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solidão feminina na vida adulta
Foto: reprodução/imdb

Precisamos falar sobre a solidão da mulher adulta — e como ela é retratada (ou ignorada) na cultura pop

A cultura pop começa a mostrar a solidão da mulher adulta, mas ainda falta espaço para falar das dores silenciosas e da invisibilidade que muitas enfrentam todos os dias

[Texto com conteúdo sensível]

Tem uma solidão que ninguém conta, aquela que chega quando você ainda tem 23, 25 anos, e se pergunta: “Por que eu me sinto tão sozinha se é agora que eu deveria estar vivendo tudo?” É a fase em que esperam que você esteja rodeada de amigos, em festas, apaixonada e confiante. Mas e se você não tiver nada disso? E se não tiver amigos próximos, nem relacionamentos, nem uma carreira encaminhada, nem grandes aventuras para postar nos stories? Essa solidão dos 20 e poucos anos quase nunca é levada a sério. Ela parece egoísta, dramática demais. Mas ela existe. 

Aos 30, essa solidão muda de tom. Vem menos do vazio e mais do acúmulo: de expectativas, de comparações, de frustrações. É a fase das cobranças silenciosas: “Você não casou?”, “Vai congelar os óvulos?”, “Já pensou em terapia?”, “Não pensa em comprar um AP?” E a mulher que não se encaixa nessas perguntas vai sendo deixada de lado como se fosse uma página em branco em um livro onde todo mundo já está escrevendo finais felizes.

Depois dos 40, a solidão começa a parecer um castigo, uma espécie de consequência por não ter feito “as escolhas certas”. E aos 50, ela vira quase um apagamento. A mulher vira mãe de alguém, avó de alguém, chefe de alguém… mas raramente é protagonista de si mesma. A cultura pop reforçou esse ciclo por anos, vendendo a juventude como auge e o resto como decadência. Mas, aos poucos, algumas histórias começaram a mudar o discurso. E essas histórias importam.

Porque a solidão da mulher adulta não é só ausência de companhia: é ausência de escuta, é estar viva, sentindo tudo e perceber que ninguém pergunta como você está de verdade. É ser forte por obrigação, feliz por pressão e independente por falta de opção. E é aí que o cinema, a música e as séries — quando se atrevem a falar disso — viram refúgio, espelho e, às vezes, até salvação. 

A mulher de 20 e poucos e a solidão disfarçada de liberdade

Aos 20 e poucos anos, tudo parece ser sobre liberdade: aproveitar, viajar, beijar, trabalhar muito e ainda postar textão sobre autoconhecimento. É o momento da vida em que se espera que a mulher esteja mais conectada com o mundo. Mas essa é, também, uma das fases mais solitárias em que se pode viver e quase ninguém fala a respeito disso. Porque é difícil admitir que, mesmo jovem e “com tudo pela frente”, a gente acaba sentindo um buraco enorme dentro de si.

Algumas produções começaram a mostrar isso sem floreios. No filme Frances Ha (2012), Frances é uma mulher de 27 anos tentando manter amizades que mudam rápido demais, uma carreira que não vinga e um senso de pertencimento que escapa por entre os dedos. Ela não está deprimida. Só está… só, e perdida. A solidão dela não vem de grandes tragédias, mas das pequenas rejeições diárias que se acumulam: não ter com quem dividir uma boa notícia, não ter certeza se fez a escolha certa e não ter ninguém esperando por ela em casa.

Em Normal People (2020), Marianne é inteligente, bonita e extremamente solitária. Mesmo quando está em relacionamentos, a sensação de estar deslocada nunca vai embora. E isso diz muito sobre a solidão dos 20 e poucos: ela não tem uma causa clara. É como um nevoeiro que ninguém vê e que a própria mulher aprende a esconder para não parecer fraca.

O que as redes sociais vendem como liberdade muitas vezes é só falta de vínculos reais. A pressão por ser a mulher que vive intensamente, que viaja, que tem mil amigos e looks impecáveis, mascara a dor de quem está tentando, em silêncio, descobrir quem é. O problema é que, quando essa dor aparece, ela não é levada a sério: “Você é nova demais para estar triste.” Mas a solidão, infelizmente, não segue calendário.

É por isso que músicas como Liability, da Lorde, ou Cellophane, da FKA Twigs, cortam tão fundo. Porque falam sobre essa mulher jovem que não se sente desejada, nem pertencente, nem necessária. E isso não é fraqueza, é só uma realidade que ninguém as ensinou como lidar.

