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RESENHA | Se Eu Fosse Você 3: colocar-se no lugar do outro é o primeiro passo para enxergar o mundo com outras lentes

Gloria Pires e Tony Ramos estão de volta e, agora, dividem a troca de corpos com uma nova geração. Ao lado de Cleo Pires e Rafael Infante, a franquia retorna com uma comédia sobre relacionamento, empatia, superação e, claro, amor

Duas décadas depois da última troca de corpos, Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Gloria Pires) vivem uma nova fase da vida ao lado da filha Bia (Cleo Pires), agora adulta, mãe e casada com Aquiles (Rafael Infante).

Enquanto Cláudio e Helena aproveitam uma segunda lua de mel do outro lado do mundo, Bia e Aquiles atravessam uma crise no relacionamento. E, como uma espécie de herança de família, acabam vivendo uma situação que remete diretamente ao que seus pais enfrentaram anos atrás.

A premissa de Se Eu Fosse Você já é conhecida do público brasileiro: um acontecimento inesperado coloca um casal em uma situação inusitada e, a partir daí, eles precisam embarcar em uma jornada de descoberta para entender melhor um ao outro. Em Se Eu Fosse Você 3, a diretora Anita Barbosa entende que a principal atração da franquia continua sendo justamente o clichê da troca de universos e perspectivas e consegue atualizar essa fórmula para uma nova geração.

Um “vale a pena ver de novo” com uma nova geração

Foto: divulgação/Eny Miranda

É impossível assistir a Se Eu Fosse Você 3 sem sentir uma certa nostalgia. O filme mantém elementos que fizeram os anteriores funcionarem, mas encontra novas possibilidades ao colocar Bia e Aquiles no centro da história.

A química entre Tony Ramos e Gloria Pires continua funcionando como se o tempo não tivesse passado. Ao mesmo tempo, Cleo Pires e Rafael Infante assumem o protagonismo com uma dinâmica própria, deixando claro que cada relacionamento tem suas particularidades.

E, talvez, uma das mudanças mais interessantes esteja justamente na forma como os personagens lidam com a situação. Diferentemente dos filmes anteriores, Bia e Aquiles não precisam enfrentar tudo sozinhos. A família participa, conversa e tenta encontrar soluções junto com eles.

É aí que a diferença entre as gerações ganha espaço na narrativa. De um lado, Cláudio e Helena, representantes de uma geração acostumada a resolver seus conflitos sozinhos e de outra maneira. Do outro, Bia e Aquiles, que encontram apoio na família e na filha, além de uma relação mais aberta ao diálogo. A mensagem acaba sendo simples, mas funciona: conversar, confiar e pedir ajuda também fazem parte de um relacionamento.

Trocar de corpo para trocar de perspectiva

Bia é uma chef renomada e extremamente dedicada ao trabalho, enquanto Aquiles têm um perfil mais aventureiro, ligado ao esporte, às viagens e à vida ao ar livre. Os dois são diferentes em vários aspectos, o famoso “os opostos se atraem”, e é justamente aí que a troca de corpos encontra seu espaço para funcionar.

O filme aproveita a situação para brincar com as expectativas sobre o que significa ser homem e mulher, além de colocar os personagens diante de experiências que normalmente não viveriam. Mas Se Eu Fosse Você 3 não tenta simplesmente dizer que um deve se tornar igual ao outro. Pelo contrário, a principal descoberta está em perceber que não existe apenas uma forma correta de agir.

A mulher não precisa ser perfeita o tempo inteiro no trabalho. O homem não precisa estar sempre no controle ou corresponder a determinado modelo de masculinidade. É possível ser mais sério em alguns momentos, mais descontraído em outros, confiar no próprio time, mudar de ideia e reconhecer que nem sempre precisamos dar conta de tudo sozinhos.

O poder da adaptação, nesse caso, está justamente em entender que não é tudo ou nada. E mostrar esses dois lados da moeda é um bom caminho para identificação, menos autocobrança e pré-conceitos do dia a dia. 

Menos estereótipos, mais empatia

Foto: divulgação/Eny Miranda

As questões levantadas pelo roteiro passam por relacionamento, confiança, trabalho, superação, aprendizado e, principalmente, empatia.

