Cultura e entretenimento num só lugar!

Foto: reprodução/Globo

Especial | Além do Dia da Mulher: autoras brasileiras que merecem ser lidas o ano inteiro

Da ficção científica ao romance histórico, esta lista reúne livros de escritoras contemporâneas que ampliam vozes e narrativas na literatura nacional

A literatura brasileira contemporânea tem sido atravessada por vozes femininas cada vez mais plurais, potentes e impossíveis de ignorar. Mulheres escrevem sobre futuros distópicos e amores cotidianos, sobre memória, identidade, política, fantasia e tecnologia – ampliando os limites dos gêneros e das narrativas que ocupam as estantes do país. Se por um lado celebrar essas autoras é reconhecer a força e a qualidade de suas obras, por outro é também um gesto de resistência em um mercado que ainda distribui reconhecimento de forma desigual.

Foto: reprodução/Instagram @_lelereads_

Dois levantamentos recentes também reforçam o protagonismo feminino quando o assunto é leitura no Brasil. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024, 49% das mulheres se declaram leitoras, superando os 44% dos homens. Já o estudo Panorama do Consumo de Livros 2025, da Nielsen BookData, aponta que as mulheres representam 62% das pessoas que compraram mais de dez livros no último ano.

Mais do que consumidoras de livros, muitas mulheres também desempenham um papel fundamental na formação de novos leitores. Em diversos espaços, são elas que incentivam o hábito da leitura, apresentam histórias e mantêm viva a relação cotidiana com os livros. Nesse cenário, valorizar autoras brasileiras contemporâneas também significa reconhecer a força de quem lê, escreve, recomenda e sustenta a literatura no dia a dia.

Nesse contexto, muitas escritoras têm encontrado na publicação independente um caminho para levar suas histórias diretamente ao público e construir comunidades de leitoras. Para a autora Stefany Nunes, esse modelo também amplia as possibilidades de atuação dentro do próprio mercado literário. “Ser autora independente no Brasil é um dos caminhos possíveis para levar nossos livros às leitoras. Como independentes, temos o controle de todo o processo, desde a escrita, o marketing e a divulgação da obra, até a publicação do livro finalizado. Isso também envolve os serviços de outras profissionais, como revisoras, preparadoras de texto, ilustradoras, capistas, designers, assessoras e etc. Publicar pela via independente proporciona um contato próximo à leitora, formação de comunidades engajadas e que se animam com as histórias contadas por vozes femininas diversas e em diferentes nichos e gêneros. É um trabalho multifuncional e desafiador, recompensado conforme os livros são descobertos e atingem novas leitoras. Experimentei isso com meu lançamento mais recente, A Melhor Surpresa, e o retorno carinhoso após as leituras faz o esforço valer a pena”, explica Stefany Nunes.

Foto: reprodução/Medium

A força da literatura escrita por mulheres também aparece na forma como essas narrativas dialogam com experiências reais e criam espaços de identificação para quem lê. Para muitas autoras, inclusive, foi o contato com a literatura independente que revelou novas possibilidades de escrita e representação.

Sou leitora desde os meus 13 anos, mas comecei a escrever porque descobri a literatura nacional independente. Foi ela que me mostrou o que um romance podia ser: não apenas entretenimento, mas espelho, cura e resistência. Em busca de histórias de amor, encontrei mulheres escrevendo sobre empoderamento, sobre abuso, sobre violência – e sobre como se reerguem depois disso. Encontrei vozes que o mercado editorial tradicional demorou demais a reconhecer, mas que as leitoras já tinham descoberto há muito tempo. Essa literatura cresceu nas margens porque o centro não dava espaço para ela, e foi exatamente nas margens que ela se tornou potência. Celebrar essas autoras, hoje, é reconhecer uma força que sempre esteve lá”, afirma Lucy Foster, autora nacional da série de sucesso Ya Bratva

Valorizar autoras brasileiras contemporâneas, portanto, também é reconhecer a força desse protagonismo feminino dentro do universo dos livros. Se as mulheres estão entre as principais leitoras do país, elas também são responsáveis por ampliar e reinventar as histórias que circulam por aqui. Em diferentes gêneros e estilos, escritoras brasileiras vêm construindo narrativas potentes, que exploram afetos, conflitos e transformações sociais.

