Novo álbum da cantora espanhola mostra que o clássico nunca foi tão pop
LUX, quarto álbum de estúdio da cantora espanhola Rosalía, foi lançado na última sexta-feira (7) e apresenta uma reconfiguração da música pop ao uni-la ao erudito. Com elementos clássicos, mas sem perder sua personalidade, Rosalía transforma a arte em verdadeira religião.
O disco reúne 16 faixas escritas e produzidas pela própria artista. Em uma criação conjunta com sua irmã, Pilar Vila Tobella, LUX traz a religião como estética central da era – desde o cabelo descolorido em forma de auréola até a capa do projeto, que mostra Rosalía vestida de freira. Mais do que uma escolha visual, as letras estão repletas de referências bíblicas que, somadas ao instrumental clássico e poderoso, ganham ainda mais força.
Trabalhar com a religiosidade não é novidade no pop, basta lembrar de Madonna, mas Rosalía desenvolve essa temática desde El Mal Querer, álbum que lhe rendeu o Grammy Latino de Álbum do Ano. Em LUX, porém, todos os elementos orbitam em torno dessa ideia. O pop orquestral que permeia o trabalho conduz os ouvintes a uma viagem pelo tempo e pela evolução dos gêneros musicais.
A faixa de abertura, Sexo, Violencia y Llantas, inicia o álbum com um som cru em meio a um silêncio caótico. Nos versos, Rosalía revela seu propósito: “Como seria bom vir desta Terra, ir para o Céu e voltar à Terra”. Ao longo do disco, as referências continuam: faixas como Porcelana, Mundo Nuevo e Divinize evidenciam a profundidade e o refinamento do projeto.

Com LUX, Rosalía comprova que fazer música pop – e reinventá-la – não é tarefa difícil para quem domina a arte. O álbum marca uma mudança radical na trajetória da artista: esqueça os dois projetos anteriores. Embora longo, LUX não exige ser um erudito para compreendê-lo; seu mistério é parte essencial da composição da existência humana.
Em 50 minutos imersivos, Rosalía aborda temas como Deus, amor, carreira e feminilidade em 13 idiomas: árabe, inglês, francês, alemão, hebraico, japonês, latim, mandarim, português, siciliano e ucraniano, além do castelhano e catalão. Mesmo com o instrumental sinfônico sempre em destaque, o foco permanece na voz da cantora, que, com tom lírico impecável, assume o papel de protagonista absoluta.
Ainda que prove que não há fórmula para um bom disco, LUX preserva alguns clichês amados. Como toda diva pop, Rosalía reserva espaço para suas desilusões amorosas. Em La Perla, o que começa em tom leve mergulha em uma atmosfera sombria ao retratar Rauw Alejandro, ex-noivo da artista, como “a decepção local, destruidor de corações nacional” e “um terrorista emocional, o maior desastre global”. Um rancor tão bem colocado que a coloca ao lado de Fiona Apple na arte de transformar a dor em potência.
Assim como nas composições clássicas, LUX se divide em quatro movimentos. Em alguns deles, há ecos da essência dos trabalhos anteriores da cantora, como em De Madrugá, cujas batidas frenéticas iniciais contrastam com a estética vanguardista predominante, criando uma síntese entre passado e reinvenção.
Mesmo ao rejeitar a fama como forma de sacrifício em Reliquia, é inegável que o lugar de Rosalía é o estrelato. Inspirada em nomes como Kate Bush e Björk – não é em vão a participação da cantora islandesa no lead single Berghain –, a artista surge como um sopro para a nova geração. Com sua arte rebelde, deixa que a música fale por si e aproveita cada segundo desse poder.
Para quem conheceu Rosalía em MOTOMAMI, o novo álbum é um lembrete: não se acostume com o óbvio. LUX é ousado, denso e ambicioso. Não entrega a agitação típica do pop mainstream, mas oferece algo melhor: uma redenção das fórmulas prontas e um alento para quem busca sempre por mais.
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Texto revisado por Gabriela Fachin