Apesar de seguir uma fórmula previsível, afinal, estamos falando de uma franquia cuja premissa já conhecemos, o filme atualiza a maneira como seus personagens lidam com os conflitos. Há menos espaço para piadas baseadas em estereótipos de gênero e mais espaço para conversas, apoio e construção coletiva.

Isso não significa que o filme abandone completamente algumas convenções. Em determinados momentos, ele ainda recorre à própria inversão de papéis para provocar humor. A diferença é que, desta vez, essa inversão também serve para questionar algumas expectativas que colocamos sobre homens e mulheres.

E esse talvez seja um dos pontos mais interessantes da produção: a troca de corpos deixa de ser apenas uma ferramenta para criar situações engraçadas e passa a funcionar como uma metáfora bastante direta para a empatia. Afinal, como seria viver por um dia a rotina, as cobranças e os desafios de outra pessoa?

O filme poderia explorar mais o reencontro entre as gerações

Se existe algo que senti falta foi de uma participação maior de Cláudio e Helena na jornada de Bia e Aquiles. Tony Ramos e Gloria Pires aparecem pouco em comparação ao novo casal e, embora isso permita que Cleo Pires e Rafael Infante desenvolvam sua própria história, fica aquela vontade de ver uma troca mais direta entre as duas gerações.

Foto: divulgação/Eny Miranda

Seria interessante acompanhar um verdadeiro déjà-vu familiar: os pais reconhecendo nos filhos situações que eles mesmos viveram e, talvez, oferecendo algum conselho a partir da própria experiência. Ainda assim, a presença de Tony Ramos e Gloria Pires cumpre uma função importante. Eles trazem nostalgia, continuidade e aquele sentimento de reencontro com personagens que já fazem parte do imaginário do público brasileiro.

Falando em continuidade, há também algumas escolhas que deixam pequenas lacunas. O filho de Cláudio e Helena é citado como estando em intercâmbio, mas nunca aparece ou sequer interage com Bia. É um detalhe que chama atenção justamente porque o filme aposta tanto na dinâmica familiar e na passagem de bastão entre gerações. Não chega a comprometer a trama, mas deixa aquela sensação de que esse núcleo poderia ter sido mais bem aproveitado. 

Amor também é aprender, superar e se adaptar

Os melhores momentos do filme estão justamente nas situações em que os personagens precisam sair da própria zona de conforto. Medos, falta de familiaridade com determinadas atividades, desafios profissionais e até mudanças nos planos colocam o casal diante da necessidade de se adaptar.

E talvez essa seja a principal mensagem de Se Eu Fosse Você 3: relacionamento não é apenas encontrar a sua “tampa da panela”. É também apoiar o outro quando os planos mudam, entender seus sonhos, reconhecer suas dificuldades e aprender a caminhar junto mesmo quando a vida, literalmente, coloca você no lugar da outra pessoa.

Ou até que a troca de corpos nos separe. Amém.

No fim, Se Eu Fosse Você 3 funciona como uma celebração de uma franquia que já faz parte da memória afetiva de muita gente. Mantém sua fórmula, seus desafios e o humor que o público já conhece, mas atualiza a maneira de falar sobre relacionamentos, família e diferenças entre gerações.

É nostálgico mesmo sem viver apenas do passado e consegue abrir espaço para uma nova geração contar sua própria história. Talvez não seja uma reinvenção completa da franquia e nem precisa ser. É, antes de tudo, um convite para olhar para o outro de uma perspectiva diferente.

E, no universo da franquia, isso significa levar o “se colocar no lugar do outro” um pouquinho mais a sério.

Foto: divulgação/Eny Miranda

A produção é da Total International, em coprodução e distribuição da Buena Vista International, selo para Produções Locais da TWDC. Se Eu Fosse Você 3 estreia em 8 de outubro, exclusivamente nos cinemas.

Um quase Vale a Pena Ver de Novo. E, dessa vez, com uma nova geração no comando.

E você, está na expectativa para assistir essa sequência? Conta pra gente, siga o Entretetizei nas redes sociais – Facebook, Instagram e X – e não perca as novidades do mundo do entretenimento.

