Lançados pela Intrínseca no Brasil, os livros de Mikito Chinen combinam lendas urbanas, suspense psicológico e críticas à vigilância digital em uma experiência de leitura imersiva
O catálogo de literatura asiática da Intrínseca acaba de ganhar mais dois títulos que prometem agradar aos fãs de suspense e terror psicológico. Publicados em edição conjunta no Brasil, Não mexa neste celular e Não mexa neste arquivo, do autor japonês Mikito Chinen, chegam ao país após conquistarem o público japonês e venderem mais de 140 mil exemplares apenas no primeiro mês de lançamento.
As obras apresentam histórias independentes, mas conectadas por temas em comum: o medo de estar sendo observado, os limites entre realidade e sobrenatural e os impactos da vigilância constante em uma sociedade cada vez mais digitalizada.
A experiência começa em Não mexa neste celular, livro que utiliza um formato pouco convencional para contar sua história. A narrativa acompanha Kazuma Isshiki, um universitário que aceita investigar a lenda urbana de Doumeki em busca de uma renda extra. O que parecia apenas mais um trabalho logo se transforma em um pesadelo quando ele passa a sentir que está sendo observado a todo momento.
O diferencial da obra está na forma como ela é construída. Além da narrativa tradicional, o leitor encontra capturas de tela, mensagens e outros elementos visuais que simulam o conteúdo do celular do protagonista. A escolha torna a leitura ainda mais imersiva e contribui para a crescente sensação de paranoia que acompanha a trama.
Já em Não mexa neste arquivo, o mistério ganha novos contornos. A história é apresentada por meio de documentos relacionados a um massacre que chocou o Japão, incluindo entrevistas, relatórios, matérias jornalísticas e registros oficiais.

No centro da narrativa está o homem acusado pelo crime, que afirmava estar sendo perseguido por uma presença misteriosa. Determinada a entender o que realmente aconteceu, a psiquiatra responsável pelo caso inicia sua própria investigação e acaba se aproximando de respostas que podem ser mais perturbadoras do que imaginava.
Apesar das diferenças na estrutura narrativa, os dois livros se complementam ao explorar medos profundamente contemporâneos. Em uma época marcada por redes sociais, rastreamento de dados e monitoramento constante, Mikito Chinen utiliza o terror para questionar até que ponto a tecnologia ampliou nossa sensação de segurança — ou de vigilância.
Ao mesmo tempo, o autor incorpora elementos clássicos do horror japonês, especialmente as lendas urbanas e o suspense psicológico, criando histórias que mantêm o leitor em dúvida até as últimas páginas sobre o que é real e o que pertence ao campo do sobrenatural.
Quem é Mikito Chinen?
Nascido em Okinawa, em 1978, Mikito Chinen é médico formado pela Universidade Jikei e atualmente vive em Tóquio. Desde sua estreia literária, em 2012, tornou-se um dos autores mais populares do Japão, acumulando best-sellers, prêmios e adaptações para o cinema e a televisão.
Agora, com Não mexa neste celular e Não mexa neste arquivo, o escritor faz sua estreia no mercado editorial brasileiro, trazendo aos leitores uma combinação de terror, mistério e crítica social que já conquistou milhares de fãs em seu país de origem.

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