Química entre Emily Blader e Tom Blyth brilha nas telas, porém peca na dificuldade de aprofundar os personagens principais
A primeira adaptação dos livros de Emily Henry finalmente chegou às telinhas em 2026 e trouxe para o público um gostinho do que o ano tem a oferecer para as comédias românticas.
De Férias com Você é baseado no livro da autora norte-americana que leva o mesmo nome e foi lançado em 2022. Dirigido por Brett Haley (Por Lugares Incríveis, 2020), o longa conta a história da amizade entre Poppy e Alex, duas pessoas completamente opostas que todo verão se encontram para uma viagem a dois em algum lugar do mundo.
O filme, que estreou em 9 de janeiro, chegou ao top 10 dos mais assistidos na Netflix, ocupando a primeira posição. E isso não surpreende, pois é um filme leve, com muita comédia e uma química incrível entre Emily Blader (Poppy) e Tom Blyth (Alex). Digno de uma adaptação da Netflix, a produção conta com cenários incríveis, cheios de cor, vivacidade e uma produção bem elaborada e divertida.
Brasil presente!
E não é que até o Brasil fez uma palhinha no filme? Na cena da viagem para o Canadá, quando Alex e Poppy resolvem acampar junto com vários outros jovens, em um certo momento Alex resolve entrar no mar durante a noite com um grupo de pessoas. É nessa cena que podemos ouvir a bossa nova de Evinha, com a canção Esperar para Ver (1971).
A trilha sonora é composta por grandes nomes, como Taylor Swift com August (2020), Robyn com Hang with Me (2010), Paula Abdul com Forever Your Girl (2009), entre outros.

Filme ou série?
Apesar de ser um filme divertido e envolvente, ele peca pela dificuldade de conectar o excesso de informações para contar uma história concisa. Mesmo tendo quase duas horas de duração, o diretor encontra dificuldades de transmitir alguns momentos que, no livro, se passam na cabeça de Poppy para a telona.
Ele manteve o formato da obra original, alterando momentos do passado com os do presente, trazendo aspectos importantes das viagens dos dois que explicam o momento que estão vivendo agora, porém isso acaba comprometendo a capacidade de captar a profundidade dos dois personagens, tanto juntos quanto separados. E isso leva ao questionamento: será que uma série não seria a melhor opção para captar esses detalhes e diferentes cenários de uma forma mais completa?
Um dos exemplos disso é a forma na qual a infância de Poppy é abordada no filme. Vimos no início um momento frágil de quando era mais nova, mas não foi o suficiente para entender como isso refletiu na sua personalidade e suas ações durante sua adolescência e vida adulta. Isso só é explicado no momento final do filme, quando Poppy se declara para Alex. E mesmo assim, o impacto não é tão forte, pois não é tão claro no filme como isso influenciou a vida da personagem.
O mesmo acontece com o relacionamento da dupla durante todos os anos de amizade. No livro, narrado por Poppy, é explicado que, apesar da amizade, sempre houve um “e se” no relacionamento dos dois e o leitor entende através de um monólogo interno o motivo deles não terem saído da amizade por tanto tempo.
É seguro dizer que o filme usa o livro como um guia e chega ser fiel na sua essência, com cenas importantes vindo diretamente das páginas de Emily Henry, porém ele fica fragilizado no aprofundamento dos personagens e de situações consideradas chaves para o entendimento do relacionamento entre os dois.
Isso, contudo, não afeta a qualidade do produto, uma vez que é entregue uma comédia romântica – um pouco mais focada na comédia em alguns momentos – boa, mas que funcionaria melhor, entre todos os livros da autora, como uma série em vez de um filme.
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Texto revisado por Cristiane Amarante @cris_tiane_rj