Sex and the City e o romantismo solitário da independência feminina

Sex and the City foi revolucionário. Colocou quatro mulheres independentes, urbanas, bem-sucedidas e sexualmente livres no centro de uma narrativa. Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha viveram, erraram, transaram, choraram e continuaram se apoiando. Mas, revendo a série hoje, com outro olhar, dá para perceber como aquela independência toda também carregava uma dose enorme de solidão,  especialmente quando não havia mais com quem dividir os silêncios.

Miranda, por exemplo, compra um apartamento sozinha e é tratada pelo corretor como uma aberração estatística. Carrie tem vários namorados, mas volta para casa sozinha quase toda noite. E a amizade entre elas, embora linda, nem sempre preenche os vazios que cada uma carrega. A série foi ousada ao mostrar que mulheres podiam ser felizes sem casar, mas também deixou claro que essa felicidade não era simples e nem linear.

A solidão em Sex and the City não vem só da ausência de um parceiro. Vem de perceber que, mesmo com amigas incríveis, existe um limite para o quanto elas podem te salvar. Que a liberdade tem um preço e, às vezes, é no silêncio do quarto, depois de um dia cheio, sem ninguém para te esperar que ele é mais sentido. E tudo bem se isso for uma escolha, mas e quando não é?

A cultura do autocuidado tentou transformar a solidão feminina em algo cool. “Viaje sozinha”, “compre flores para você mesma”, “não dependa de ninguém”. Tudo válido. Mas também perigoso. Porque quando a mulher não está feliz nessa solidão, ela se sente culpada. Afinal, “não era pra isso ser libertador?” É o que Carrie vive várias vezes: ela quer ser independente, mas também quer ser amada. E parece que o mundo não permite os dois ao mesmo tempo.

O spin-off And Just Like That… tentou atualizar essa narrativa, mostrando essas mesmas mulheres depois dos 50. E, mais uma vez, a solidão aparece. Não como punição, mas como parte da vida real. A diferença é que agora ela é tratada com mais honestidade, sem precisar disfarçar com glamour ou frases de efeito.

Mães, não mães e o peso da solidão que ninguém enxerga

Tornar-se mãe pode ser o antídoto contra a solidão ou o maior gatilho para ela. Porque, ao mesmo tempo em que se ganha um filho, muitas mulheres perdem a si mesmas: perdem o sono, o tempo, o corpo, os amigos. E, às vezes, ninguém repara. Em Workin’ Moms (2017 – 2023), as protagonistas vivem a maternidade como um desafio constante: cuidar dos filhos sem deixar de existir como mulheres. O humor ajuda, mas a dor está ali o tempo todo.

Já em Pedaços de uma Mulher (2020), Vanessa Kirby vive o luto de uma mãe que perdeu o bebê. O que vem depois é uma solidão tão brutal que nem o amor do parceiro consegue preencher. Porque há dores que só uma mulher sente e o mundo não tem paciência para ouvir. A personagem é julgada por voltar a trabalhar, por não chorar, por não performar o luto como se espera. E a solidão dela é dupla: por sentir muito, porém sem poder, de fato, mostrar.

Do outro lado, temos as que não são mães por escolha ou circunstância. E aí o julgamento vem disfarçado de pena ou crítica: “você não quis filhos?”, “não deu tempo?”, “vai se arrepender”. A mulher sem filhos vira quase uma entidade incompreendida. Em A Filha Perdida (2021), Olivia Colman interpreta uma mulher que foi mãe, mas que não conseguiu sustentar o papel. Ela amou, mas não deu conta. E isso a afastou do mundo e de si mesma.

O que essas histórias mostram é que a maternidade, por si só, não resolve nada e nem sempre salva. E a não maternidade também não deveria ser vista como um vazio. Cada mulher vive essa escolha, ou a ausência dela, de um jeito. O problema é quando a sociedade impõe que só há um caminho certo, e quem não o segue merece o silêncio, o apagamento.

A cultura pop ainda engatinha nesse tema, mas aos poucos vai abrindo espaço para mais nuances, porque solidão, maternidade e identidade estão mais entrelaçados do que nós gostaríamos de admitir. E cada história contada com verdade ajuda a desfazer o mito da mulher que dá conta de tudo.

O amor depois dos 40 não é um conto de fadas: é escolha, reconstrução e, às vezes, silêncio

Aos 40, parece que todo mundo espera que a mulher já tenha se resolvido. Ou está casada e estabilizada, ou virou aquela solteira independente que não precisa de mais ninguém. Mas ninguém fala sobre o que acontece com as mulheres que estão no meio disso tudo: as que se separaram depois de anos, as que nunca encontraram alguém que fizesse sentido, as que até gostam da própria companhia mas que, às vezes, só queriam alguém ali, dividindo o café da manhã.

O amor depois dos 40 raramente é tratado com honestidade. Quando ele é representado na cultura pop, costuma ser romantizado ou ridicularizado. A mulher apaixonada depois dos 40 é vista como “esperançosa demais” ou “ingênua”, porém o homem é considerado alguém que ainda “tem tempo”. A verdade é que essa fase pode ser uma das mais intensas, porque é marcada com cicatrizes, bagagens, sabedorias e uma urgência diferente. Não é mais sobre o encantamento. É sobre conexão real.

No filme Alguém Tem Que Ceder (2003), Diane Keaton vive uma mulher de meia-idade que se apaixona por Jack Nicholson. O romance é bonito, mas o que mais dói é a cena em que ela, sozinha, chora enquanto escreve: um choro silencioso, honesto, sem maquiagem. Porque, mesmo se apaixonando, ela sabe que o mundo não vai facilitar. Já Grace and Frankie (2015–2022) traz uma revolução: duas mulheres de 70 anos redescobrem não só o amor, mas o desejo, o prazer, a liberdade de ser ridícula, teimosa e contraditória. Ser viva.

O problema é que esses exemplos ainda são poucos. Quantas produções mostram mulheres de 45, 50 ou 60 anos como protagonistas de romances? E não como as mães dos protagonistas? Quantas mostram essas mulheres apaixonadas, sem que isso seja tratado como uma “última chance” ou “coisa de louca”? A solidão nessa fase, muitas vezes, é menos sobre estar só e mais sobre não se ver representada em lugar nenhum.

E não, o amor não resolve tudo. Mas ele também não precisa ser descartado como fantasia juvenil. Ele pode ser leve, pode ser confuso, pode ser raro e, ainda assim, possível. A cultura pop precisa parar de tratar as mulheres maduras como se tivessem perdido o direito de se emocionar. A vida não acaba aos 30. Nem aos 40. E, quem sabe, um dia a gente veja mais histórias que entendam isso de verdade.

A mulher de 50 anos é ignorada pela cultura pop — até que ela se revolta

Chega uma idade em que a mulher desaparece das narrativas. Literalmente. Dos 50 para cima, a maioria dos roteiros não sabe mais o que fazer com elas. Elas não são mais jovens o suficiente para serem interessantes, nem velhas o bastante para ganharem a carta da vovó fofa. Ficam no limbo. Apagadas. Ou ocupam papéis secundários: a mãe que liga demais, a chefe amarga, a vizinha esquisita. Raramente são vistas como pessoas inteiras.

Esse apagamento também é solidão. Uma solidão estrutural. E, talvez, a mais cruel, porque não é só falta de companhia, é falta de reconhecimento. É como se, ao envelhecer, a mulher perdesse o seu valor narrativo. Como se não tivesse mais histórias para contar. E isso não é só injusto, é violento.

Produções como The Morning Show (2019–), com Jennifer Aniston e Reese Witherspoon, começam a rasgar esse véu. Mostram mulheres de 40 e 50 anos em conflito com o mundo, com os outros e com elas mesmas. Mulheres que erram, que sentem desejo, que têm medo e que são julgadas, mas que estão ali. E isso já é revolução. Porque, só de existirem, elas incomodam,  e é justamente por isso que precisam ser vistas.

Outro exemplo poderoso é Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo (2022). Michelle Yeoh interpreta uma mulher comum, dona de lavanderia, sobrecarregada e esquecida que, de repente, precisa salvar o multiverso. O que começa como ficção absurda vira uma metáfora profunda sobre solidão, frustração e escolhas. Evelyn, sua personagem, é todas as mulheres invisíveis que o mundo subestima. E, no fim, ela salva tudo: inclusive a si mesma.

Essas personagens não são apenas fortes. São complexas. São frágeis, também. E é disso que a gente precisa. De mais roteiros que não escondam a mulher madura, que não tratem a sua dor como irrelevante ou a sua sexualidade como piada. De narrativas que entendam que, aos 50, a vida pode estar começando de novo e tudo bem se ela estiver cansada. Tudo bem se ela quiser companhia. Tudo bem se ela quiser sumir por um tempo. Ela ainda merece ser a personagem principal.

