O cantor mantém os pés no chão e o coração leve neste momento de estreia como solista
O álbum que inaugura a carreira solo do cantor Diogo Melim chegou às plataformas digitais no dia 15 de abril deste ano. Ex-integrante da banda Melim, formada por Diogo e seus dois irmãos, Rodrigo e Gabi Melim, o músico inicia uma nova fase em sua carreira musical com o álbum Rascunhos (2026), seu projeto de estreia bastante pessoal, sincero e divertido.
Conhecido por suas composições românticas, Diogo conquistou um grupo fiel de fãs, que o acompanham desde seus tempos de Melim, quando o acústico do violão e a sensação good vibes dos shows ao vivo da banda reunía milhares ao redor do Brasil.
Nos dias 11 e 12 deste mês, após esperar com paciência e ansiedade pela estreia de Rascunhos, esses fãs ganharam listening parties no Rio de Janeiro e em São Paulo para ouvir o disco em primeira mão, antes do seu lançamento oficial.

Composto por sete faixas, incluindo o single Mil Versões, que ganhou clipe com a participação da esposa do cantor, a influenciadora Nanda Caroll, Rascunhos mantém o estilo pop romântico característico do artista ao mesmo tempo em que surpreende com suas batidas mais eletrizantes, arranjos de orquestra e letras irônicas, trazendo novidade sem perder a essência pela qual Diogo Melim é conhecido.
Ouça o álbum:
Na última segunda-feira (13), Diogo concedeu uma entrevista exclusiva ao Entretetizei, em que o cantor e compositor fala sobre a criação de Rascunhos, o clipe de Mil Versões, suas colaborações com Tibí e com Vitão para o álbum, além de família, amor, muita resiliência e poesia dedicadas a essa nova fase. Confira:
Entretetizei: Como você pensou no nome para o seu novo álbum?
Diogo Melim: O nome Rascunhos tem muito a ver com o processo pessoal que eu passei durante a construção desse álbum. Rascunhos seria talvez as nossas próprias versões, as nossas metas que ainda não realizamos e que, às vezes, paralisam a gente. A gente sempre se sente um rascunho, uma versão nossa em potencial e eu fiquei pensando nisso. Talvez a gente seja eternamente páginas em branco sendo escritas, e quanto antes a gente entender que nunca seremos uma coisa fixa, mais rápido vamos aproveitar esse processo que é a vida.
E: O que fez você sentir que este era o momento ideal para lançar o seu primeiro álbum solo?
DM: Essa data foi o prazo em que eu consegui preparar tudo. Se eu tivesse talvez finalizado o álbum antes, a gente teria puxado o lançamento para antes, mas teve que casar o produto com a agenda de lançamentos da minha gravadora, que é a Universal Music. Então entendemos que passando o carnaval a gente tem um período perfeito para o tipo de som que eu faço, que é um pop mais romântico, né? Acho que abril foi bom por isso.
E: Quais são as suas expectativas para esse novo momento da sua carreira como solista?
DM: As minhas expectativas são principalmente curtir cada parte do processo. Não é que eu não acredite; eu acredito muito no meu som e acho que está muito bom, mas independentemente disso vai ser o que tiver que ser. E quando a gente, às vezes, fica muito agarrado a uma meta, isso impede até de aquilo ser maior do que a gente imaginou. Eu lembro que na época do Meu Abrigo, no começo da banda Melim, eu conversei com o Rod e falei: “Não é sonhar muito não, mas imagina se a gente tivesse uma música com 10 milhões de views?”. Era o número máximo que eu conseguia pensar. E, no começo, a música ficou com um milhão, um milhão e meio, e depois ultrapassou muito isso, não sei se já passou de meio bilhão, mas está em um número assim. Então ter metas é muito bom para o curto e médio prazo, mas acho que a longo prazo não coloque uma meta, porque às vezes a vida pode te surpreender. Então eu estou fazendo tudo com carinho, com paixão, com excelência, e estou deixando a vida mostrar os melhores caminhos para mim.
E: Em Rascunhos, você testa novos gêneros musicais ao mesmo tempo em que resgata muito da sua origem e do som que é característico seu, desde a banda Melim. Quais foram as suas principais influências musicais para a criação deste álbum?
DM: Eu não pensei em nenhuma influência específica, eu fui mais por sensações e queria compor canções que o meu ouvido gostasse muito. Então, além dessas sete músicas, tiveram todas as outras composições que não foram gravadas e cada uma de um jeito. Todas são pop, mas eu acho que o pop sempre se agarra em algum outro estilo. E as influências são as minhas influências de uma vida inteira. Tenho o Lulu Santos, o Jota Quest, o Skank, o Natiruts, Tiago Iorc e tenho as bandas ou cantores gringos também que eu gosto, Shawn Mendes, Ed Sheeran, Justin Bieber, é uma mistura de muita coisa.
E: Como foi para você voltar a compor com o seu irmão, Rodrigo Melim?
DM: Foi ótimo, a gente nunca parou de compor. Eu vejo o Rod como um grande aliado para todos os trabalhos e já conto com ele para os próximos também. Ele é um compositor muito virtuoso e que consegue se moldar para a necessidade dos artistas, e eu sempre soube disso. A única coisa que muda é que, quando estou fazendo para o meu trabalho, quem orienta a canção sou eu e ele orienta quando está fazendo para o trabalho dele. Por exemplo, a Mil Versões era uma canção que a gente estava fazendo para o trabalho dele, e era uma música bem mais calma, no violão, mais melancólica, sofrida, e acabou que eu, ouvindo ela, falei que ele tinha que produzir ela mais pop, que ia ficar muito maneiro. Ele falou que não gostava dessa maneira e eu falei, “pô, então deixa eu gravar ela dessa forma”. Ele deixou e aí eu fiz da minha forma. Ele até ouviu e falou, “pô, ficou demais. Parece que ela tinha que ser isso. Não é verdadeiro para mim gravar dessa forma, mas para você é”. E também teve o contrário, teve algumas músicas que eu ia gravar que ele pegou para gravar no trabalho dele.
E: Falando de Mil Versões, o clipe desse single conta com a participação especial da sua esposa, Nanda Caroll. O quão importante era para você que ela fizesse parte, de alguma forma, desse seu álbum de estreia solo?
DM: Era muito importante, porque, na verdade, ela já faz parte. É a pessoa que está comigo todos os dias, que me dá força, que, enfim, eu amo e que me deixa feliz. As músicas são muito um reflexo e uma extensão de quem eu sou como pessoa, do meu momento, do meu estado psicológico e emocional. Então, de maneira indireta, ela já fazia parte. Eu não consigo imaginar, de forma nenhuma, esse álbum se eu não tivesse ela. Mas poder representar isso simbolicamente trazendo ela como protagonista do clipe foi muito maneiro, muito divertido.
E foi muito legal ver o comprometimento dela. Quando eu falei pra ela que tinha a possibilidade dela fazer parte, ela já se preparou. Então, isso mostra o quanto é o carinho dela por fazer parte e ela arrasou. Eu fico brincando que a minha participação no clipe é quase o coadjuvante, eu tô de óculos ali, fico só cantando as letras da música e ela que brilhou. E eu fiquei muito feliz de ter sido dessa forma, porque ela está super orgulhosa do clipe e eu mais ainda.
Assista ao clipe de Mil Versões:
E: O álbum conta com letras introspectivas e bastante honestas. Qual é a diferença que você sente entre escrever para outros cantores, como Luan Santana, Ivete Sangalo, Jorge & Mateus, e escrever letras para o seu próprio álbum?
