Química entre Emily Blader e Tom Blyth brilha nas telas, porém peca na dificuldade de aprofundar os personagens principais
A primeira adaptação dos livros de Emily Henry finalmente chegou às telinhas em 2026 e trouxe para o público um gostinho do que o ano tem a oferecer para as comédias românticas.
De Férias com Você é baseado no livro da autora norte-americana que leva o mesmo nome e foi lançado em 2022. Dirigido por Brett Haley (Por Lugares Incríveis, 2020), o longa conta a história da amizade entre Poppy e Alex, duas pessoas completamente opostas que todo verão se encontram para uma viagem a dois em algum lugar do mundo.
O filme, que estreou em 9 de janeiro, chegou ao top 10 dos mais assistidos na Netflix, ocupando a primeira posição. E isso não surpreende, pois é um filme leve, com muita comédia e uma química incrível entre Emily Blader (Poppy) e Tom Blyth (Alex). Digno de uma adaptação da Netflix, a produção conta com cenários incríveis, cheios de cor, vivacidade e uma produção bem elaborada e divertida.
Brasil presente!
E não é que até o Brasil fez uma palhinha no filme? Na cena da viagem para o Canadá, quando Alex e Poppy resolvem acampar junto com vários outros jovens, em um certo momento Alex resolve entrar no mar durante a noite com um grupo de pessoas. É nessa cena que podemos ouvir a bossa nova de Evinha, com a canção Esperar para Ver (1971).
A trilha sonora é composta por grandes nomes, como Taylor Swift com August (2020), Robyn com Hang with Me (2010), Paula Abdul com Forever Your Girl (2009), entre outros.
Crédito: Divulgação/Netflix
Filme ou série?
Apesar de ser um filme divertido e envolvente, ele peca pela dificuldade de conectar o excesso de informações para contar uma história concisa. Mesmo tendo quase duas horas de duração, o diretor encontra dificuldades de transmitir alguns momentos que, no livro, se passam na cabeça de Poppy para a telona.
Ele manteve o formato da obra original, alterando momentos do passado com os do presente, trazendo aspectos importantes das viagens dos dois que explicam o momento que estão vivendo agora, porém isso acaba comprometendo a capacidade de captar a profundidade dos dois personagens, tanto juntos quanto separados. E isso leva ao questionamento: será que uma série não seria a melhor opção para captar esses detalhes e diferentes cenários de uma forma mais completa?
Um dos exemplos disso é a forma na qual a infância de Poppy é abordada no filme. Vimos no início um momento frágil de quando era mais nova, mas não foi o suficiente para entender como isso refletiu na sua personalidade e suas ações durante sua adolescência e vida adulta. Isso só é explicado no momento final do filme, quando Poppy se declara para Alex. E mesmo assim, o impacto não é tão forte, pois não é tão claro no filme como isso influenciou a vida da personagem.
O mesmo acontece com o relacionamento da dupla durante todos os anos de amizade. No livro, narrado por Poppy, é explicado que, apesar da amizade, sempre houve um “e se” no relacionamento dos dois e o leitor entende através de um monólogo interno o motivo deles não terem saído da amizade por tanto tempo.
É seguro dizer que o filme usa o livro como um guia e chega ser fiel na sua essência, com cenas importantes vindo diretamente das páginas de Emily Henry, porém ele fica fragilizado no aprofundamento dos personagens e de situações consideradas chaves para o entendimento do relacionamento entre os dois.
Isso, contudo, não afeta a qualidade do produto, uma vez que é entregue uma comédia romântica – um pouco mais focada na comédia em alguns momentos – boa, mas que funcionaria melhor, entre todos os livros da autora, como uma série em vez de um filme.
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Na contramão dos vilões humanizados, o Rei das Maldições encarna uma força ancestral que não busca redenção e não oferece conforto ao público
[Contém spoiler]
Nos últimos anos, a ficção japonesa tem investido em antagonistas construídos a partir de feridas emocionais, traumas de origem e conflitos internos que aproximam o público de suas motivações. Figuras como Makima (Chainsaw Man, 2019), Shigaraki (My Hero Academia, 2016) e Muzan (Demon Slayer, 2020) carregam camadas que inspiram empatia ou, ao menos, compreensão.
