Celebrado em 17 de agosto, o Dia Nacional do Patrimônio Histórico destaca espaços que reúnem acervos memoráveis, arquitetura marcante e histórias importantes
No dia 17 de agosto é celebrado o Dia Nacional do Patrimônio Histórico. A data foi instituída em 1998, em homenagem ao centenário de nascimento do historiador e jornalista mineiro Rodrigo Melo Franco de Andrade. Primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), criado em 1937, ele permaneceu à frente da instituição até 1967.
Rodrigo Melo Franco de Andrade foi uma figura fundamental para a criação e a consolidação do Iphan durante o governo de Getúlio Vargas. Também integrou o grupo de intelectuais que atuou na criação de leis voltadas ao reconhecimento e à preservação do patrimônio cultural brasileiro.
Entre as diversas categorias de patrimônio histórico, as bibliotecas ocupam um lugar de destaque. Além de seus acervos preservarem registros da história e da produção intelectual de diferentes épocas, suas características arquitetônicas também representam importantes elementos da memória e da identidade cultural.
Para celebrar a data, conheça a história de cinco bibliotecas brasileiras protegidas por tombamento.
Biblioteca Municipal Eli Brasiliense (Porto Nacional – Tocantins)

A biblioteca foi fundada em 1970 e oficializada legalmente em 1980. Recebeu o nome do escritor goiano Eli Brasiliense, nascido em Porto Nacional, e representa a cultura, a história e a identidade local. Seu acervo preserva importantes registros da produção de artistas do município.
Em 2008, o centro histórico de Porto Nacional, onde a biblioteca está localizada, foi tombado pelo Iphan. A área reúne edificações vernaculares e singulares que formam um importante conjunto arquitetônico remanescente do período da mineração de ouro.
Biblioteca da Faculdade de Direito do Recife (Recife – Pernambuco)

Sua origem vem da Biblioteca Pública de Olinda, criada em 1830. Já em 1912, a biblioteca foi transferida para o Palácio da Faculdade de Direito do Recife, tornando-se o que conhecemos hoje.
Como parte da Coleção de Obras Históricas e Raras do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Biblioteca da Faculdade de Direito do Recife possui títulos seculares provenientes da Biblioteca dos Oratorianos, da Coleção do Visconde de Santo Albino e da Coleção Alemã, que integrou a biblioteca pessoal do jurista Tobias Barreto.
Ao todo, são mais de cem mil volumes, muitos deles raros e preciosos, abrangendo diferentes áreas do conhecimento.
O prédio foi tombado integralmente em 1980.
Biblioteca Nacional de Brasília Leonel de Moura Brizola (Brasília – Distrito Federal)

A biblioteca já estava prevista no Plano Piloto de Brasília, desenvolvido por Lúcio Costa, mas, por questões técnicas, foi inaugurada somente em 2008.
Sua principal missão é democratizar o acesso da população à informação, especialmente das camadas menos favorecidas, por meio de ações que também beneficiam o Sistema de Bibliotecas Públicas do Distrito Federal.
A Biblioteca Nacional de Brasília integra o Conjunto Cultural da República, complexo arquitetônico tombado.
Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro – Rio de Janeiro)

Considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo, a Biblioteca Nacional é a maior biblioteca da América Latina.
Sua história começa em 1808, com a chegada da corte portuguesa de Dom João VI ao Rio de Janeiro. Com a corte, vieram cerca de 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas.
Inicialmente, o acervo foi instalado nas salas do Hospital da Ordem Terceira do Carmo. O espaço, porém, não era adequado para abrigar a coleção, o que levou à criação da Real Biblioteca, em 29 de outubro de 1810. Os primeiros dirigentes da instituição foram Frei Gregório José Viegas e o padre Joaquim Dâmaso.
Em 1811, o acervo terminou de ser transferido para o Brasil, primeiro sob a responsabilidade do bibliotecário Luís Joaquim dos Santos Marrocos e, posteriormente, de José Lopes Saraiva.
O acesso à biblioteca só passou a ser aberto ao público em 1814, deixando de ser reservado exclusivamente aos estudiosos.
Em 1821, o então rei Dom João VI retornou a Lisboa e deixou o acervo no Brasil, que se oficializou do país em 1825, com o Império do Brasil comprando oficialmente a Real Biblioteca.
Apenas em 1975, a edificação da Biblioteca Nacional foi tombada.
Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul (Porto Alegre – Rio Grande do Sul)

A instituição foi criada em 1871 e tombada em 2000, como parte do conjunto do Centro Histórico de Porto Alegre.
Seu acervo é diversificado e guarda importantes registros da memória sul-rio-grandense, com títulos de monografias desde o século XVI e periódicos gaúchos do século XIX, entre outras obras.
A Coleção de Obras Raras da Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul reúne exemplares dos séculos XVI a XIX, como a Pharsalia, de Lucano, de 1519; edições primorosas de A Divina Comédia, de Dante Alighieri, editada em 1921 por Corrado Ricci, em tiragem restrita a mil exemplares; e de Os Lusíadas, de Camões, em edição comemorativa de 1819, de alto valor por sua reduzida tiragem de apenas doze exemplares em pergaminho, entre outras obras.
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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura










