Obra reflete sobre a dupla natureza de eros ao longo da história
O livro Três Discursos sobre Eros: Meditação sobre o Fedro de Platão (2025), do filósofo português João Constâncio, acaba de chegar às livrarias brasileiras pela editora Tinta-da-China Brasil. A obra tem como mote um questionamento central: a paixão é loucura ou caminho para a verdade? Desse modo, o texto conecta pensamentos de autores como Safo e Proust para investigar a questão.
Aqui, Constâncio realiza uma investigação filosófica e literária acerca do caráter contraditório do amor. Uma discussão que cruza milênios e permanece atual, principalmente em tempos de relacionamentos líquidos e amor digital. O ponto de partida é o diálogo Fedro, de Platão, utilizado para refletir sobre como a paixão amorosa pode ser, ao mesmo tempo, uma forma de loucura e uma experiência divina em busca da verdade.
Da Antiguidade até os dias contemporâneos, o autor utiliza a poesia, a literatura e a filosofia para construir a sua investigação. Desse modo, ele costura uma tapeçaria que une as imagens poéticas de Platão aos versos de Safo e às Confissões de Santo Agostinho. Também apresenta a maneira como pensadores e escritores interpretaram eros ao longo dos séculos, como Hegel, Nietzsche, Heidegger, Marcel Proust no Em Busca do Tempo Perdido (1913-1927), Thomas Mann em A Morte em Veneza (1912) e Anne Carson em Eros, o doce-amargo (2022). Nesta obra híbrida, temas universais como ciúme, temporalidade do amor, ilusão e autocontrole são trazidos à luz numa união entre rigor filosófico e fluidez literária.
“O leitor tem em mãos um precioso tesouro, que pode frequentar com deleite, cuja leitura é capaz de produzir arrebatamento, isto é, aquela loucura ou mania extática, que é condição tanto da filosofia como da poesia, e que pode nos conduzir para o que verdadeiramente somos”, afirma Oswaldo Giacoia Junior, que assina a orelha do livro.
Três Discursos sobre Eros é o quinto livro da coleção Ensaio Aberto, que mescla literatura e filosofia. Com a coordenação de Tatiana Salem Levy e Pedro Duarte, a compilação é resultado de uma parceria originada no âmbito do Programa de Internacionalização da Capes (Capes‑PrInt) entre a Universidade NOVA de Lisboa e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Os livros são publicados pela Tinta-da-china, em Lisboa, e pela Tinta-da-China Brasil, em São Paulo, com apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT – Portugal).
Sobre o autor
João Constâncio é professor catedrático do Departamento de Filosofia da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCSH), onde se doutorou, em 2005, com uma dissertação sobre imagens e concepções da vida humana em Platão e onde exerce os cargos de diretor do Instituto de Filosofia da NOVA (IFILNOVA), bem como de coordenador do Doutoramento em Filosofia.
Escreveu Arte e Niilismo: Nietzsche e o Enigma do Mundo (2013) e, além disso, é co-organizador de cinco livros sobre Nietzsche. Escreve e leciona sobre questões da estética, da antropologia filosófica e da filosofia da história nas obras de Platão, Kant, Hegel, Schopenhauer e Heidegger.
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Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz @anadodll