Foto: divulgação/Entretetizei
Ryomen Sukuna, porém, surge como uma ruptura deliberada dessa tendência. Em Jujutsu Kaisen (2018), ele se impõe por representar um mal despido de justificativas, livre de qualquer estrutura psicológica capaz de suavizá-lo.
Foto: reprodução/Instagram @oshiyeteoo
A maldade como escolha e não consequência
A recusa de Gege Akutami em atribuir traumas, histórias de sofrimento ou ideais distorcidos a Sukuna é justamente o que o torna tão desconcertante. Não há passado trágico, desejo de vingança ou tentativa de corrigir o mundo. Sua crueldade nasce de uma vontade própria, intacta e autossuficiente, que não pede explicações ao leitor e não se apoia em nenhum contexto redentor.
Foto: reprodução/Crunchyroll
Essa autonomia moral faz com que sua violência exista quase como uma extensão natural de seu ser. Sukuna não age para responder a algo: ele age porque encontra prazer na dominação, interesse no caos e estímulo na sensação de poder. Nada disso é mascarado por dilemas internos. A monstruosidade é, em si, sua identidade.
Um antagonista que recusa o jogo do herói
Essa contundência também se manifesta com força no modo como Sukuna se relaciona com Itadori. Em muitas narrativas contemporâneas, há espaço para diálogos, negociações ou momentos em que herói e vilão compartilham, ainda que brevemente, algum tipo de compreensão mútua. Com Sukuna, no entanto, esse espaço simplesmente não existe. Ele observa Itadori com indiferença e como alguém que enxerga no outro não um interlocutor, mas um recipiente útil quando serve, descartável quando não.
Foto: reprodução/Editora Panini
O Arco de Shibuya evidencia essa dinâmica com brutal clareza. Quando Sukuna assume o controle do corpo de Itadori, ele não apenas desencadeia um massacre que devasta parte da cidade e mata dezenas de civis; ele faz isso de maneira calculada para intensificar o sofrimento do protagonista.
Foto: reprodução/Manga Guardian
Ao consumir hambúrguer e refrigerante antes de liberar sua destruição, Sukuna garante que, no instante em que Itadori recuperar a consciência, seu corpo reaja fisicamente ao horror cometido. O vômito que se segue não é apenas biológico, é simbólico: Sukuna força Itadori a sentir, de forma visceral, o peso dos atos que ele não pôde impedir.
Foto: reprodução/Crunchyroll
Esse momento se torna ainda mais devastador porque se encaixa em um período no qual Itadori já está emocionalmente desestabilizado pelas mortes de Nanami e, supostamente, de Nobara.
Nesse sentido, as ações realizadas em Shibuya não marcam apenas a crueldade de Sukuna, mas a intenção meticulosa de quebrar o protagonista em suas últimas defesas emocionais. Não há troca, não há abertura, não há fissura que permita a Itadori qualquer tentativa de aproximação moral. O distanciamento é absoluto e é nele que reside grande parte do terror que Sukuna inspira, sempre disposto a transformar a dor do herói em palco para sua própria afirmação de poder.
Sukuna e Mahito: dois tipos de maldade e duas filosofias de existir
O contraste entre Sukuna e Mahito reforça ainda mais a singularidade do Rei das Maldições. Mahito, embora cruel, é um vilão que cresce a partir do caos contemporâneo: ele aprende, experimenta, erra e se adapta. Sua maldade não é estática, mas quase infantil, moldada por curiosidade e descoberta. Ele testa limites porque quer compreender o que significa ser.
Foto: reprodução/Crunchyroll
Já Sukuna opera em uma lógica completamente distinta. Enquanto Mahito busca entendimento, Sukuna encarna a certeza absoluta. Ele não precisa conhecer os humanos, ele simplesmente os domina. Sua crueldade não nasce de impulsos exploratórios, mas de uma convicção consolidada, arcaica, que não admite hesitação.
Foto: reprodução/Crunchyroll
Essa diferença se torna evidente nas interações entre eles. Mahito flutua entre o deboche e o pragmatismo, mas ainda reage ao mundo ao seu redor. Sukuna, por sua vez, não reage: ele impõe. A presença de Mahito revela o quanto Sukuna ocupa um patamar que transcende as maldições da era moderna. Onde Mahito busca sentido, Sukuna dispensa completamente a necessidade de significados. Ele é a expressão pura do poder e isso, paradoxalmente, o torna ainda mais aterrorizante do que os inimigos que se alimentam de traumas humanos.
Fukuma Mizushi: a expansão de domínio que confirma Sukuna como presença mitológica em Jujutsu Kaisen
A expansão de domínio de Sukuna, o Santuário Malevolente, amplia sua natureza ancestral e inatingível ao apresentá-lo não como um antagonista poderoso, mas como uma presença que opera fora das regras habituais da narrativa.
Diferentemente de outros personagens, que tratam suas expansões como técnicas complexas e exaustivas, Sukuna ativa a sua com a naturalidade de quem simplesmente manifesta aquilo que sempre esteve ali, como se o próprio espaço precisasse apenas ser lembrado de quem o controla.
Enquanto domínios comuns funcionam como extensões temporárias de poder, o Santuário Malevolente se impõe como um território absoluto. Ele não fecha o espaço: ele o reconfigura. A sensação não é de batalha, mas de demonstração, como se Sukuna estivesse reafirmando uma autoridade antiga e incontestável que precede a própria existência dos xamãs.
Foto: reprodução/Editora Panini
A precisão com que ele ataca, a tranquilidade com que observa a destruição e a ausência completa de esforço evocam algo quase mítico. A expansão não parece uma técnica, mas um estado natural, um lembrete de que Sukuna não compartilha o mesmo patamar que os demais. Ele age com a frieza de uma entidade que já compreendeu todas as regras e, agora, apenas as dobra à própria vontade.
O Santuário Malevolente não transforma a luta: transfigura a percepção do espectador sobre o que Sukuna realmente é. Ali, ele deixa de ser apenas o vilão mais perigoso da história e se aproxima de uma divindade perversa, cuja existência dispensa propósito, moral ou explicação.
Gege Akutami e a construção de um mal inabalável
Akutami não apenas evita a humanização de Sukuna, ele a combate. A narrativa, o visual e as interações reforçam sua presença como algo ancestral, impermeável e quase mítico. O sorriso que jamais sugere empatia, a postura sempre relaxada diante do perigo, a ausência completa de laços afetivos – tudo contribui para afastá-lo do campo humano para aproximá-lo de uma força primitiva que não precisa ser compreendida, apenas temida.
Foto: reprodução/Crunchyroll
O design do personagem, marcado por elementos que evocam rituais antigos e brutalidade ritualística, intensifica essa sensação de que Sukuna não pertence ao mesmo universo emocional dos demais personagens. Ele está lá, mas não com eles.
Por que Sukuna funciona tão bem?
A sua presença rompe a lógica narrativa que o público já aprendeu a esperar. Não há promessa de mudança, possibilidade de reconciliação ou ponto de vulnerabilidade escondido. Sukuna não se oferece como um enigma a ser decifrado, ele é um fato bruto e uma força que existe sem procurar sentido. É justamente essa ausência de justificativas que torna sua figura tão perturbadora.
Foto: reprodução/Editora Panini
Ao contrário dos vilões contemporâneos que pedem compreensão, Sukuna exige apenas que o espectador reconheça sua existência como ameaça pura. Ele é o lembrete de que o mal pode ser inabalável, arbitrário e sem cura.
O poder do vilão sem freio
Sukuna resgata o arquétipo do antagonista que desestabiliza não só o herói, mas também a própria narrativa. Sua presença impede qualquer sensação de segurança e, por isso, cada aparição sugere que o pior está sempre ao alcance. É esse risco constante que o torna tão hipnotizante.