Por isso, o Clube do Livro do Entretê reuniu algumas obras de escritoras brasileiras contemporâneas que merecem estar no radar dos leitores. A seleção percorre gêneros como ficção científica, romance contemporâneo, drama social e ficção histórica – histórias diversas, marcadas por sensibilidade, força narrativa e novos olhares sobre o mundo.

Fortunato Poeira, por Anna Martino
Foto: divulgação/Clakesworld/Entretetizei

Em Fortunato Poeira, Anna Martino constrói uma narrativa instigante a partir da ausência de seu protagonista. Fortunato, um “trecheiro” que divide a vida entre a Terra e a comunidade Bertha Lutz, em uma lua agrícola, sobrevive realizando trabalhos braçais enquanto transita entre esses dois mundos.

Quando ele morre, seu amigo Antônio, fazendeiro na colônia lunar, assume a responsabilidade de organizar o funeral. O processo, porém, esbarra em uma exigência burocrática: a cremação só poderá acontecer depois que os familiares do falecido forem localizados e avisados.

É durante essa busca que Antônio, narrador da história, e seus colegas começam a descobrir fragmentos da vida de Fortunato. Aos poucos, a investigação revela muito mais do que o passado do homem que vivera à margem: abre-se também uma disputa pela memória e pela forma como sua história será contada.

A Melhor Surpresa, por Stefany Nunes
Foto: divulgação/Lavanda Literária/Entretetizei

Em A Melhor Surpresa, Stefany Nunes apresenta um romance sobre recomeços, encontros inesperados e as transformações que surgem quando alguém decide sair do próprio roteiro.

Depois de atravessar um período difícil, Willow Hamilton deixa Londres rumo a Peonyshire, uma charmosa vila no interior da Inglaterra, onde passará cinco semanas. Acostumada a controlar cada aspecto da própria vida, ela decide transformar a viagem em uma aventura – uma resolução de ano novo que a tira da zona de conforto.

O que Willow não esperava era dividir o chalé com Jake Ashton, um homem alto, misterioso e de voz grave que carrega as marcas de um trauma devastador. Professor do time de hóquei da vila vizinha e conhecido por ser o faz-tudo da cidade, Jake vive há anos em Peonyshire tentando manter distância de qualquer surpresa.

A convivência entre os dois cria uma conexão imediata que vai além da atração física. Entre encontros, conversas e a curiosidade dos moradores locais, Willow e Jake começam a perceber que algumas surpresas podem mudar tudo – e que até corações partidos podem encontrar um caminho de volta.

Um Traço Até Você, por Olívia Pilar
Foto: divulgação/Lavanda Literária/Entretetizei

Em Um Traço Até Você, Olívia Pilar apresenta um romance sensível sobre identidade, amadurecimento e a busca por pertencimento.

Lina tem uma vida que, à primeira vista, parece completa: estuda em uma das melhores universidades do país, mora em um bairro de classe média alta de Belo Horizonte e passa boa parte do tempo ao lado dos amigos. Ainda assim, sente que algo falta, especialmente quando pensa no sonho de seguir carreira como ilustradora e fazer um curso de desenho no Chile, planos que não contam com o apoio dos pais.

Quando consegue uma vaga de estágio, acredita que finalmente está no caminho certo. O projeto sobre inclusão e diversidade parece promissor, mas logo surgem olhares estranhos e tarefas que colocam sua capacidade em dúvida – experiências que revelam as marcas do racismo estrutural em seu cotidiano.

É nesse momento que seu caminho cruza com o de Elza, estudante de Letras e poeta que expressa, em seus versos, a importância da luta por uma sociedade mais justa. À medida que as duas se aproximam, Lina passa a enxergar o mundo – e a si mesma – de uma forma diferente.

Entre arte, autodescoberta e afeto, o romance acompanha a jornada de uma jovem que precisa encontrar força na própria voz para afirmar sua identidade e ocupar os espaços que lhe pertencem.

