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Imagem: divulgação/Entretetizei

A geração Crepúsculo dos livros: obras que marcaram a literatura jovem no Brasil

Alguns brilharam, outros nem tanto, mas a maioria dos leitores brasileiros da literatura jovem dessa época se lembra deles (ou quase)

 

Não dá pra cravar quando exatamente a literatura young adult surgiu no Brasil, até porque histórias voltadas para o público jovem já existiam muito antes da gente começar a usar esse termo (oi, Pedro Bandeira). Mesmo assim, podemos citar alguns títulos que foram responsáveis por transformar a forma como esse tipo de literatura era e ainda é consumido por aqui.

A saga Harry Potter encabeça a lista, porque ajudou a introduzir o hábito da leitura para uma boa parte da geração dos anos 2000, seguido da série Fala Sério!, de Thalita Rebouças, um marco nacional no gênero, com linguagem jovem e identificação direta com o público brasileiro. E não podemos nos esquecer de O Diário da Princesa, de Meg Cabot, que veio com aquele jeitinho de diário e fez muito sucesso entre leitores adolescentes, especialmente meninas.

Esses livros marcaram gerações e ajudaram a consolidar um dos gêneros mais lucrativos do mercado de ficção no país: o young adult. Mas, em especial, um deles abriu portas para toda uma geração de leitores e, é claro, estou falando de Crepúsculo, publicado aqui pela editora Intrínseca.

Mas não é exatamente essa saga o tema deste texto, até porque muito já foi dito a respeito, e sim sobre o que veio depois. Vem com a gente!

Os livros de sucesso da geração Crepúsculo

Embora a gente fale de geração Crepúsculo, se referindo aos leitores que cresceram lendo esse fenômeno literário, a verdade é que a literatura também teve a sua fase crepusculesca. Como toda boa modinha, muitas obras surfaram nesse sucesso ou ressuscitaram dos mortos, porque não vieram na hora certa – afinal, tudo tem seu tempo, não é mesmo?

Essa fase (entre 2008 e 2015, principalmente) trouxe para o Brasil uma avalanche de livros com criaturas sobrenaturais, triângulos amorosos intensos, mocinhas misteriosas (ou com algum tipo de poder) e aquele clima de romance sombrio.

Então, para quem não viveu esse momento, ou para quem viveu e gostaria de se recordar, aqui vão alguns títulos que surfaram no hype; seja no estilo, nos temas ou no público young adult. Bruxas, alquimistas imortais, vampiros, fantasmas e anjos caídos: é só escolher um.

Os mais bombados na época (e que envelheceram relativamente bem)

Esses títulos não só surfaram na onda de Crepúsculo, como também criaram suas próprias legiões de fãs, ganharam edições especiais, viraram filmes/séries e foram febre nas redes sociais e blogs literários da época.

Alguns deles ainda têm um público fiel ou voltaram à tona com reedições e adaptações. Outros envelheceram na estética, mas mantêm relevância por seu impacto ou pela nostalgia que carregam. Para uma pitada de opinião, deixo aqui a minha sobre livros que acredito ainda valerem uma releitura e por quê.

Academia de Vampiros – Richelle Mead

Imagem: reprodução/Amazon

Em Academia de Vampiros, Lissa Dragomir é uma princesa vampira da realeza Moroi, e Rose Hathaway, sua guardiã (e também uma dhampira, que são mestiços entre humanos e vampiros). Após dois anos fugindo, as duas são capturadas e levadas de volta à Academia São Vladimir, um colégio interno para vampiros e guardiões. Lá, Rose retoma seu treinamento e se envolve em intrigas políticas (e românticas), enquanto precisa proteger Lissa.

O livro mistura ação, romance e drama adolescente em um internato para vampiros. O que podia dar errado aí? Nada! Por isso fez muito sucesso e ainda é muito querido entre seus fãs. Envelheceu super bem (na minha opinião) e vale uma releitura.

Também teve uma adaptação para filme (meio flopado), spin-off e muito burburinho online na época. Hoje em dia quase ninguém fala, mas foi e ainda é uma excelente série de livros e uma leitura obrigatória para quem ama vampiros.

Fallen – Lauren Kate

Imagem: reprodução/Galera Record

A história segue Lucinda Price, uma adolescente enviada para um reformatório após ser culpada pela morte do seu namorado. Lá, ela conhece Daniel, um garoto por quem sente uma conexão inexplicável e que, por alguma razão, parece não gostar dela.

Conforme a história segue, Luce descobre estar envolvida em um conflito milenar entre anjos caídos e uma maldição que envolve tanto ela quanto Daniel. Ou seja, maldição + romance trágico = sucesso instantâneo.

Fallen fez muito sucesso no lançamento, mas as continuações foram cansativas e densas, levando muita gente a largar a saga. Ainda assim, isso não impediu que, anos depois, transformassem o primeiro livro em filme e, recentemente, em série para os streamings. Não deu muito o que falar e foi esquecida, de novo.