DM: A diferença está principalmente na mensagem e na linguagem. Quando a gente vai fazer uma música para um trabalho de um outro artista, a gente tenta entender o que aquele artista gosta de comunicar. Então, melodicamente é muito diferente e a letra também. Eu acho que o sertanejo, ele tem as “sacadinhas” das músicas, elas são um pouco mais intencionais. Exemplo, quando o Luan Santana lança uma música, ou o Jorge & Mateus, não é incomum a gente ouvir, “essa é hit”. As pessoas têm essa questão da relação do sucesso com esse universo sertanejo. E o pop tem isso também em algum lugar, mas não é tanto assim. Eu acho que as pessoas vão ouvir uma música pop e vão falar, “nossa, que música linda” ou “nossa, que música animada”. Eu sinto que as “sacadas” das minhas músicas autorais são um pouco mais sutis. Tem ali um trocadilho, mas é um trocadilho que soa mais como uma poesia do que como uma sacada esperta, uma gracinha para fazer a pessoa rir e se divertir. Enfim, é totalmente diferente, mas igualmente difícil de serem feitas. Eu, como compositor, acredito que tem muitos compositores bons em todos os meios e acho que é uma ingenuidade pensar que tem algum segmento musical que é mais fácil do que outros; cada um tem as suas características.
E: Diferente das três primeiras faixas de Rascunhos, Desamor sai desse sentimento apaixonado e dá espaço a uma composição mais irônica de superar um amor terminado. Existe alguma diferença no seu processo criativo quando você escreve músicas de amor comparado com as de desamor?
DM: Eu acho que a única diferença de fazer as músicas para o lado do desamor, que não é tão comum para mim, é pegar um pouco mais leve. Quando a gente tá falando de amor, o céu é o limite. Você pode falar que você é extremamente apaixonado pela pessoa e tentar o máximo possível trazer essa linguagem para uma coisa atual e que as pessoas se identifiquem. Mas quando você vai fazer uma música de desamor, eu acho que você tem que ser um pouco mais estratégico nas palavras para a música entregar a mensagem e gerar identificação, senão você acaba talvez soando raivoso. Se você perder a ironia, eu acho que a música perde a graça. Então, foi um desafio maneiro de fazer. Não sei se vou fazer outras músicas assim, mas eu gostei bastante.
E: Como foi trabalhar com o Vitão em Quebra-Cabeça quatro anos depois da última colaboração de vocês em Mais Que Ontem?
DM: Cara, foi muito legal. Adoro o Vitão e queria muito fazer alguma coisa com ele pra esse álbum. Essa canção, Quebra-Cabeça, da qual ele é um dos compositores, é um tipo de música que eu sempre quis fazer. É romântica, mas é um romântico um pouco mais apimentado. E eu acho que o Vitão é muito bom com esses trocadilhos nesse lugar mais sensual. E eu aproveitei essa minha vontade de fazer a música nesse caminho. Sempre que a gente se junta saem músicas boas. E a gente sempre conversa só que ele está sempre viajando e eu também, mas é sempre uma alegria encontrar com ele.
E: Procurando Rosas é, ouso dizer, a música mais romântica do álbum. Você sentiu que era uma necessidade para esse álbum ter uma faixa em que o piano e a orquestra são protagonistas no lugar do violão, que é tão característico seu?
DM: Eu não comecei pensando pelo piano. A primeira produção que a gente fez dessa música foi no violão e o resultado ficou o que eu esperava, só que ele não conseguiu trazer a força da canção. Aí eu mostrei o álbum para alguns amigos e o Tibí, que é um dos compositores do meu álbum e toca piano, perguntou: “pô, você não tentou fazer ela no piano? Porque eu achei ela mais profunda”. E aí foi o meu produtor do disco que chamou ele para fazer, não fui eu que pedi, inclusive eu nem sabia que ele tinha gravado. Quando eu escutei, eu falei “quem é?”. “É o Tibí”. E aí eu senti que a música ganhou outro tamanho e ficou muito mais profunda.