A solidão que atravessa todas: amizade não substitui tudo, mas pode salvar

Existe um clichê muito bonito (e perigoso) de que “a amizade feminina é o amor verdadeiro”. Em partes, é verdade. A gente vê isso em Sex and the City, Friends, The Bold Type e tantos outros. A amizade entre mulheres é um dos afetos mais potentes que existem, mas também precisa ser tratada com verdade: ela não substitui tudo. E não deve ser usada como muleta narrativa para esconder a solidão, a carência ou o abandono.

Nem toda mulher tem amigas por perto. Nem toda mulher consegue manter vínculos profundos na vida adulta. Com a rotina, o trabalho, os filhos, a distância geográfica e emocional, manter amizades vivas é quase uma tarefa política. E a solidão de não ter com quem dividir a vida, o amor e as conquistas, se intensifica quando não há amigas ao redor. Não por egoísmo, mas pela necessidade de ser vista, ouvida e lembrada.

A série Insecure (2016–2021), por exemplo, é brilhante ao mostrar como a amizade entre Issa e Molly é tudo… até que não é mais. Porque as amizades também se esgotam, mudam, decepcionam e isso machuca. O que a série faz, com maestria, é mostrar o quanto essas relações importam, mas também como elas são falhas. Não existe laço perfeito. E, mesmo entre amigas, a gente pode se sentir sozinha.

A cultura pop precisa ser honesta com isso. Mostrar que, sim, as amizades femininas salvam. Mas não curam tudo. Que às vezes você pode ter um grupo de amigas e ainda assim sentir que ninguém realmente te conhece. Que às vezes você vai ser a amiga forte demais, a engraçada demais, a que sempre ouve, mas ninguém pergunta como você está. Isso também é solidão.

Mas quando a amizade é real, ela se acolhe até o silêncio. Como Grace and Frankie, que começaram como rivais e viraram refúgio uma da outra. Ou como em Patti Cake$ (2017), onde uma amizade improvável entre mulheres que ninguém leva a sério se torna o combustível para seguir. Essas histórias não precisam ser perfeitas. Só precisam ser possíveis.

Como a música traduz a solidão feminina com mais coragem que o cinema

Se o cinema ainda hesita em mostrar mulheres solitárias, a música não tem esse receio. Ela vai direto. Ela diz o que dói, o que é feio, o que não tem final feliz. Enquanto roteiros ainda tentam dar uma explicação para a solidão — como se ela fosse um erro que precisa ser resolvido — a música aceita a solidão como ela é: uma presença. Uma ferida aberta. Um eco. E talvez seja por isso que a gente se sinta tão abraçada por certas letras, mesmo quando elas nos destroçam.

Começa ali com Liability da Lorde, onde ela canta: “they say, you’re a little much for me”. É a mulher que se sente demais para todo mundo e, por isso, acaba sozinha. Ou com All Too Well da Taylor Swift (principalmente na versão de 10 minutos), onde o fim de um relacionamento se transforma em memória, em ressentimento, em perda de identidade. Taylor escreve como se rasgasse cartas que ninguém vai ler,  mas todo mundo entende. Porque a solidão também é isso: lembrar de tudo o que ninguém mais parece lembrar.

Tem Cellophane, da FKA Twigs, que parece uma música feita dentro de um quarto escuro, onde a voz dela quase desaparece de tanta vulnerabilidade: “They’re watching us / And they don’t see me.” Quantas vezes a mulher solitária se sente exatamente assim? Observada, julgada, mas nunca realmente vista. A solidão de estar no centro e, ainda assim, ser invisível. Motion Sickness da Phoebe Bridgers também entra nesse lugar: “I hate you for what you did, and I miss you like a little kid”. Porque dá para odiar e sentir falta.

Porque a solidão é confusa

A Billie Eilish, com When the Party’s Over, traduz a solidão de quem se retira antes mesmo de ser mandada embora. É o recuo de quem ama demais e, por isso, se protege. Já The Archer, da Taylor Swift de novo (sim, ela volta sempre), fala da auto-sabotagem: “Who could ever leave me, darling? But who could stay?” Uma mulher que tem medo de ficar sozinha, mas também tem medo de ser amada. E isso o cinema raramente tem coragem de encarar. Porque não tem solução fácil. Só tem dor.

E tem a Florence + The Machine, com Hunger: “At seventeen, I started to starve myself / I thought that love was a kind of emptiness.” A mulher que aprendeu a confundir amor com falta. A que cresceu achando que precisava se diminuir para ser aceita. Ou Shake It Out, da mesma artista, que parece uma oração gritada para tentar tirar o peso do passado. Florence canta como se estivesse correndo de si mesma — e isso é tão real que machuca.