A Editora Record relançou a saga com edições lindíssimas no final de 2024. Com certeza é uma saga que vale a releitura.

Hush, Hush – Becca Fitzpatrick

Imagem: reprodução/Intrínseca

Na saga, Nora Grey é uma estudante comum até conhecer Patch Cipriano, um garoto misterioso que parece saber demais sobre ela. Apesar de seus instintos dizerem para ficar longe, Nora se sente cada vez mais atraída por ele, sem saber que Patch não tem intenções tão puras assim. Presa entre o medo e o desejo, ela se vê envolvida em uma trama sobrenatural, cheia de segredos e escolhas que podem significar tanto sua vida quanto sua morte.

Esse clima misterioso e o plot ainda atraem quem gosta de bad boys sobrenaturais, embora alguns aspectos da relação tenham envelhecido um pouco mal. Patch Cipriano foi o crush de muita leitora na época, e ainda é. A saga não deixa de ser uma leitura interessante mesmo hoje.

Diários do Vampiro – L.J. Smith

Imagem: reprodução/Galera Record

Elena Gilbert é a garota mais popular da escola, mas sua vida muda ao conhecer Stefan Salvatore, um aluno novo, misterioso e encantador, que na verdade é um vampiro tentando viver em paz. O romance entre os dois é ameaçado quando Damon, irmão de Stefan e também vampiro, retorna com planos sombrios e uma obsessão perigosa por Elena. Presa entre dois amores e um mundo sobrenatural, Elena precisa enfrentar segredos capazes de mudar tudo.

Soa familiar? Em boa parte, a fama dessa coleção está ligada ao sucesso da série de TV, estrelada por Nina Dobrev, Ian Somerhalder e Paul Wesley. Diários do Vampiro é uma saga vampiresca que precede Crepúsculo, mas que voltou à vida justamente pela fama do seu sucessor. E não é por pouco: a estética dark e os triângulos amorosos rivalizam diretamente com o da Bella, Edward e Jacob.

A editora Record fez uma nova edição no final de 2024 e está lindíssima. Se você gosta da série, vale a pena dar uma chance aos livros.

Os Instrumentos Mortais – Cassandra Clare

Imagem: reprodução/Galera Record

A saga acompanha Clary Fray, uma adolescente que descobre ser uma Caçadora de Sombras, parte de uma raça de guerreiros nefilins que protegem o mundo de demônios (e outras criaturas mais).

Ao entrar nesse universo oculto, ela se envolve em uma guerra entre bem e mal, enfrenta criaturas sobrenaturais, descobre segredos sobre sua origem e vive um romance conturbado com o misterioso Jace Wayland. A trama mistura ação, magia, mitologia e conflitos familiares em um cenário urbano de baixa fantasia.

Instrumentos Mortais provavelmente é a saga mais bem-sucedida dentre aquelas que aproveitaram a onda de Crepúsculo. Mesmo que você não tenha lido, você já ouviu falar nem que seja dos últimos lançamentos, a trilogia As Últimas Horas, que se passa no mesmo mundo em uma época diferente.

O filme baseado no primeiro livro foi lançado em um momento onde o cinema buscava repetir o sucesso de Crepúsculo, Jogos Vorazes e Divergente. Mas o filme não vingou nas bilheterias, o que mostra que o hype não era suficiente por si só. Ainda assim, os primeiros livros fizeram muito sucesso e acumulam fãs até hoje. A editora Record publicou todos os volumes aqui no Brasil.

Os que eram bons, mas… floparam com o tempo

Nem todo mundo sobreviveu ao teste do tempo. Alguns desses títulos fizeram barulho quando lançados, venderam bem e até tiveram adaptações, mas acabaram esquecidos ou envelheceram mal, seja pela escrita, pelos clichês excessivos ou por tramas que hoje parecem repetitivas (e extremamente arrastadas).

Os Imortais – Alyson Noël

Imagem: reprodução/Intrínseca

Essa série conta a história de Ever Bloom que, após perder toda a família em um acidente, começa a ver auras, ouvir pensamentos e sentir a energia das pessoas. Tentando lidar com seus novos poderes e o luto, sua vida muda completamente ao conhecer Damen Auguste, um garoto misterioso, sedutor e impossível de ler. À medida que se aproxima dele, Ever descobre um mundo de segredos, imortalidade e um amor capaz de atravessar vidas.

O plot é ótimo e esse é um livro que deveria ter sido colocado na primeira metade deste post, mas tendo em vista todo o percurso até o fim da saga, parece que a queda foi alta demais, sem chão à vista. A saga emplacou vários livros e bombou muito no Skoob e em comunidades do Orkut. Era leitura obrigatória para quem curtia romance sobrenatural, mas também foi uma grande decepção no final.

