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5 composições de protesto: entenda o ativismo nas músicas de Hozier

Mais do que uma melodia viciante, o cantor instiga mudanças e reflexões em cada verso de suas canções

Existem melodias tão viciantes que às vezes nem percebemos o que estamos cantando. As músicas de Andrew Hozier-Byrne, ou apenas Hozier, são um ótimo exemplo disso: é fácil gravar cada nota quando escutamos a voz poderosa do cantor e compositor irlândes. E indo um pouco mais a fundo, é possível enxergar diversos simbolismos que servem como gancho para posicionamentos políticos e críticas sociais relevantes, como o apagamento de línguas, o silenciamento das igrejas quanto à homofobia e a motivação capitalista por trás das guerras.

O músico se apresenta pela segunda vez no Brasil, agora com a turnê Unreal Unearth Tour 2025, que tem como convidada especial Gigi Perez (em São Paulo, 31 de maio, e no Rio de Janeiro, 01 de junho) e promete levar os fãs à loucura com seu show inebriante.

Para esquentar o clima pré-show e te ajudar a entender um pouco mais sobre Hozier e suas composições, trouxemos o significado de 5 das músicas mais tocadas do artista. Para informações sobre o show, clique aqui.

Imagem: reprodução/RollingStone
Eat Your Young – A fome por poder e por consumo

Apesar de sua melodia sedutora, Eat Your Young não se trata de prazeres sexuais ou canibalismo literal. A letra faz uma crítica quanto à desigualdade social,  à ganância e ao egoísmo de uma sociedade obcecada em consumir cada vez mais sem levar em conta as consequências morais e o impacto nas gerações futuras. Referenciando, supostamente de forma não intencional, o ensaio satírico de Jonathan Swift, A Modest Proposal, onde o autor sugere que seria mais fácil que os irlandeses vendessem seus filhos como comida aos ricos para acabar com a pobreza avassaladora.

Get some (Pegar algum)

Pull up the ladder when the flood comes (Puxe a escada quando a inundação vier)

Throw enough rope until the legs have swung (Jogue corda suficiente até que as pernas tenham balançado)

Seven new ways that you can eat your young (Sete novas maneiras de comer seus filhotes)

Come and get some (Venha e pegue alguns)

Skinning the children for a war drum (Esfolando as crianças para um tambor de guerra)

Putting food on the table selling bombs and guns (Colocando comida na mesa vendendo bombas e armas)

It’s quicker and easier to eat your young (É mais rápido e fácil comer seus filhotes)

Take Me To Church – Os pagãos dos novos tempos

O hit que soma mais de 3 bilhões de streams no Spotify é uma das canções que fez Hozier ser reconhecido mundialmente. Frequentemente confundido com um louvor por sua melodia gospel, as letras ácidas de Take Me To Church trazem à tona uma crítica sobre o silenciamento da igreja frente a homofobia e suas consequências. Cada estrofe apresenta metáforas que exploram amor, religião, sexualidade e o abandono do desejo carnal e da autenticidade em troca da devoção cega e desoladora. O clipe viral e assombroso escancara esses simbolismos, apresentando uma perseguição cruel e ataques graves contra um casal gay devido à sua orientação sexual.

We were born sick (Nós nascemos doentes) 

You heard them say it (É o que eles dizem) 

My church offers no absolutions (Minha igreja não oferece absolvições) 

She tells me: Worship in the bedroom (Ela me diz: Louve entre quatro paredes) 

The only heaven I’ll be sent to (O único paraíso para onde serei levado) 

Is when I’m alone with you (Vai ser quando eu estiver sozinho com você) 

I was born sick, but I love it (Eu nasci doente, mas eu amo) 

Command me to be well (Ordene-me para que me cure) 

Amen, amen, amen (Amém, amém, amém)

Butchered Tongue – A língua despedaçada e a extinção de culturas

Saindo direto do último álbum de Hozier que, por si só, carrega grandes simbolismos baseados no mapa do submundo imaginado por Dante Alighieri na obra Divina Comédia, Butchered Tongue critica o apagamento de línguas nativas e como isso afeta a identidade individual e coletiva, além de toda a violência usada para silenciar culturas ao longo da história. Esse é um tema frequente em canções de Hozier, sendo que em De Selby (Part 1), ele canta trechos em gaélico irlandês, honrando e preservando suas raízes. 

As a child it was the place names (Quando criança, eram os nomes dos lugares)

Singin’ at me as the first thing (Cantando para mim como a primeira coisa)

How the mouth must be employed in every corner of itself (Como a boca deve ser usada em cada canto de si mesma)

To say appalacicola or hushpukena, like gweebara (Para dizer appalacicola ou hushpukena, como gweebara)

A promise softly sang of somewhere else (Uma promessa cantada suavemente de algum outro lugar)

Cherry Wine – #faceuptodomestcviolence

Uma das melodias mais românticas do artista, mas que, definitivamente, não deve tocar no seu casamento. Por meio de uma metáfora poética em que a letra referencia o sabor do vinho de cereja, que ao mesmo tempo que é raro e doce, também é associado ao sangue e à dor, a música Cherry Wine traz à tona uma relação entre duas pessoas repleta de momentos de amor e agressão, explorando o tema da violência doméstica e em como é doloroso para a vítima romper com o agressor. O fato da melodia ser uma das mais românticas do cantor é ponto-chave para mostrar quão difícil e confuso pode ser ler os sinais de um relacionamento abusivo. Em apoio à causa, todos os lucros da canção são destinados a instituições de caridade internacionais que apoiam vítimas de violência doméstica.

The way she tells me (O jeito que ela me diz)

I’m hers and she is mine (Que eu sou dela e ela é minha)

Open hand or closed fist (Mão aberta ou punho fechado)

Would be fine (Estaria tudo bem)

The blood is rare (O sangue é raro)

And sweet as cherry wine (E doce como vinho de cereja)

Nina Cried Power – Uma homenagem ao protesto artístico

Referenciando Nina Simone em seu título, uma das maiores cantoras de blues, jazz e R&B/soul, Nina Cried Power é uma homenagem às canções de protesto e aos artistas ativistas que usaram a voz para incentivar mudanças sociais e políticas. Em parceria com Mavis Staples, a música também cria um chamado para que o ouvinte encontre sua voz, seu poder e lute contra as injustiças atuais. Além de Nina, também são citados grandes nomes como Woody Guthrie, Billie Holiday, James Brown, Curtis Mayfield, B.B. King, Marvin Gaye, Pete Seeger, Patti LaBelle, Bob Dylan, John Lennon e Joni Mitchell.

It’s not the song, it is the singing (Não é a canção, é o cantar)

It’s the heaven of the human spirit ringing (É escutar o chamado do espírito humano)

It is the bringing of the line (É a criação do verso) 

It is the bearing of the rhyme (É a exposição da rima)

It’s not the waking, it’s the rising (Não é o despertar, é o levantar)

 

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Leia também: Descubra músicas incríveis do Hozier que vão além do hit Too Sweet

 

Texto revisado por Larissa Couto 

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