 

Resenha por: Paloma Ferreira de Sousa

 

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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Livros

As histórias que chegaram às livrarias em outubro

Novos livros chegaram ao público neste mês com histórias para diferentes momentos de leitura

Outubro chega às livrarias com os novos lançamentos da HarperCollins Brasil. A seleção do mês passeia por mundos fantásticos, relações familiares, histórias de amor e questões que fazem parte da vida cotidiana.

Também há espaço para quem gosta de acompanhar o que acontece no trabalho, revisitar narrativas que atravessaram gerações ou descobrir novos recordes pelo mundo. Confira alguns dos títulos que chegam às livrarias ao longo do mês.

Fantasia, romance e novas histórias

Imagem: reprodução/Editora HarperCollins

Nós que Morreremos, de Stacia Stark, chega ao Brasil como uma nova aposta de romantasia. A história acompanha Arvelle Dacien, que precisa proteger os dois irmãos mais novos enquanto vive em um território dominado por um imperador vampiro.

Depois de anos longe das competições promovidas pelo imperador, Arvelle aceita um pacto para tentar matá-lo. Para isso, terá de enfrentar os três desafios da Ruptura e lidar com dois vampiros que podem ser fundamentais para descobrir mais sobre os próprios poderes.

Já Cada Laço entre Nós, de Thaís Flôr, leva a história para Barretos, às vésperas da tradicional Festa do Peão. Lana chega à cidade para acompanhar a reforma da Pousada Casa Serena e acaba precisando trabalhar ao lado de Enrico, um ex-peão de rodeio que carrega suas próprias feridas.

Enquanto os dois tentam colocar a pousada de pé, antigas mágoas voltam à superfície. A história parte desse encontro para falar sobre família, vínculos e a possibilidade de perdoar aquilo que ainda machuca.

Em Perdendo o Equilíbrio, Jennifer Iacopelli acompanha Audrey Lee, uma ginasta que retorna aos treinos depois de uma lesão e passa a mirar uma vaga nas Olimpíadas. O caminho, porém, muda quando um escândalo abala sua equipe e ela precisa lidar com uma nova realidade dentro do esporte.

No meio dessa turbulência, Audrey se aproxima de Leo Adams, seu conhecido de infância e filho da nova treinadora. O romance complica ainda mais uma rotina já marcada pela pressão e pela busca pela perfeição.

Histórias que escondem mais do que parecem

Imagem: reprodução/Editora HarperCollins

Em Oi, Raio de Sol, Keezy Young constrói uma graphic novel que mistura terror sobrenatural e drama. Alex desapareceu durante o verão e, enquanto seus amigos tentam entender o que aconteceu, cada um lida com a culpa e as perguntas deixadas para trás.

Noah pensa no namorado secreto que desapareceu. Sky está determinada a encontrá-lo. Izzy se pergunta se poderia ter evitado o desaparecimento e Jamie tenta lidar com a raiva e com as lembranças da própria família. Conforme os acontecimentos avançam, o grupo percebe que há algo mais sombrio por trás do sumiço.

A história também aborda questões relacionadas à saúde mental e ao luto, usando o sobrenatural para revelar feridas que continuam presentes mesmo depois de uma perda.

A Filha Favorita, de Morgan Dick, parte de uma relação familiar que já começa marcada pela distância. Mickey e Arlo são meias-irmãs que nunca se conheceram e tiveram experiências muito diferentes com o pai.

Depois da morte dele, Mickey descobre que foi escolhida como herdeira da fortuna, mas precisa cumprir uma condição: fazer algumas sessões de terapia. O que ela não esperava era descobrir que a psicóloga escolhida pelo pai é justamente Arlo.

Recomendado pelo clube do livro de Dua Lipa, o livro acompanha a convivência das duas enquanto segredos familiares, luto e ressentimentos antigos começam a aparecer.

Livros para olhar o mundo por outros ângulos

Imagem: reprodução/Editora HarperCollins

Em A Reinvenção do Trabalho, Rishad Tobaccowala parte das transformações que já estão mudando a maneira como as pessoas trabalham. O livro discute novos modelos profissionais e mostra como organizações e trabalhadores precisam repensar ideias que durante muito tempo pareceram permanentes.