Salomé, por Iaranda Barbosa
Foto: divulgação/Lavanda Literária/Entretetizei

Ambientado no Recife de 1850, Salomé, de Iaranda Barbosa, é um romance de ficção histórica que combina personagens fictícios e figuras reais em meio à efervescência cultural e política do século XIX.

A trama acompanha Felipe Alencar Paes, um poeta escravocrata e frustrado que acredita que apenas uma grande tragédia será capaz de inspirar seus versos. Obcecado pela ideia de transformar a própria dor em arte, ele busca na morte da mulher amada a centelha para sua poesia.

Seu caminho, no entanto, cruza com o de Leila Marinho Nunes Gomes de Sá, uma jovem aristocrata pernambucana formada em filosofia e recém-chegada da Europa. Portadora de ideias progressistas – entre elas a defesa da abolição –, Leila representa uma visão de mundo que confronta diretamente as convicções de Felipe.

Entre tensões sociais, debates intelectuais e transformações urbanas, a narrativa explora os conflitos de uma sociedade marcada por contrastes, em uma cidade que aspirava tornar-se a “nova Paris” fora da França.

Finalmente em seus Braços, por Mirela Paes
Foto: divulgação/Lavanda Literária/Entretetizei

Parte da coleção Amores em Pernambuco, Finalmente em seus Braços, de Mirela Paes, apresenta uma história delicada sobre encontros inesperados e segundas chances.

Roberta nunca conseguiu esquecer a mulher de olhos marcantes com quem trocou olhares durante o Festival de Inverno de Garanhuns. Em meio à multidão, as duas se perderam, mas a memória daquele breve flerte permaneceu viva.

Semanas depois, já de volta à rotina em Caruaru, Roberta descobre de forma surpreendente que o destino ainda não terminou de cruzar seus caminhos com aquela desconhecida. Nataly, a dona dos olhos inesquecíveis, surge novamente em sua vida, desta vez como sua nova cardiologista.

Entre coincidências e emoções mal resolvidas, as duas terão a chance de descobrir se aquele encontro fugaz pode se transformar em algo muito maior.

Meu Nome é Caos, por Lucy Foster e Mari Monni
Foto: divulgação/Instagram @autoralucyfoster e marianamonni/Entretetizei

Em Meu Nome é Caos, Lucy Foster e Mari Monni constroem um romance intenso marcado por personalidades opostas, tensões emocionais e uma atração difícil de ignorar.

Cameron Osbourne aprendeu cedo a sobreviver em um mundo que raramente oferece segundas chances. No circuito underground das batalhas de rap de Chicago, ele é conhecido como Caos: invicto, impiedoso nas rimas e temido pelos adversários. Fora dos palcos, porém, sua realidade é bem diferente: Cameron carrega sozinho a responsabilidade de cuidar do irmão mais novo e proteger a pequena família que construiu.

Valerie Murphy cresceu em um cenário completamente distinto. Com formação na prestigiada Juilliard e uma família estruturada, seu futuro parecia cuidadosamente planejado. Contudo, por trás do talento ao piano e das expectativas que recaem sobre ela, existe uma jovem que se sente cada vez mais perdida.

Quando seus caminhos se cruzam, a conexão é imediata e explosiva. Entre provocações, desejo e conflitos, Cameron e Valerie percebem que a química entre eles pode ser tão transformadora quanto perigosa. Em meio a diferenças profundas e sentimentos intensos, os dois terão que descobrir se estão dispostos a enfrentar o incêndio que surge quando dois mundos colidem.

Escrito nas Estrelas?, por Aione Simões
Foto: divulgação/Instagram @aione_simoes/Entretetizei

Em Escrito nas Estrelas?, Aione Simões apresenta uma comédia romântica que mistura astrologia, autoconhecimento e as confusões típicas da vida amorosa na juventude.

Aos 21 anos, Nanda já acumulou algumas decepções amorosas, mas nenhuma tão marcante quanto o fim do relacionamento com Vinícius, com quem namorou por dois anos. Tentando entender o que deu errado, ela revisita sua lista de antigos romances e percebe um detalhe curioso: todos os seus ex-namorados são do signo de Leão.