Ele não busca redenção, não pede afeto e não pretende ser entendido. Sukuna existe para ser temido. E, nessa perspectiva, Akutami o escreve com precisão para que isso nunca seja esquecido.
Foto: reprodução/Ei Nerd
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Charlie McDowell transforma o romance de Tove Jansson em um drama sensorial sobre perda, reconexão e o modo como a natureza guarda – e devolve – tudo aquilo que a dor tenta silenciar
[Contém spoiler]
Dirigido por Charlie McDowell e inspirado no clássico O Livro do Verão (2025), de Tove Jansson, o longa Memórias de Um Verão (2024) acompanha uma família tentando reorganizar a vida após uma perda devastadora. Estrelado por Glenn Close (101 Dálmatas, 1996) no papel da avó, Emily Matthews como a neta Sophia e Anders DanielsenLie (A Pior Pessoa do Mundo, 2021) como o pai, o filme aposta em uma narrativa intimista ambientada em uma pequena ilha no Golfo da Finlândia – um espaço isolado onde o silêncio, a paisagem e o tempo se tornam personagens tão presentes quanto os próprios protagonistas.
Da fotografia melancólica aos longos planos de silêncio, o filme constrói uma experiência contemplativa que pode exigir paciência, mas também recompensa quem se permite ser abraçado pela imensidão natural que rege cada gesto dessas personagens.
Quando a poesia funciona – e quando pode afastar o público
Embora Memórias de Um Verão entregue uma experiência visualmente bela e sensorial, é um filme que pode dividir o público. Sua abordagem é delicada, mas também deliberadamente lenta, tão concentrada na textura da paisagem que, para alguns espectadores, os personagens podem parecer menos definidos do que o cenário que os envolve.
Foto: reprodução/helsinkifilmi
Esse contraste ecoa críticas já dirigidas ao trabalho de McDowell, em que a química entre personagens às vezes oscila ou fica desbalanceada, como acontece na relação entre pai e filha, marcada por uma rigidez que nem sempre convence.
Ainda assim, a força emocional da obra se impõe em momentos específicos, sobretudo nos instantes em que a narrativa abraça a perspectiva da avó e de Sofia. É quando o filme encontra sua verdade mais profunda e atinge um poder comovente, capaz de fixar na memória de quem assiste certas cenas que reverberam muito depois da sessão terminar. Para quem se conecta com um ritmo contemplativo, o filme não apenas funciona: floresce.
Da página para a tela: o espírito do romance de Tove Jansson
A adaptação mantém o coração do romance The Summer Book, de Tove Jansson, um clássico finlandês sobre o verão de uma menina com a avó enquanto ambas aprendem a conviver com o luto. O filme respeita a natureza fragmentada do livro – capítulos curtos, episódios isolados e longos silêncios –, transformando essa estrutura em fluxo visual.
Foto: reprodução/Moomin
A sensibilidade de Jansson, conhecida por observar a natureza com a mesma atenção dedicada às emoções humanas, sobrevive na forma como McDowell filma o vento balançando as folhas nas árvores, o musgo que insiste em sair do lugar, o mar calmo e a luz tímida do amanhecer, como se fossem extensões dos sentimentos dos personagens. O resultado pode parecer minimalista demais para alguns espectadores, contudo, para quem aprecia narrativas que respiram, a adaptação encontra uma fidelidade mais espiritual do que literal.
A ilha como corpo emocional
A rotina da família arrumando musgos, recolocando ramos e replantando árvores, funciona como uma metáfora imediata do que ainda não sabem fazer consigo mesmos: reorganizar o que a morte desalinhou. A casa não está apenas dentro da cabana, mas na totalidade da ilha, que se torna um microcosmo emocional onde tudo está fora do lugar e precisa ser cuidado.