A obra também aborda as mudanças provocadas por equipes remotas, contratos sob demanda e diferentes gerações e culturas no ambiente profissional. Tobaccowala estará no Universo Totvs 2026.

Já O Deus de Nossos pPais, de Aldo Cazzullo, revisita as grandes narrativas do Antigo Testamento a partir da literatura. O autor recupera histórias conhecidas e observa como elas atravessaram séculos e influenciaram nomes como Dante, Michelangelo, Shakespeare, Tolstói e Cervantes.

A obra passa por personagens e episódios bíblicos para discutir temas que continuam presentes na experiência humana, como dor, amor, desejo, fé e morte.

Imagem: reprodução/Editora HarperCollins

Do crime à origem de Nárnia

Acerto de Contas, de Don Winslow, reúne contos inéditos do autor e marca seu último livro antes da aposentadoria. As histórias percorrem diferentes situações ligadas ao crime e acompanham personagens diante de escolhas que podem mudar seus destinos.

Com reviravoltas e dilemas morais, a coletânea reúne narrativas que exploram o lado mais imprevisível da ficção policial.

Para quem está começando a descobrir os clássicos, O Sobrinho do Mago: Edição Cartonada, de C. S. Lewis, apresenta a origem de Nárnia em uma versão adaptada para a primeira infância. A história acompanha duas crianças que encontram anéis mágicos e acabam diante do leão que dá início à criação desse universo.

A seleção de outubro também traz o Guinness World Records 2027, com novos recordes de diferentes partes do mundo. A edição apresenta feitos humanos, descobertas da natureza, acontecimentos esportivos e curiosidades científicas, além de comparações visuais que colocam acontecimentos extraordinários em cenários conhecidos.

Para completar o mês, os lançamentos mostram que sempre existe uma história esperando por quem decide abrir um livro. Agora é só escolher por qual começar.

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

 

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Notícias Teatro

Shrek – O Musical está confirmado no Rio de Janeiro

Depois de uma temporada cheia em São Paulo, a adaptação do primeiro filme chega às terras cariocas

A peça Shrek – O Musical, inspirada no primeiro filme da franquia, finalmente chega ao Rio de Janeiro, em maio de 2027. A estreia está prevista para o dia 19 de maio, com sessões de quarta a domingo, no Grande Salão da Cidade das Artes. O espetáculo fica em cartaz até 13 de junho do ano que vem. 

Muito esperado pelos fãs, o anúncio foi feito após a última sessão de Wicked, no complexo cultural Cidades da Artes Bibi Ferreira. Quem estava presente no palco na hora era a presidente do Cidade das Artes, Maria Isabel Werneck da Silva, que discursava ao lado do Baccic, fundador do Atelier de Cultura (produtora de teatro musical), e Carlos Cavalcanti, o presidente do Instituto Artium de Cultura. Além deles, os atores Tiago Abravanel, que interpreta o Shrek, e Evelyn Castro, que atua como o Burro, entraram de surpresa, pela plateia, para contar que o espetáculo voltaria aos palcos, mas nessa vez nas terras cariocas. Depois de divulgar que os ingressos já estavam à venda no Sympla, colocaram para tocar I’m a Believer, música marcante presente no final da peça e também no filme original.

Até agora, apenas os dois estão confirmados para retornar no ano que vem.

Relembre a temporada de São Paulo

Com direção geral de Gustavo Barchilon, direção musical de Thiago Rodrigues e direção de movimento da Anelita Gallo, Shrek – O Musical conta a história do primeiro filme da franquia. Na cidade paulista, o musical contou com cerca de 146 mil espectadores, vindos de todos os cantos do Brasil.

A peça estreou em 15 de abril e ficou em cartaz no Teatro Renault até 6 de julho. O elenco contou com Thiago Abravanel (Shrek), Evelyn Castro (Burro), Fabi Bang e Myra Ruiz, que dividiram o papel da Fiona,Baccic e Fabrizio Gorziza, que interpretaram Lorde Farquaad. 

