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Foto: divulgação/Maralto Edições

Luci Collin celebra 4 décadas de poesia com Incombinados: Poemas Escolhidos

Publicada pela Maralto Edições, a obra seleciona versos de dez livros e percorre a trajetória de uma das maiores poetas do país

40 anos após a publicação de seu primeiro livro, Luci Collin lança Incombinados: Poemas Escolhidos, antologia publicada pela Maralto Edições. A coletânea, organizada criteriosamente pela própria poeta, revisita uma trajetória marcada pela ousadia criativa e pela multiplicidade: além da poesia, Luci também se dedica ao conto, ao romance, ao ensaio e à tradução, compondo uma obra plural e inventiva.

Incombinados atravessa dez títulos, de Estarrecer (1984) às produções mais recentes, revelando tanto o amadurecimento da autora quanto a vitalidade de sua escrita. O livro é mais do que uma reunião de versos: é um mergulho afetivo no percurso de uma poeta que nunca deixou de experimentar, romper com as formas fixas e afirmar a potência da palavra.

Escolher poemas de cada um dos livros me colocou em confronto com essa ideia de ‘obra’ e como cada publicação vem marcada pela experiência de vida num determinado momento. Nos primeiros poemas, há a preocupação formal, os temas mais dramáticos, uma poesia e uma poeta que estavam se descobrindo. Os mais recentes são mais fluidos, correspondem a uma criação mais madura e profunda com o próprio ato da escrita. Depois de 40 anos de poesia, já está firmado o meu compromisso estético com a palavra”, reflete Luci.

A capa do livro também carrega essa inquietação criativa, tendo sido inspirada por uma arte de rua de Marciel Conrado, que homenageou Luci em um mural pintado na fachada de um prédio em Curitiba (PR) — cidade que abriga grande parte da trajetória da autora. A escolha da imagem urbana e espontânea dialoga diretamente com o espírito livre e provocador da poesia reunida na antologia.

Foto: reprodução/Instagram @luci.collin

Ao revisitar sua obra, a poeta se deparou com versos que se renovaram no decorrer do tempo, especialmente os da trilogia do Es (Estarrecer, Espelhar e Esvazio), marcados por visceralidade e experimentação. Entre eles, os poemas Declaração e Saidaentrada revelaram novas densidades de leitura, enquanto Molde e Meus Oito Anos reafirmam o interesse visual e estrutural que acompanha sua escrita desde a juventude, sempre em diálogo com a palavra concreta e o espaço da página.

Sempre achei importante conhecer diversas possibilidades de tratamento da linguagem poética, e essa relação de interesse remonta aos primeiros anos da minha formação, que foi muito eclética em termos de leituras de poesia. Tudo isso justamente para, no momento da composição, dispor de estratégias e recursos formais que reforcem o conteúdo do poema. No primeiro momento da minha carreira como poeta, é perceptível uma maior exploração da visualidade, uma influência da ideia de ‘palavra concreta’. Aprecio demais recursos de espacialidade e de visualidade. Eles aparecem por toda a obra”, conta Luci a respeito de seu estilo.

Mais do que uma simples reunião de poemas, Incombinados: Poemas Escolhidos narra, em versos, o amadurecimento de uma poeta que jamais se acomodou. A obra funciona como uma prestação de contas afetiva e estética com sua própria trajetória literária, ao mesmo tempo que abre uma porta potente para novos leitores conhecerem o universo lírico e provocador de Luci Collin. A coletânea integra o Programa de Formação Leitora Maralto, iniciativa voltada a escolas de todo o país.

Evento de lançamento

Incombinados: Poemas Escolhidos será lançado pela Maralto Edições e já está disponível na loja online da editora e em livrarias parceiras. O lançamento acontece em Curitiba, na Livraria Telaranha (R. Ébano Pereira, 269 – Centro), no dia 30 de agosto, a partir das 14h30, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer de perto a autora e seu universo poético.

Sobre a autora

A curitibana Luci Collin é escritora, tradutora e professora. Formou-se em Piano/Performance, Letras (Português/Inglês) e Percussão Clássica, além de ser doutora em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês (USP) e pós-doutora em Tradução de Literatura Irlandesa. Lecionou na UFPR entre 1999 e 2019. Estreou na literatura em 1984, com Estarrecer, e construiu uma carreira reconhecida na poesia e na prosa. Foi finalista do Prêmio Oceanos (Querer Falar, 2014), venceu o Prêmio Jabuti com A Palavra Algo (2016) e recebeu distinções, como o Prêmio Clarice Lispector e o Prêmio Literário Biblioteca Nacional (Dedos Impermitidos, 2021). Tradutora de autores como Virginia Woolf e Seamus Heaney, tem obras publicadas no Brasil e no exterior e integra a Academia Paranaense de Letras (Cadeira 32).

Foto: divulgação/Luci Collin

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Texto revisado por Gabriela Fachin @gabrieladfachin 

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