Foto: reprodução/helsinkifilmi
Logo no início, McDowell cria uma fotografia que oscila entre tons terrosos, verdes e azuis, acompanhando o luto silencioso do pai e a tentativa da avó de manter algum conforto no horizonte da neta. Essa paleta muda à medida que os personagens encaram suas próprias dores, ganhando cores mais quentes quando as feridas começam, enfim, a cicatrizar.
Entre silêncios: avó, pai e filha
A avó, interpretada com sensibilidade por Glenn Close, é a ponte entre o que Sofia sente e o que o pai tenta esconder. É ela quem escuta a natureza ao amanhecer, quem se senta com a neta sem dizer nada, quem abandona seu nome na visita aos vizinhos como se não coubesse ali. Seu vínculo com a ilha é tão profundo que ela parece buscá-la como destino final – como na cena em que se deita como um corpo prestes a ser velado, uma das mais discretas e dolorosas do filme.
Foto: reprodução/helsinkifilmi
Já Sofia observa tudo com uma sensibilidade ainda sem linguagem. Assustada pela morte da mãe e pela distância do pai, ela procura explicações naquilo que vê: a minhoca partida ao meio, que insiste em existir, é sua primeira tentativa de entender a sobrevivência, por exemplo. É dessa busca que nasce seu impulso de escrever, e o filme revela que as cenas assistidas se tornarão seu livro de memórias.
Foto: reprodução/helsinkifilmi
O pai, interpretado por Anders Danielsen Lie, é o mais silencioso e devastado. A imagem das brasas do cachimbo – quase apagadas, mas ainda insistindo em arder – acompanha seu arco como uma metáfora precisa do luto que ele não admite sentir. Em muitos planos, algo sempre se interpõe entre ele e Sofia: troncos, portas, sombras ou galhos. O filme o enquadra de modo a revelar a distância que ele não verbaliza, sugerindo que a reconciliação entre os dois precisa primeiro atravessar esse emaranhado de obstáculos invisíveis.
Foto: reprodução/helsinkifilmi
Juntos, avó, pai e filha formam um triângulo emocional em que cada um carrega um silêncio diferente. A avó tenta mediar a dor com acolhimento, Sofia busca sentido em pequenos sinais da natureza e o pai luta para não desmoronar. É dessa fricção entre modos tão distintos de lidar com a perda que o filme extrai sua força: cada personagem é uma face do luto, e é apenas quando seus gestos finalmente se encontram – não nas palavras, mas nos olhares e no toque – que a ilha deixa de ser um espaço quebrado e volta a ser um lar possível.
Quando o verão desaba: a festa interrompida pelo luto
A Festa de Verão, que ocorre na metade do filme, deveria simbolizar renascimento e comunidade. Entretanto, a chuva repentina invade tudo, transformando-a em uma Festa de Inverno improvisada, uma imagem clara da incapacidade da família de celebrar o que quer que seja. O pai acredita que é o “fedor do luto” que afasta as pessoas; a avó rebate que, talvez, ele esteja apenas com pena de si mesmo.
Foto: reprodução/The Hollywood Reporter
Quando a chuva passa, eles tentam soltar fogos, mas apenas o terceiro dispara. A insistência funciona como metáfora da dificuldade do pai em seguir em frente e do impulso que a filha lhe dá, mesmo sem perceber.
A tempestade que rasga o silêncio
A tempestade final é o ápice simbólico do filme. Antes dela, vemos os três no barco, sentados afastados, enquanto o luto paira entre eles. O pai deixa a avó e a filha no farol, tentando sofrer onde ninguém o veja. Todavia, Sofia percebe que ele não foi embora; apenas se esconde.
Foto: reprodução/helsinkifilmi
No barco, a menina reza por uma tempestade – um pedido que mistura culpa, raiva e saudade. E a tormenta chega, impiedosa. A trilha sonora tensa se transforma na sinfonia do caos que rege o mar em fúria, tornando-se a materialização da turbulência interna que o pai evita encarar. É só diante do perigo real que ele permite que a dor venha à tona.