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Texto revisado por Marina Barrelli de Carvalho

 

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Cinema Crítica Notícias

Papaya: quando criar raízes deixa de ser prisão e passa a ser liberdade

 

Primeira animação brasileira selecionada para o Festival de Berlim chegou aos cinemas em setembro e apresenta imagens, sons, movimentos e situações que deixam espaço para que cada um complete a experiência

Papaya, de Priscilla Kellen (O menino e o Mundo, 2016), chegou aos cinemas brasileiros em 24 de setembro de 2026. O longa transforma uma pequena semente de mamão em protagonista de uma jornada visual e sonora sobre liberdade, pertencimento, transformação e descoberta. 

Imagem: reprodução/Reviva Bauru

Foi por meio de uma newsletter sobre novidades do mundo artístico que conheci Papaya. O nome, por si só, já despertou minha curiosidade. Quando li a sinopse, a vontade de assistir aumentou. Fui procurar se o filme estava em cartaz em Aracaju e, para minha sorte, estava.

O cartaz colorido de Papaya já funciona como uma espécie de prenúncio da experiência que o filme oferece. Mas nenhuma imagem de divulgação prepara completamente o espectador para o que acontece quando a animação começa.

Desde os primeiros segundos, é difícil tirar os olhos da tela. Papaya acompanha uma pequena semente de mamão apaixonada pela ideia de voar. Para não se tornar aquilo que acredita estar destinado a ser, uma árvore como sua mãe, ela precisa permanecer em movimento e evitar criar raízes. É a partir desse desejo que começa uma jornada de descobertas. A semente se desprende, atravessa diferentes situações, conhece outros mundos e, pouco a pouco, começa a construir uma narrativa própria.

Mas sempre que tenta seguir adiante, Papaya olha para trás e enxerga os mamoeiros. Uma contradição que a acompanha durante todo o percurso. Há algo naquele lugar que ainda a chama de volta. Para ela, ser livre é deixar para trás tudo aquilo que a prende, mas aos poucos ela vai aprendendo que nem todo vínculo é uma prisão. 

Imagem: reprodução/Reviva Bauru

No filme, não há diálogos e essa ausência amplia a experiência. Permite que cada espectador crie seus próprios diálogos internos. As cores são vivas, os movimentos são orgânicos, os cenários parecem pulsar e a direção de arte cria um universo que mistura formas bidimensionais, colagens e referências aos grafismos latino-americanos. A própria diretora definiu a estética da produção como uma espécie de “tropicalismo pós-apocalíptico”.

Outro ponto forte é a trilha; fundamental para contar a história. Ela acompanha a trajetória da pequena semente e funciona praticamente como uma narradora. Samba, forró, funk e outros elementos da música brasileira aparecem para conduzir momentos de descoberta, tensão, alegria e transformação. A cantora Tulipa Ruiz também integra o elenco vocal do filme. É uma trilha vibrante, brasileira e emocional, que não está simplesmente acompanhando as imagens e isso faz com que o filme consiga ser tão comunicativo mesmo sem utilizar palavras.

Imagem: reprodução/Reviva Bauru

A princípio, a semente entende suas raízes como aquilo que a impede de ir embora. Criar raízes significa, para ela, perder a liberdade. Então ela se desprende. Só que a liberdade que encontra fora não é simples. Existem perigos, dúvidas, perdas e situações que fazem com que ela precise descobrir quem é e o que realmente deseja. Até que decide voltar.

Mas, ao retornar, Papaya já não é a mesma. Ela passou por experiências que a fizeram crescer, questionar, transformar e compreender que suas raízes podem representar muito mais do que uma limitação. E, nesse processo, a personagem não apenas encontra uma nova maneira de existir. Ela transforma sua própria floresta, liberta sua família e também se liberta. No fim, seu sonho de voar continua existindo, mas agora ele não precisa acontecer contra suas raízes.

