O estilista que faleceu na última quinta feira, deixa um legado de sofisticação, refinamento e elegância para o mundo da moda
O mundo da moda perdeu um de seus maiores ícones. Giorgio Armani, estilista italiano que redefiniu a elegância contemporânea, morreu aos 91 anos, na última quinta feira, 4 de setembro, deixando uma trajetória marcada pela sofisticação discreta, elegância, versatilidade, pelo respeito ao feminino e pela capacidade de traduzir conforto em luxo no mundo da moda.
A MARCA E O PODER SUTIL

Armani construiu, ao longo de cinco décadas, uma das marcas mais influentes do planeta. Nascido em 1937 na cidade de Piacenza, no interior da Itália, sua vida sempre foi bastante humilde, sua mãe fazia as roupas da família, e o designer afirmou em seu documentário que ele e os irmãos causavam inveja em todos, pois pareciam ricos mesmo sendo pobres.
Giorgio entrou na faculdade de medicina, serviu no exército, mas sempre teve uma ligação profunda com a arte e já quis ser até diretor de cinema, sua primeira paixão.
Fundada em 1975, ao lado do parceiro Sergio Galeotti, a Giorgio Armani surgiu como um frescor em um cenário dominado por cores vibrantes, tecidos pesados e silhuetas exuberantes. Armani trouxe uma proposta inovadora para a época, que contrariava tudo aquilo que estava no topo: tecidos leves, cortes livres e limpos, paleta neutra — em especial o greige, mistura de cinza e bege que virou sua assinatura, totalmente o oposto ao que predominava no mercado.
Com uma abordagem minimalista e refinada, ele ajustou e suavizou as linhas sempre rígidas da alfaiataria masculina e adaptou-as para o guarda-roupa feminino também, uma quebra de padrões, criando terninhos que se tornaram símbolos de poder e sutileza.
Ele mudou o vestir masculino e feminino, deixando um legado profundo para as próximas gerações na moda. A Casa Giorgio Armani ultrapassou fronteiras e se consolidou como um símbolo de estilo, elegância e beleza italiana moderna.
CINEMA E TAPETE VERMELHO

Seu impacto ultrapassou as passarelas. O cinema foi sua grande vitrine: Armani vestiu Richard Gere em O Gigolô Americano (1980) e Kevin Costner em Os Intocáveis (1987), além de colaborar com looks para mais de 250 produções cinematográficas.
Nas premiações de Hollywood, seus looks desfilaram nos corpos de grandes estrelas no tapete vermelho, como Julia Roberts, Michelle Pfeiffer, Jodie Foster, John Travolta, Cate Blanchett e muitos outros, levando a moda como extensão e linguagem própria para fora das linhas do ateliê e das passarelas, transformando as roupas em narrativa.
Era mais do que roupa: era representação, forma, trajetória, linguagem. Assim, se tornou um objeto de desejo e de elegância com simplicidade e conforto — característica que o diferenciou de outros grandes nomes, como Roberto Cavalli e Gianni Versace. O paletó com menos enchimento, caimento mais solto, mais natural e ao mesmo tempo elegante, sem deixar de lado o refinamento e a sutileza, foi uma de suas maiores criações.
ALÉM DA MODA

Visionário, o estilista também expandiu sua marca. Em 1981, criou a Emporio Armani, voltada ao público mais jovem e, no ano seguinte, tornou-se capa da revista Times, um feito raro para estilistas. Lançou linhas de acessórios, fragrâncias e roupas íntimas, com campanhas estreladas por grandes nomes, como David Beckham e Cristiano Ronaldo, que ajudaram a consolidar e ampliar a sua marca como referência global.
Foi o responsável também por confeccionar os uniformes olímpicos da seleção italiana e para times de futebol, além de criar uniformes para taxistas, aeromoças e para a polícia da Itália.
Ainda em 2011, foi aclamado como o designer italiano de maior sucesso no mundo! Em 2019, lançou sua primeira coleção de joias finas durante a semana de alta-costura em Paris. A coleção Josephine incluiu diamantes cinzas, glamour e Paisley, usados por celebridades de renome como Brie Larson e Brooke Shields.
Armani também foi o pioneiro ao associar luxo à hospitalidade: em 2010, inaugurou em Dubai o Armani Hotel, símbolo de seu conceito de lifestyle, com resorts e hotéis de alta classe espalhados ao redor do mundo.
A preocupação com sustentabilidade e ética também esteve em sua agenda. Em 2011, Armani tornou-se o primeiro designer de luxo a aceitar o desafio do Tapete Verde, de Livia Giuggioli Firth, promovendo a moda sustentável feita de plásticos e tecidos reciclados em coleções de gala.
Durante a pandemia de covid-19, criticou o calendário desconectado e acelerado das estações de moda, além de denunciar superproduções que estavam acontecendo na época. Sempre que podia, criticava o fast fashion — a produção em larga escala sem luxo algum — defendendo o retorno à essência: roupas bem feitas, atemporais, que respeitam quem as veste e quem as produz.
Disruptivo, Armani foi um dos primeiros grandes estilistas a transmitir seus desfiles online. Consciente, buscou combater a anorexia na moda ao banir de seus desfiles modelos que tinham um índice corporal menor do que 18. Também criticava a banalização de desfiles, que se transformaram em mero entretenimento, sem entregar o maior de todos os recursos de um desfile de moda: o vestuário e as peças ali mostradas “basta de moda como pura comunicação, basta de cruzeiros para apresentar ideias frágeis com espetáculos grandiosos” afirmou ele em entrevista.
Seu legado ultrapassa o desenho de roupas. Ele inovou e ajudou a redefinir a masculinidade ao abordar o vestuário masculino com minimalismo e deu um toque forte e andrógeno para a moda feminino ao propor ternos mais leves — os famosos terninhos femininos — de caimento natural, que ofereceram às mulheres peças de poder sutil e criativo que exalam feminilidade e autoridade. Com sua estética silenciosa e impecável, desafiou a lógica do mais é mais, provando que o verdadeiro luxo é a simplicidade.
LEGADO ETERNO

A casa Giorgio Armani permanece um império criativo, referência em elegância italiana moderna, mesclando leveza, luxo e durabilidade que ficarão para sempre em cada construção.
Giorgio trouxe para a moda um legado de discrição, refinamento, sofisticação e pertencimento duradouros. O estilista deixou um patrimônio estimado em bilhões, mas, sobretudo, nos deixou um ensinamento que ficará para sempre quando lembrarmos de sua marca: a moda pode ser, ao mesmo tempo, funcional, confortável, simples, elegante e extraordinária.
Seu nome continuará costurado na história da moda como símbolo de beleza, elegância e força na delicadeza.
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Texto revisado por Kaylanne Faustino