No reencontro com a família, Sofia admite sua culpa por ter pedido a tempestade, e o pai confessa ter pedido também. A lembrança da esposa, que amava tempestades, desmancha a distância entre eles. Sem dizer diretamente, ele afirma que a filha não tem culpa pela morte da mãe e que a ama.
Foto: reprodução/helsinkifilmi
O abraço que segue, com Sofia adormecendo no colo do pai e a avó os envolvendo, marca o primeiro plano sem obstáculos entre eles. A tempestade passa deixando sinais na ilha, mas o álamo reerguido no início do longa começa a florescer, pois o que antes era apenas mantido agora renasce.
O que fica após o fim
Memórias de Um Verão é um filme que encontra sua força na poesia das pequenas coisas – nos silêncios, na textura da paisagem e nos gestos mínimos que carregam um mundo inteiro de significados.
Ainda que sua construção dramatúrgica possa parecer desigual para parte do público, sobretudo quando a figura paterna não se sustenta com o mesmo vigor que a dupla central, o longa entrega imagens que permanecem.
Foto: reprodução/helsinkifilmi
A adaptação do clássico de Tove Jansson captura o espírito contemplativo da obra original, mas escolhe expandi-lo para um território mais emocional, onde a tempestade interna de cada personagem ganha forma literal na tela. Poético, sensível e talvez lento demais para alguns espectadores, é o tipo de filme que ressoa mais pela atmosfera do que pela narrativa e que, apesar de suas imperfeições, deve ser lembrado justamente por essa delicadeza.
Foto: reprodução/helsinkifilmi
O filme chegou aos cinemas brasileiros em 27de novembro, convidando o público a entrar nesse território onde o luto e a paisagem respiram juntos. Para quem quiser sentir o ritmo do filme antes da estreia, o trailer já antecipa a delicadeza visual e emocional que permeia a obra, indício de uma experiência que, mesmo suave, permanece reverberando muito depois de seus últimos minutos.
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O projeto marca mais uma adaptação em live-action de um dos clássicos animados do estúdio
2026 começou com uma notícia aguardada pelos fãs de Enrolados: o filme terá, finalmente, seu tão esperado live-action. Lançada pela Disney em 2010, a animação conquistou o público e, agora, ganha uma nova versão para o cinema. Diante disso, dois nomes importantes foram confirmados, deixando os fãs ainda mais animados.
Foto: reprodução/Instagram @teagancroft
Teagan Croft, atriz australiana conhecida por seus trabalhos em Titãs (2018–2023) e Lendas do Amanhã (2016–2022), dará vida à Rapunzel, a jovem princesa de longos cabelos dourados que passou grande parte da vida isolada em uma torre e sonha em conhecer o mundo além de suas janelas. Ao longo da trama, a personagem embarca em uma jornada de autodescoberta, liberdade e coragem.
Foto: reprodução/Instagram @milomanheim
Milo Manheim, ator norte-americano conhecido por interpretar Zed na franquia Zombies (2018), da Disney, foi escolhido para viver Flynn Rider, o carismático ladrão de bom coração que acaba se tornando o parceiro improvável de Rapunzel em sua jornada fora da torre.
Outros nomes ainda devem ser confirmados no elenco, mantendo o público na expectativa para saber quem dará vida aos demais personagens.
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Brasil faz história no Globo de Ouro 2026, enquanto cinema asiático e novas narrativas consolidam uma temporada que amplia o mapa da cultura global
A noite no hotel The Beverly Hilton foi daquelas que ficam gravadas na memória de quem acompanha os movimentos da indústria cinematográfica. Se em 2025 o Brasil já tinha ocupado um espaço legítimo com Fernanda Torres, 2026 chegou para carimbar que nossa narrativa é incontornável. Wagner Moura fez história ao se tornar o primeiro homem brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama. O Armando de O Agente Secreto (2025) não é apenas um papel de thriller; é uma construção densa de um ator que, sob a direção cirúrgica de Kleber Mendonça Filho, colocou o cinema nacional no centro da conversa global.