A proposta de Priscilla é não entregar ao público uma interpretação única. A narrativa é deliberadamente aberta, permitindo que cada pessoa encontre seus próprios significados a partir daquilo que viveu. Uma criança pode enxergar uma aventura sobre uma sementinha que quer voar. Um adulto pode enxergar uma história sobre amadurecimento, família, pertencimento ou a dificuldade de romper expectativas. Outra pessoa pode encontrar na trajetória de Papaya uma metáfora sobre sair de casa, mudar de cidade, construir uma identidade ou aprender a conciliar liberdade e pertencimento. Papaya não determina exatamente o que o espectador deve sentir ou compreender. Ele apresenta imagens, sons, movimentos e situações e deixa espaço para que cada um crie seu próprio enredo.

Essa escolha também contribui para a circulação internacional da obra. Sem depender de diálogos, o filme consegue estabelecer uma comunicação mais ampla com públicos de diferentes línguas e culturas. 

Formada em Design Gráfico pela Unesp, Priscilla Kellen construiu sua trajetória entre a animação, o cinema e a ilustração. Trabalhou em Garoto Cósmico (2007)  e em O Menino e o Mundo (2013), indicado ao Oscar de Melhor Animação, além de dirigir a série Vivi Viravento (2017). Em Papaya, estreia na direção de um longa-metragem autoral, reunindo experiência artística e narrativa em uma produção que levou cerca de sete anos para chegar às telas. O filme também mantém sua parceria com Alê Abreu (Perlimps, 2022), que integra a equipe de produção. 

Ficha técnica:

Papaya
Brasil | 2026 | Animação | 74 minutos
Direção e roteiro: Priscilla Kellen
Produção: Boulevard Filmes
Coprodução: Birdo Studio, Alê Abreu e Priscilla Kellen
Produtores: Letícia Friedrich, Lourenço Sant’Anna, Priscilla Kellen e Alê Abreu
Produção executiva: Letícia Friedrich
Montagem: Elaine Steola
Direção de arte: Priscilla Kellen
Desenho, edição de som e mixagem: Submarino Fantástico
Trilha sonora: Talita Del Collado
Elenco: Aretha Garcia, Tulipa Ruiz e Maria Vitória Garcia
Distribuição: Cajuína Audiovisual/Sessão Vitrine Petrobras

O longa teve sua estreia internacional no Festival de Berlim, em fevereiro de 2026, na mostra Generation Kplus, depois de também circular por importantes festivais brasileiros, como Festival do Rio, Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e Mostra de Cinema de Tiradentes.

Papaya está em cartaz em cinemas brasileiros. Vale a pena embarcar nessa aventura. 

Você costuma acompanhar o cinema nacional? Qual foi o último filme brasileiro que te surpreendeu?  Conte pra gente em nossas redes sociais: Facebook, Instagram e X e fique de olho para mais informações sobre o mundo do entretenimento. 

Leia também: É viralatismo torcer pelo cinema nacional?

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana

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Música Notícias

Lost in Lust: conheça novo álbum de Pabllo Vittar

Cantora mira mercado internacional com ode a Madonna e à pista

Se Pabllo Vittar passou os últimos anos fazendo o Brasil inteiro cantar junto, agora a cantora parece ter decidido descobrir até onde sua música consegue chegar quando a barreira do idioma deixa de existir. Lost in Lust, seu sétimo álbum de estúdio, com 12 faixas, inaugura uma nova fase na vida da cantora. O disco aposta na música eletrônica e em referências à cultura das pistas de dança, além de incorporar elementos da música brasileira em sua produção.

O álbum reúne também participações internacionais, como Mahmood e Villano Antillano, e uma homenagem direta a Madonna, com quem Pabllo mantém uma relação de amizade desde o encontro entre as duas no Brasil. A nova fase da cantora, que começou a ganhar forma durante o projeto de DJ Club Vittar, busca ampliar a circulação de sua música para além do público brasileiro.

Um álbum para sair da bolha
Photoshoot do álbum da cantora (à esquerda) e capa do álbum Lost In Lust (à direita)
Imagem: reprodução/Entretetizei

Lost in Lust é o primeiro disco de Pabllo Vittar inteiramente cantado em inglês e espanhol, em uma tentativa de aproximar o álbum de ouvintes da Europa, Ásia e outros mercados nos quais a cantora já vem construindo espaço com apresentações internacionais.

