A peça foi escrita por Samuel D. Hunter e a versão brasileira é dirigida e traduzida por Luís Artur Nunes
O consagrado ator José de Abreu retorna ao teatro após um hiato de mais de dez anos. Sua última aparição nos palcos foi em 2013, no espetáculo Bonifácio Bilhões, de João Bethencourt. Agora, ele se prepara para estrear na peça A Baleia, do dramaturgo norte-americano Samuel D. Hunter, que entrará em cartaz no Teatro Adolpho Bloch, no Rio de Janeiro, a partir de 6 de junho.
A obra, que aborda temas como isolamento e reconexão, ganhou ainda mais notoriedade com sua adaptação para o cinema em 2022. O filme, dirigido por Darren Aronofsky e estrelado por Brendan Fraser, rendeu ao ator o Oscar de Melhor Ator em 2023, por sua emocionante interpretação.
Com tradução e direção de Luís Artur Nunes, com quem Zé de Abreu já trabalhou em outras montagens, como no monólogo Fala, Zé! (2006) e na montagem A Mulher Sem Pecado (2000), de Nelson Rodrigues, a versão teatral brasileira promete trazer ao palco a mesma intensidade dramática que consagrou a história no teatro e no cinema.
“Foi um verdadeiro presente receber esse texto”, afirma o diretor. “Eu já havia gostado muito do filme, mas me apaixonei pelo texto teatral de Samuel D. Hunter. A dramaturgia é de excelência, construída no modo realista, mas com uma estrutura de grande modernidade. A Baleia não segue uma linha narrativa tradicional — é uma espécie de narrativa em mosaico, cujos fragmentos se articulam num todo surpreendentemente coerente”.
Luís Artur ressalta ainda os temas abordados: “A peça nos fala de intolerância religiosa, homofobia, culpa, reconexão e empatia, sempre a partir de personagens humanos, complexos e cheios de contradições. É um material encharcado de emoção, e foi impossível não encarar esse desafio. Felizmente, estive cercado de um elenco extraordinário e de uma equipe artística e técnica da mais alta qualidade”.
A caracterização
Para viver o personagem de quase 300 quilos, Zé terá uma caracterização complexa. O ator usará, além de prótese facial, um figurino com enchimento e climatizado. O figurinista Carlos Alberto Nunes e a visagista Mona Magalhães, ambos da Unirio, comandam os trabalhos.
O elenco também conta com Luisa Thiré, Gabriela Freire, Eduardo Speroni e a participação especial de Alice Borges. A produção traz cenários assinados por Bia Junqueira, figurinos de Carlos Alberto Nunes, iluminação de Maneco Quinderé e trilha sonora de Federico Puppi.

O espetáculo é apresentado pelo Ministério da Cultura e tem o patrocínio da CAIXA Residencial, seguradora que oferece soluções de seguros de moradias. Com o propósito de ampliar o acesso à cultura, a CAIXA Residencial tem valorizado a realização de projetos que destacam o impacto social, conectando experiências teatrais a diversos brasileiros, em diferentes regiões do país.
Sobre o dramaturgo
Samuel D. Hunter é um dramaturgo norte-americano conhecido por suas obras que exploram temas de isolamento, redenção e fragilidade humana, muitas vezes ambientadas em pequenas cidades dos Estados Unidos. A Baleia (The Whale), uma de suas peças mais aclamadas, estreou em 2012 e recebeu elogios pela sensibilidade com que aborda a história de um professor de inglês recluso e com obesidade severa que tenta se reconectar com sua filha adolescente.
José de Abreu acabou de interpretar o personagem Rodolfo Barros, na novela das 19h, Volta por cima (2024 – 2025). Ele poderá ser visto ainda na novela do Globoplay, Guerreiros do Sol (2025), de George Moura e Sergio Goldenberg. O ator interpretará um dos antagonistas, coronel Elói, que começará a trama casado com Rosa, papel de Isadora Cruz.
José de Abreu fala sobre sua conexão com a obra
“A primeira vez que ouvi falar de A Baleia foi em Paris, por volta de 2015. Um amigo, diplomata francês, havia assistido à montagem em Nova York, onde o autor, Samuel D. Hunter, ganhara o prestigioso prêmio Obie — o Tony da off-Broadway. Fiquei encantado, mas naquele momento, não estava pronto para o desafio. Em 2022, soube que a peça havia sido adaptada para o cinema, com Brendan Fraser no papel de Charlie. Roteiro do próprio Sam, três indicações ao Oscar, dois prêmios.
Foi um sinal. Em 2024, resolvi montar. Convidei Felipe Heráclito Lima, que se uniu a Alessandra Reis na produção, e o diretor Luís Artur Nunes, amigo de longa data, com quem já compartilhei outras jornadas no palco. E agora, A Baleia estreia no Rio de Janeiro, cercada por outras baleias – essas naturais – que vêm se refestelar em nosso mar. Bons auspícios.”
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Texto revisado por Karollyne de Lima