Pisciana convicta, Nanda decide então que nunca mais se envolverá com leoninos. Determinada a evitar novas frustrações, ela cria um plano tão inusitado quanto divertido para encontrar o par ideal, desta vez guiada pelos astros.

No entanto, enquanto tenta seguir seu mapa astrológico do amor, Nanda começa a perceber que talvez a resposta para sua felicidade não esteja exatamente nas estrelas, mas em um caminho de autodescoberta e amadurecimento.

Nossas Primeiras Últimas Vezes, por Bruna Pallazzo
Foto: divulgação/About Amazon Brasil/Entretetizei

Em Nossas Primeiras Últimas Vezes, Bruna Pallazzo constrói um romance marcado por tensão, desejo e limites difíceis de ignorar.

Maria Luiza Bittencourt deixou sua cidade para estudar arquitetura em Crownford quando ainda era muito jovem. Dois anos depois, retorna diferente: mais segura, determinada e com uma presença impossível de ignorar.

Para Augusto, porém, ela continua sendo a filha do seu melhor amigo e, agora, também sua estagiária. Quinze anos mais nova, Maria Luiza representa tudo aquilo que ele sabe que deveria evitar.

O problema é que a proximidade entre os dois transforma a relação em um terreno cada vez mais perigoso. Entre provocações, conflitos e sentimentos que insistem em crescer, eles se veem diante de uma paixão que desafia regras, expectativas e a própria ideia de controle.

O Despertar do Lírio, por Babi A. Sette
Foto: divulgação/Instagram @babiasette/Entretetizei

Em O Despertar do Lírio, Babi A. Sette apresenta um romance histórico marcado por segredos, desejo e disputas entre honra e sentimento.

Lilian tornou-se viúva ainda muito jovem e, no leito de morte do marido, jurou permanecer fiel à memória dele. Determinada a preservar sua reputação acima de tudo, ela se mantém distante de bailes, flertes e qualquer situação que possa colocar sua honra em risco. Para Lilian, viver aventuras ou quebrar regras pode custar caro demais.

Simon Thorn, por outro lado, é exatamente o tipo de homem que ela deveria evitar. Atraente, provocador e cercado por uma reputação escandalosa, ele carrega também um passado marcado por acusações e um plano de vingança cuidadosamente arquitetado.

Quando seus caminhos se cruzam, Simon enxerga na jovem viúva uma peça importante para alcançar seus objetivos. Lilian, no entanto, não imagina que está no centro desse jogo perigoso e, enquanto tenta manter distância, percebe-se cada vez mais vulnerável à presença daquele homem que deveria representar apenas problemas.

Entre segredos do passado, um castelo fechado há anos e os ecos de uma morte misteriosa, os dois se veem envolvidos em uma trama onde honra, orgulho e vingança disputam espaço com sentimentos inesperados. E, no meio desse conflito, talvez o maior risco seja perder algo que nenhum dos dois pretendia entregar: o próprio coração.

No Dia Internacional da Mulher, celebrar autoras brasileiras contemporâneas também é reconhecer a potência de histórias que continuam transformando a literatura do país. São vozes que escrevem sobre amor, política, identidade, memória e futuro, ampliando os horizontes do que pode ser contado — e de quem pode contar. Mais do que uma homenagem em uma data específica, ler e valorizar essas escritoras é um gesto que deve atravessar o ano inteiro, fortalecendo uma literatura cada vez mais diversa, plural e representativa.

Foto: reprodução/Instagram @rapboxoficial

Já conhecia essas autoras? Compartilhe com a gente através das nossas redes sociais – Instagram, Facebook e X – e, se você gosta de trocar experiências literárias, junte-se ao Clube do Livro do Entretê!

 

Leia também: 8 romances de época de autoras brasileiras para renovar sua estante

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana 

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal monitoramento. Acesse nossa política de privacidade atualizada e nossos termos de uso e qualquer dúvida fique à vontade para nos perguntar!