Premiação aconteceu em Madri, na Espanha
Prêmios Platino é uma premiação que visa homenagear o audiovisual ibero-americano. Sua 12ª Edição aconteceu no último domingo (27), em Madri, na Espanha. Além de Ainda Estou Aqui (2024), as produções brasileiras Arca de Noé (2024), Cidade de Deus: a luta não para (2024) e Senna (2024) também estavam entre os finalistas.

Ainda Estou Aqui venceu em todas as categorias que concorria, sendo elas de Melhor Filme, Melhor Direção, com Walter Salles, e Melhor Atriz, com Fernanda Torres. Enquanto isso, Senna venceu na categoria de Melhor Criador de Série ou Minissérie, com Vicente Amorim, Fernando Coimbra, Luiz Bolognesi e Patrícia Andrade.
Walter Salles e Fernanda Torres não puderam comparecer à premiação, sendo representados pelo produtor Rodrigo Teixeira e pela atriz Valentina Herszage, respectivamente. Além de receberem os prêmios, eles também leram os discursos escritos por eles.

“É uma honra receber este prêmio em uma categoria onde tenho tanta admiração pelos diretores indicados. Obrigado ao Prêmios Platino por nos lembrar que o cinema latino-americano é nossa casa. Gostaria de dedicar este prêmio ao mestre que nos deixou há pouco: Carlos Diegues, diretor de filmes fundamentais, como Bye Bye Brasil, fundador do Cinema Novo e um dos cineastas que pensou o cinema de forma mais democrática, inclusive.
Carlos era um admirador do cinema latino-americano e foi fundamental para que filmes, como o nosso, pudessem estar aqui hoje. Em um momento de fragilização da democracia no mundo, em um tempo que se tenta borrar a nossa memória, pensadores como Carlos Diegues nos lembraram o quanto o cinema é fundamental para combater o esquecimento. Obrigado“
Disse Rodrigo no texto escrito por Salles.

Por fim, Valentina leu também as palavras da Fernanda:
“Eu gostaria muito de poder estar presente esta noite, mas, infelizmente, isso não foi possível devido a compromisso de trabalho. Quero dizer que é uma honra imensa receber esse prêmio. Sou fruto da cultura ibero-americana, a Península Ibérica é minha segunda casa e esse reconhecimento reforça em mim o orgulho de fazer parte de uma força cultural que, no cinema, pariu artistas como Luis Buñuel, Pedro Almodóvar, Alejandro Iñarritu, Alfonso Cuarón, Ricardo Darín, Norma Alejandro, Penépole Cruz, Javier Barden, Marisa Paredes, de Glauber Rocha a Fernanda Montenegro.
Esse é um filme sobre uma família, feito por uma família de artistas e fico feliz de receber pelas mãos de Valentina Herszage, minha filha na ficção, que representa não só a mim aqui nesta noite, mas também ao Selton, à Luiza, Bárbara, ao Guilherme e à Cora. Sem eles, a minha Eunice jamais existiria.
Agradeço profundamente ao Walter Salles, meu irmão, amigo e parceiro de tantas décadas, a honra de ter habitado a pele dessa mulher. Walter é o coração desse filme raro, tão humano e delicado, sobre a brutalidade da ditadura militar do Brasil, uma das tantas que se espalharam pelas Américas, no período da Guerra Fria.
Através de Eunice Paiva, revisitei o horror da ditadura que conheci quando criança. Essa grande brasileira, advogada, democrata e defensora dos direitos humanos nos ensina, no momento presente, a resistir com alegria e civilidade, sem nos dobrarmos ao autoritarismo. Em nome da Família Paiva, de Marcelo Paiva, e de todos aqueles que defenderam a arte e a democracia, eu repito: ditadura nunca mais! Muito obrigada. Fernanda Torres.“
Ainda Estou Aqui é uma adaptação do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva. A trama é ambientada em 1970, na qual mostra a vida de uma mulher casada com um importante político, que muda drasticamente após o desaparecimento dele, capturado pelo regime militar.
O filme se destacou nas principais premiações internacionais, inclusive trazendo uma estatueta inédita do Oscar para o Brasil, na categoria de Melhor Filme Internacional. A produção está disponível para assistir no serviço de streaming do Globoplay.
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Texto revisado por Cristiane Amarante