Apesar de um bom início, a série se estendeu demais e perdeu fôlego. A protagonista começou a irritar os leitores e a trama ficou repetitiva. Essa série é quase a personificação daquela frase do Coringa do Heath Ledger: “Morra como herói ou viva o suficiente para virar um vilão.” Era melhor ter morrido herói.

House of Night – P. C. Cast & Kristin Cast

Imagem: reprodução/Novo Século

A história acompanha Zoey Redbird, uma adolescente que é marcada para se tornar uma vampira e é enviada para a Morada da Noite, uma escola onde adolescentes marcados com uma lua crescente na testa passam por um ritual de transformação e aprendem a controlar os poderes.

Mas conforme Zoey avança em sua transformação, ela descobre que possui dons únicos e um papel muito maior do que imaginava na luta contra forças sombrias — tanto no mundo dos vampiros quanto no mundo espiritual.

O que diferenciam os vampiros de House of Night dos outros é que aqui eles têm uma conexão mágica com a deusa Nyx. A saga mistura mitologia, espiritualidade wicca e rituais mágicos e se desenvolve em vários núcleos com personagens diferentes. Nesse sentido, a leitura parece ser a de um roteiro de uma série de TV.

Fez muito sucesso na época, mas a história começou a se repetir, com dramas amorosos cansativos e vilões que voltavam mil vezes. Para piorar, a protagonista era contraditória e moralmente confusa. Ninguém aguentou acompanhar a história por 12 livros, e foi assim que morreu o sucesso de House of Night.

Dezesseis Luas (Beautiful Creatures) – Kami Garcia & Margaret Stohl

Dezesseis Luas conta a história de Ethan Wate, que só quer escapar da monótona cidade de Gatlin, até conhecer Lena Duchannes, uma garota nova e estranha que aparece nos seus sonhos antes mesmo de chegar à escola. Lena é uma Conjuradora — uma bruxa — prestes a completar 16 anos, quando será reivindicada pela Luz ou pelas Trevas. O romance deles se desenvolve enquanto precisam combater uma maldição que pode acabar com tudo ao redor.

Essa saga tem uma vibe sulista norte-americana e gótica que chegou ao cinema, com direito a profecias, segredos de família e magia. Tinha potencial, mas o filme não ajudou: foi um fracasso de crítica e bilheteria. A história acabou sendo ofuscada por outras do mesmo gênero e caiu no esquecimento.

Blue Bloods – Melissa de la Cruz

Imagem: reprodução/iD Editora

A saga gira em torno de Schuyler Van Alen, uma jovem que descobre ser parte de uma antiga e secreta linhagem de vampiros conhecidos como Blue Bloods, vampiros que vivem entre a alta sociedade de Manhattan. À medida que ela se aprofunda nesse universo de luxo, poder e imortalidade, começa a enfrentar conspirações, assassinatos misteriosos e segredos que podem abalar para sempre o delicado equilíbrio entre vampiros e humanos.

Glamourosa e diferentona, a premissa de Blue Bloods é realmente interessante, mas muita gente abandonou no meio por conta da narrativa confusa e dos personagens difíceis de se apegar. Hoje, quase ninguém (e estou tentando ser gentil) fala sobre.

Hex Hall – Rachel Hawkins

Imagem: reprodução/Galera Record

Sophie Mercer é uma jovem bruxa que, após um acidente desastroso, é enviada para Hex Hall, um internato para bruxas, vampiros e metamorfos com problemas. Lá, Sophie precisa lidar com amizades, rivalidades e mistérios que envolvem uma ameaça sobrenatural maior, enquanto tenta entender melhor seus próprios poderes e seu destino.

É uma saga divertidinha e leve, mas não conseguiu se destacar o suficiente entre tantas outras séries da época. Foi esquecida rápido, que nem um namorico de escola. Se por um acaso vir um exemplar por aí, pode ser uma leitura interessante.

Apesar de alguns títulos terem caído no esquecimento, o que une todos eles é o mesmo ponto de partida: o impacto de Crepúsculo.

A saga escrita por Stephenie Meyer não apenas dominou listas de mais vendidos ao redor do mundo, ela também redefiniu o que o público jovem buscava em um romance: um mundo sobrenatural, ambientação sombria e amor proibido. Todas essas obras oferecem esse combo em alguma medida, e por isso fizeram muito sucesso durante esse período. Todas valem a pena serem lidas pelo menos uma vez na vida de todo bom leitor de young adult.

 

Você tem interesse em (re)ler a geração Crepúsculo dos livros? E, se ficou faltando algum de que você se lembre com carinho (ou nem tanto assim), comente lá nas redes sociais do Entretê — Instagram, X e Facebook — e venha fazer parte do nosso Clube do Livro.

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Texto revisado por Larissa Suellen

 

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