A busca por um público internacional não significa que o Brasil desapareça do álbum. Entre as referências utilizadas na produção estão elementos da música eletrônica e gêneros brasileiros, como o tecnomelody, originário do Pará. A presença brasileira também está no próprio conceito construído ao redor da pista de dança, espaço que Pabllo relaciona à vivência da comunidade LGBTQIA+. Para a produção do álbum, a cantora reuniu exclusivamente profissionais da comunidade, incluindo artistas e produtores que participaram da criação das músicas.

O lançamento chegou às plataformas digitais em 1º de outubro e reúne 12 músicas em aproximadamente 29 minutos. Entre os convidados estão a porto-riquenha Villano Antillano, a brasileira Urias, o italiano Mahmood e o venezuelano La Cruz.

Para a construção do álbum, a experiência de Pabllo como DJ foi fundamental, uma vez que as canções buscam um lado mais experimental e eletrônico nas batidas. Durante o período do Club Vittar foram testadas músicas, produtores e sonoridades diante de diferentes públicos, ajudando a artista a se aproximar de produtores e famosos que a ajudaram a formar a identidade deste novo trabalho.

Madonna está no álbum. E não é só no nome da faixa!
Encontro de Pabllo e Madonna no show "Todo Mundo no Rio"
Foto: reprodução/Brazil News

Se existe uma figura que ajuda a entender a direção escolhida para o disco, é Madonna. A cantora norte-americana inspirou parte da construção sonora de Lost in Lust, especialmente pela relação histórica de sua música com as pistas de dança e com a cultura dos clubes. Madonna construiu parte importante de sua trajetória explorando a relação entre música pop, sexualidade e clubes, elementos que também atravessam o novo projeto da brasileira.

A influência chega ao próprio repertório: Friends With… transforma a amizade entre Pabllo e Madonna em uma das faixas do disco. As duas se aproximaram durante o show de Madonna no Rio de Janeiro, e Pabllo afirma ter levado para o novo trabalho a ousadia associada à trajetória da artista, experimentando novos caminhos ao invés de reproduzir uma fórmula conhecida.

O que significa estar Lost in Lust?
Photoshoot da artista Pabllo Vittar
Foto: reprodução/Instagram Pabllo Vittar

O título do álbum também entrega uma pista sobre o universo criado por Pabllo. Lost in Lust significa, em tradução livre, “perdido na luxúria” e está relacionado à ideia de desejo intenso, capaz de fazer alguém agir de maneira impulsiva. A proposta aparece também na identidade visual do trabalho, cuja capa apresenta Pabllo usando penas e tule, com pele à mostra e elementos associados à sedução. A estética acompanha a atmosfera criada pelas músicas e reforça a relação entre desejo, fantasia e pista de dança. Para quem gosta de descobrir o conceito de um álbum depois de ouvir as músicas, fica aí o momento de voltar à faixa-título e procurar as pistas.

E a nova era não fica restrita ao streaming. O álbum chega acompanhado de uma identidade visual própria e de um filme que, segundo Pabllo, aborda a fama a partir de diferentes perspectivas: o começo da carreira, a maneira como o público enxerga a artista e a forma como ela própria se percebe dentro desse processo. A estética também se estende aos palcos, especialmente com o Halloween da Pabllo que, neste ano, ganha formato de turnê e incorpora este novo universo ao espetáculo.

 

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Texto revisado por Crystal Ribeiro

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Notícias Séries

Dexter: Ressurreição: confira trailer da 2ª temporada

Novos serial killers, personagens conhecidos e lançamento marcado para outubro

Se Dexter Morgan achava que já tinha problemas suficientes, o novo trailer de Dexter: Ressurreição mostra que a segunda temporada pretende complicar ainda mais a vida do serial killer. A prévia coloca o personagem de Michael C. Hall novamente no centro de Nova York, desta vez com dois serial killers com perfis completamente diferentes, que passam a disputar espaço na trama. De um lado está Don Frampt, conhecido como Estripador de Nova York e interpretado por Brian Cox; do outro, aparece Owen Stark, o Assassino dos Cinco Distritos, vivido por Dan Stevens.

A nova temporada também retoma a história de Harrison Morgan, vivido por Jack Alcott, enquanto pai e filho continuam lidando com suas próprias ideias de justiça, além de reunir personagens que já fazem parte do universo da franquia. Os novos episódios chegam ao Paramount+ em 30 de outubro, justamente na semana do Halloween. Confira o trailer:

Afinal, quem é Dexter?
Divulgação da primeira temporada de Dexter (à esquerda) e James Doakes (à direita)
Imagem: reprodução/Entretetizei

Se o nome Dexter Morgan já apareceu para você, ou simplesmente o meme do homem encarando outro com uma cara desconfiada, aqui vai o contexto. Dexter é um especialista em análise de padrões de sangue que trabalha para a polícia, mas esconde uma segunda vida: ele também é um serial killer. A diferença é que o personagem segue um código criado por seu pai adotivo: ao invés de escolher qualquer pessoa, ele direciona sua obsessão para criminosos que considera responsáveis por mortes e que conseguiram escapar da Justiça.

A história começou em Dexter (2006), durou oito temporadas e ganhou diversas produções derivadas que ampliaram o universo do personagem, como Dexter: New Blood (2021). Dexter: Ressurreição é mais um capítulo dessa história, que leva o protagonista a uma nova fase de sua vida, em Nova York e novamente envolvido com assassinatos e investigações. A trama também recupera a relação entre Dexter e seu filho, Harrison Morgan, que passa a ocupar um espaço importante na história.

Dexter não vai ter sossego tão cedo
Dexter, no trailer, de Dexter: Ressureição
Imagem: reprodução/Paramount

A nova temporada coloca o protagonista diante de uma situação diferente daquela que costuma acompanhar sua trajetória. Dexter continua perseguindo criminosos, mas agora precisa dividir sua atenção com outros assassinos que também possuem seus próprios métodos e objetivos. O trailer apresenta Don Frampt como uma figura que já construiu uma reputação ao longo de décadas, enquanto Owen Stark aparece como um criminoso disposto a transformar seus assassinatos em uma espécie de jogo com a polícia.

A temporada ainda terá Gabriel Luna em participação especial como Ray Ballard, conhecido como The Sleepy-Eyed Stranger. Com três novos nomes ligados ao universo dos serial killers, a produção aumenta o número de personagens que podem cruzar o caminho de Dexter. O trailer, porém, mantém em segredo parte dos detalhes sobre como esses encontros vão acontecer, deixando o desenvolvimento dos conflitos para os episódios inéditos.

Pai, filho e um legado difícil de escapar
Dexter e seu filho, Harrison Morgan
Imagem: reprodução/Dexter Daily

Enquanto novos assassinos chegam à história, Harrison Morgan continua ocupando um lugar importante na trama, buscando entender o que fazer com o legado deixado pelo pai. A relação entre os dois continua atravessada pela maneira diferente como cada um entende justiça, violência e as escolhas que fizeram ao longo da franquia. Para Dexter, ter o filho novamente por perto também significa encarar as consequências de tudo o que tentou esconder dele e de si mesmo.

A continuação também recupera rostos que ajudam a conectar Dexter: Ressurreição às diferentes fases da franquia. Joey Quinn, interpretado por Desmond Harrington, ganha ainda mais espaço ao passar a integrar o elenco regular, enquanto James Remar também retorna ao universo da série como Harry Morgan. Já Mia LaPierre, vivida por Krysten Ritter, reaparece em uma participação especial depois de ser apresentada anteriormente na produção.

Por trás dessa mistura de rostos conhecidos e novidades, a produção mantém Clyde Phillips à frente da série, retornando como o responsável pela criação da produção original. A resposta para a pergunta sobre como Dexter vai lidar com tantos assassinos ao mesmo tempo começa a chegar em 30 de outubro, no Paramount+, onde os dez episódios da primeira temporada já estão todos disponíveis.

 

Está ansioso para o lançamento de Dexter: Ressurreição? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei – Facebook, Instagram e X – e nos siga para não perder nenhuma novidade!

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Texto revisado por Crystal Ribeiro

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