O Agente Secretosaindo com o troféu de Melhor Filme de Língua Não Inglesa confirma que a paranoia histórica brasileira e o suor do nosso Carnaval possuem uma linguagem que atravessa fronteiras. Kleber Mendonça Filho superou produções pesadíssimas, mostrando que o Brasil é hoje um dos pólos mais interessantes do cinema mundial.
Foto: reprodução/G1
Mas a festa foi além das nossas conquistas. A representatividade amarela brilhou com uma força legítima. Chloé Zhao levou o prêmio de Melhor Filme por Hamnet (2025), provando que sua visão íntima e contemplativa continua sendo o fôlego que o cinema contemporâneo busca.
Foto: reprodução/deadline
Para quem respira cultura pop coreana, foi emocionante ver o domínio de Guerreiras do K-pop (2025). A animação levou sua categoria e ainda desbancou hits de grandes nomes em Melhor Canção Original com Golden. É o K-pop provando que sua estética e suas histórias são o combustível que mantém a indústria relevante e jovem. E a presença de Lee Byung-hun entre os indicados por No Other Choice (2025) só reforça que a Coreia do Sul estabeleceu um padrão de qualidade que redefiniu o mercado.
Foto: reprodução/billboard brasil
O Globo de Ouro 2026 termina com um recado: o mundo ficou mais amplo e definitivamente mais interessante de se assistir e, se isso é um termômetro para o Oscar, é melhor a gente já ir preparando o estoque de café e bandeiras, porque o topo nunca pareceu tão nosso.
Confira a lista Completa de Vencedores do Globo de Ouro 2026
Filmes:
Melhor Filme de Drama: Hamnet Melhor Filme de Comédia ou Musical: Uma Batalha Após a Outra Melhor Direção: Paul Thomas Anderson — Uma Batalha Após a Outra Melhor Ator em Filme de Drama: Wagner Moura — O Agente Secreto Melhor Atriz em Filme de Drama: Jessie Buckley — Hamnet Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical: Timothée Chalamet — Marty Supreme Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical: Rose Byrne — Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria Melhor Ator Coadjuvante: Stellan Skarsgård — Valor Sentimental Melhor Atriz Coadjuvante: Teyana Taylor — Uma Batalha Após a Outra Melhor Roteiro: Uma Batalha Após a Outra Melhor Trilha Sonora: Pecadores Melhor Canção Original: Golden — Guerreiras do K-pop Melhor Filme de Língua Não Inglesa: O Agente Secreto (Brasil) Melhor Filme de Animação: Guerreiras do K-pop Maior Conquista Cinematográfica e de Bilheteria: Pecadores
Televisão:
Melhor Série de Drama: The Pitt Melhor Ator de Drama em Série de TV: Noah Wyle — The Pitt Melhor Atriz de Drama em Série de TV: Rhea Seehorn — Pluribus Melhor Série de Comédia: O Estúdio Melhor Ator em Série de Comédia ou Musical: Seth Rogen — O Estúdio Melhor Atriz em Série de Comédia ou Musical: Jean Smart — Hacks Melhor Filme para TV ou Série Limitada: Adolescência Melhor Ator de Filme para TV ou Série Limitada: Stephen Graham — Adolescência Melhor Atriz de Filme para TV ou Série Limitada: Michelle Williams — Morrendo por Sexo Melhor Ator Coadjuvante — Televisão: Owen Cooper — Adolescência Melhor Atriz Coadjuvante — Televisão: Erin Doherty — Adolescência Melhor Performance de Comédia Stand-Up na TV: Ricky Gervais — Mortality Melhor Podcast: Good Hang With Amy Poehler
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Um guia sobre como seguir seu coração te levará até o que você mais precisa
Alexis é uma médica bem-sucedida, nascida em berço de ouro, mas não está interessada em ter fama e glória. O que ela mais deseja é poder ajudar as pessoas de maneira assertiva.
