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Do subtexto ao protagonismo: três décadas de transformação lésbica na TV

De personagens apagadas nos anos 90 à pluralidade do streaming e à ousadia no horário nobre brasileiro, a TV finalmente começa a tratar histórias lésbicas com mais afeto e protagonismo

A representação de mulheres lésbicas na televisão passou por uma transformação significativa nas últimas três décadas, do subtexto e apagamento nos anos 1990 à hiperssexualização dos anos 2000 e, mais recentemente, à busca por pluralidade nas produções do streaming. 

Foto: reprodução/UOL

Nos anos 1990, a presença de personagens lésbicas era rara e marcada pelo subtexto. Relações entre mulheres surgiam de forma ambígua, em arcos secundários ou associadas a conflitos morais. No Brasil, novelas da mesma época evitavam protagonismo lésbico e tratavam o tema como elemento pontual de tensão dramática, frequentemente diluído ao longo da trama. 

Casos como o casal Rafaela (Christiane Torloni) e Leila (Silvia Pfeifer), de Torre de Babel (1998), e a relação ambígua de Isabela (Claudia Ohana) com outra mulher em A Próxima Vítima (1995), exemplificam como, quando presentes, essas narrativas eram interrompidas, suavizadas ou mantidas no campo da ambiguidade. 

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O marco dessa virada, The L Word, estreou em 18 de janeiro de 2004 no canal Showtime, tornando-se a primeira série mainstream centrada em um grupo de mulheres lésbicas e bissexuais. O sucesso levou ao lançamento de The Real L Word, em 2010, um reality show norte-americano também exibido pelo canal, que acompanhava o cotidiano de seis mulheres lésbicas em Los Angeles. Anos depois, a continuação The L Word: Generation Q chegou em 8 de dezembro de 2019, ampliando a diversidade de personagens e atualizando a narrativa para uma nova geração.

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Criada por Ilene Chaiken, The L Word acompanhou por seis temporadas (2004–2009) a vida de mulheres em Los Angeles, com elenco formado por Jennifer Beals, Katherine Moennig e Leisha Hailey. Embora tenha sido considerada revolucionária ao colocar personagens lésbicas no centro da narrativa, a produção também foi criticada pela padronização estética e pela erotização recorrente, reflexo da lógica televisiva dos anos 2000.

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Com a consolidação do streaming na década de 2010, o cenário passou a se diversificar. No Brasil, produções recentes ampliaram a naturalidade dessas narrativas e a televisão aberta também passou a dar sinais de mudança. Atualmente, a novela das nove da TV Globo apresenta um casal lésbico que vem chamando atenção por cenas de afeto mais explícitas, com beijos prolongados e demonstrações de intimidade tratadas com a mesma linguagem dedicada a casais heterossexuais, indicando uma quebra de barreiras históricas no horário nobre.

Foto: reprodução/UOL

Especialistas avaliam que a mudança acompanha transformações sociais e a maior presença de profissionais LGBTQIAPN+ nos bastidores. Se nos anos 1990 predominava o apagamento e nos anos 2000 a visibilidade vinha acompanhada de fetichização, a fase atual aponta para maior complexidade narrativa, ainda em construção, mas mais alinhada à diversidade real das experiências lésbicas.

 

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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