecladista Antonio Guerra e a presença do mestre Arthur Verocai nos arranjos finais. Assim, o nova criação do cantor retoma as raízes da MPB em sua forma mais pura: intimista, artesanal e emocionalmente generosa.
O interior do álbum
Diferente do projeto anterior, As Palavras Vol. 1 e 2, em que flertava com diferentes gêneros e abordagens contemporâneas, aqui Rubel troca as experimentações por entrega. Assim, o resultado é um trabalho que soa como uma carta escrita à mão, com traços imperfeitos, mas profundamente humanos.
As nove faixas do álbum percorrem memórias, afetos e ausências. Dessa forma, falando sobre o tempo, os vínculos, o que se perde e o que permanece, o cantor cria um fio narrativo conduzido por dedilhados delicados e por arranjos de cordas e sopros que jamais competem com a voz; apenas a acompanham como uma brisa que sopra ao fundo.

Dessa vez, Rubel deixa de lado as colaborações com artistas de outros gêneros e aposta em passagens instrumentais que se prolongam com lirismo. Portanto, vai na contramão das músicas moldadas para redes sociais e consumo imediato. Há silêncio entre as notas, e ele também diz muito.
Além disso, o artista constrói um universo sonoro que se conecta com o íntimo de quem ouve, evocando imagens e sensações que se sobrepõem às palavras. Com todo a certeza, é uma obra que não precisa explicar tudo, apenas sentir.
A versão brasileira de uma canção de El David Aguilar e uma releitura do Radiohead completam o álbum, de modo a apontar para a sensibilidade de quem sabe dialogar com outras línguas e tempos, sem perder sua própria voz.
Entre a música e o cinema: o olhar de Rubel
Mais do que um compositor, o cantor também é um contador de histórias com olhar cinematográfico. Em outras palavras, Rubel também é roteirista e formado em Cinema pela PUC, logo, alguém que entende que experimentar não é apenas ousar misturas de gêneros.
É se permitir sentir, despir, revelar inseguranças, seguranças e confiar na simplicidade. E isso se reflete na decisão de expandir o disco com um curta dirigido por Larissa Zaidan, no qual as faixas ganham novos sentidos quando cruzadas com imagens.
Em consequência disso, o audiovisual lançado revela aquilo que a música, sozinha, talvez não alcançasse e permite expressar o que o coração, por estar vivo, precisa escancarar. No fim, o que Rubel nos entrega é um álbum, uma arte, que não pretende resolver nada; apenas existir, do jeito mais bonito e honesto possível.
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Texto revisado por Karollyne de Lima