Se a solidão tem fases, a música tem trilha para todas elas. Stone Cold da Demi Lovato é o retrato da mulher que vê alguém seguir em frente sem ela e, ainda assim, deseja que a outra pessoa seja feliz. Mesmo doendo. Mesmo congelando por dentro. Já Lost Cause da Billie Eilish é a tentativa de bancar a superioridade, de dizer “não preciso de você”, mas no fundo a gente sabe: ela ainda sente. Porque tem solidão que a gente esconde com pose de deboche.

A Mitski também não pode faltar aqui. Em Nobody, ela repete a palavra ninguém até virar mantra, até parecer dança, até parecer desespero. E é. Ela canta a solidão como quem mora nela. Em I Bet on Losing Dogs, ela se entrega aos amores fadados ao fracasso, como tantas mulheres que se envolvem com quem não deveria, só pra não sentir o vazio do domingo à noite.

Na música brasileira também tem muito dessa coragem. Me Adora, da Pitty, é quase um grito de liberdade com ferida aberta: “Eu posso estar sozinha, mas eu sei bem onde estou”. Ou Por Supuesto, da Marina Sena, que mistura sensualidade com solidão, como se o amor fosse só um jogo em que a gente nunca sabe se venceu ou perdeu. Amor Meu Grande Amor, da Angela Ro Ro, é daquelas que escorrem com vinho e choro, mas que mostra a solidão como desintegração: “se não for por amor, eu me perco d  n  e mim”. A música fala da solidão sem precisar dar um final feliz. Não tem moral da história. Tem só uma mulher tentando existir. Tentando entender por que se sente assim. E isso basta. Não é preciso final, nem resolução, nem trilha sonora suave. Às vezes, só o caos basta. E é por isso que essas músicas tocam mais fundo do que qualquer final de comédia romântica. Porque elas não tentam nos convencer de que vai passar. Só sentam do lado e dizem: “eu sei como é”.

E talvez seja por isso que a gente volta para essas músicas quando ninguém responde a mensagem. Quando o domingo parece interminável. Quando o silêncio do quarto pesa mais do que o cansaço da semana. A música não cura a solidão. Mas ela reconhece, nomeia, grita junto e, nesse grito compartilhado — mesmo que só por três minutos —, a gente não está mais tão sozinha assim.

A gente não nasceu para ser forte o tempo todo

Tem dias em que a gente deita na cama e a solidão bate sem nem pedir licença. Não é falta de amor, necessariamente. Nem de amigos. Às vezes é só uma ausência que não tem nome. Um silêncio que ninguém preenche. Uma vontade de ser lembrada sem ter que gritar por atenção. E é nesses momentos que a gente percebe o quanto o mundo espera que a mulher adulta seja inquebrável. Que ela lide com tudo, que resolva tudo, que sorria por cima do vazio.

Mas a verdade é que nem sempre dá. Tem dias que ser forte cansa. E a gente só queria poder dizer: “tô me sentindo sozinha hoje” sem que isso soasse como fracasso. Porque sentir solidão não é derrota. É humano. É legítimo. É parte de existir em um mundo que exige demais e entrega pouco afeto em troca.

A cultura pop — aos poucos e com tropeços — está começando a entender isso. Está começando a mostrar a mulher que não tem a vida perfeita aos 25, nem o casamento dos sonhos aos 35, muito menos a paz interior aos 50. Está começando a contar histórias reais, sobre as que choram no banheiro do trabalho, que voltam para casa e jantam sozinhas, que dormem com a TV ligada só pra não ouvir o próprio silêncio.

E essas histórias importam. Porque toda mulher adulta já se sentiu sozinha em algum momento. Não importa se é a CEO ou a estagiária, a mãe de três ou a que nunca quis filhos, a que ama demais ou a que finge que não sente: todas carregam, em alguma medida, esse vazio escondido. E o mínimo que merecem é ver isso sendo tratado com honestidade nas telas, nas músicas e na vida.

Então, se hoje for um desses dias: tudo bem. De verdade. Coloca aquela música que te entende melhor do que qualquer conselho. Reassiste aquela série que te faz companhia como se fosse uma velha amiga. E lembra que solidão nenhuma dura para sempre, mesmo que pareça. Às vezes, tudo o que a gente precisa é que alguém diga: “você não está sozinha por sentir isso”. E agora você sabe: não está mesmo!

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura @_itsbrinis

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