E essa música é muito importante porque é o instrumental que a Nanda entrou no nosso casamento. Foi a única música que eu não escolhi da cerimônia. As outras a gente escolheu em conjunto, mas essa ela queria escolher sozinha e foi muito bonito. Sempre gostei dessa música porque é uma música dedicada a ela, apesar de todas serem eu acho que essa, por ser romântica, gera essa curiosidade. Mas o fato de ela ter entrado no casamento com essa música é impossível desassociar e ela ganhou um sentido muito mais profundo, então ela tinha que estar no álbum de qualquer jeito.
E: Qual é a sua faixa preferida do álbum e qual você pensa que será a favorita dos fãs?
DM: Eu já estive com os fãs do Rio de Janeiro e de São Paulo para eles escutarem o álbum em primeira mão, então eu já sei essa resposta, pelo menos por amostragem. Eu até brinquei com eles, eu falei: “pô, a gente é do Melim, uma banda good vibes, e vocês, fãs good vibes, a que mais gostaram foi Desamor? Que é uma música totalmente ácida? Aí você vê quem é quem”. Então talvez Desamor seja a música que as pessoas gostem mais.
Eu gosto muito da Mil Versões, obviamente. Gosto muito da Nem Sei também. Eu fiquei entre essas três para ser a faixa foco: Nem Sei, Mil Versões e Desamor. Aí eu escolhi a Mil Versões porque eu já tinha uma ideia pronta do clipe, mas musicalmente eu queria também dar oportunidade para a Nem Sei e para Desamor. Desamor era a primeira opção antes de produzir, mas depois que produzi a Nem Sei, ela ficou muito maior porque o Pedro Breder, que também faz muita coisa com o Pedro Sampaio e tem essa veia muito pop, deixou a música maior do que ela era, aí eu comecei a gostar dela e depois veio a Mil Versões. Enfim, eu acho que essas três são as que as pessoas vão gostar mais, e a Procurando Rosas também por ser mais romântica.
E: O que você gostaria que as pessoas sentissem ao escutar Rascunhos?
DM: Cara, eu gostaria que elas sentissem uma verdade. O amor de uma maneira verdadeira, sem muita maquiagem. Eu acho que, no contexto em que a gente tem muita coisa artificial agora com inteligência artificial, a qual eu não sou contra, inclusive sempre gostei muito de tecnologia, mas eu acho que é importante começar a pensar em equilibrar o quanto a tecnologia realmente traz benefícios e o quanto a parte humana, a parte orgânica, também tem sua importância. E eu acho que a música também está sofrendo muito com o impacto das novas tecnologias. Então eu queria que as pessoas, ao escutarem essas músicas, lembrassem que ainda tem pessoas preocupadas em fazer letras e melodias que sejam criativas e profundas. E acreditar que isso tem valor, que relacionamento tem valor, que essa profundidade tem valor, que é algo que eu acredito.
E: Existe algum spoiler que você possa nos dar sobre a turnê de Rascunhos?
DM: Eu não pensei na turnê ainda. Estou esperando lançar o álbum para pensar qual caminho tomar, vai depender muito de como as pessoas vão receber esse álbum, quais vão ser as faixas favoritas, como os próprios artistas também, parceiros, amigos, vão receber esse álbum. Estou esperando isso. Eu considero que ainda não estou nessa etapa e estou respeitando muito bem as etapas, ao contrário do que eu fazia antes. Eu planejava tudo para a frente, mas percebi que esse planejamento excessivo se torna uma amarra muito grande. E essa amarra é um peso para a gente viver e acaba sendo fonte de muita ansiedade. Eu não quero isso para a minha vida, eu quero viver uma vida mais tranquila. Então eu estou planejando com um pouco mais de leveza e deixando as coisas acontecerem para aí sim, quando estiver um pouco mais perto e o senso de urgência bater um pouco mais forte, aí eu decido.
Assista a entrevista completa: https://vt.tiktok.com/ZS9BPfMe5/
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Texto revisado por Cristiane Amarante