Daniel é carpinteiro em uma pequena cidade do interior, onde todos se conhecem e todos se ajudam, e faz o possível para deixar tudo em ordem e contribuir com a cidade.
Eles são totais opostos: idades diferentes, estilos de vida diferentes e, principalmente, classe social divergente. Os dois se conhecem em uma noite estranha, e até parece obra do destino.
Mas Alexis está vivendo um divórcio complicado, e Daniel tem evitado machucar seu coração. Mesmo assim, são inevitavelmente atraídos um ao outro, como ímãs.
Abordando relacionamentos abusivos de forma delicada e consciente, Parte do Seu Mundo (2022) nos mostra a importância de priorizar nossos sentimentos, e sermos capazes de fazer escolhas por nós, e não pelos outros.
Não podemos correr o risco de perder aquilo que mais queremos por medo de decepcionar outra pessoa. Nossas vontades e felicidade são importantes e merecem ser ouvidas.
Somos nós quem decidimos o futuro que teremos, e as pessoas certas vão entender, apoiar e incentivar as decisões que irão te fazer feliz.
Apesar de terem vidas diferentes e serem de mundos opostos, os sentimentos de Alexis e Daniel e a felicidade que sentem quando estão juntos é o que realmente importa para os dois.
Imagem: reprodução/Editora Arqueiro
Ainda bem que o destino – ou teria sido a cidadezinha estranha e com ar um tanto quanto mágico? – reservou aquela noite para que eles se conhecessem.
Sobre a autora
Foto: reprodução/Caitlin Abrams
Abby Jimenez é autora best-seller do The New York Times. Fundou a padaria Nadia Cakes em 2007, com a qual venceu várias competições de culinária, inclusive no canal Food Network. Ela é bem caseira e adora um bom romance, café e cachorrinhos.
Seus romances geralmente abordam temas importantes mas sem perder a leveza. Outras obras conhecidas da autora são Até o Fim do Verão, Para Sempre Seu e ApenasAmigos?.
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O próximo ano contará com lançamentos bombásticos na literatura
O ano de 2025 contou com grandes sucessos literários, com lançamentos que abalaram o mercado editorial, como foi o caso de Tempestade de Ônix, terceiro livro da saga Quarta Asa, de Rebecca Yarros, publicado no Brasil pela editora Planeta Minotauro, e de Alchemised, de Sen Liu Yu, lançada no brasil pela editora Intrínseca.
Para 2026, alguns lançamentos foram confirmados: alguns deles já estão em pré-venda. O Entretê preparou para vocês uma seleção especial de títulos que serão lançados ainda em 2026.
A Mulher em Queda de Colleen Hoover
Publicado no Brasil pela editora Galera, o livro está em pré-venda e será lançado oficialmente no dia 13 de janeiro.
A obra acompanha Petra Rose, que já foi considerada uma autora talentosa de livros renomados, mas que, devido a reações negativas ao seu último livro, perdeu credibilidade e se tornou alvo de críticas online.
Desesperada, a autora se refugia em uma cabana à beira de um lago, onde ela conhece Nathaniel Saint, detetive misterioso, que desperta em Petra uma criatividade feroz.
Patinando no Amor de Lynn Painter
Foto: reprodução/Amor por Livros
Este é para os amantes de fake dating!
O livro inédito da autora do best seller Melhor do que nos Filmes, Patinando no Amor, foi adquirido pela Intrínseca e tem lançamento marcado para o dia 2 de fevereiro.
Nele, conhecemos a história de Dani e Alec, melhores amigos de infância, que perderam contato quando a garota mudou de cidade. Ao retornar à cidade natal, Dani percebe que Alec não é mais o garoto doce que ela conheceu, agora ele é estrela do hóquei.
Decepcionada, Dani se afasta de Alec, até que por motivos inusitados os dois precisam fingir estar em um relacionamento.
Shield of Sparrows de Devney Perry
Foto: reprodução/The Nerd Daily
Romantasia famosa na gringa, chega ao Brasil pela editora Paralela, ainda sem data de estreia.
A obra é o primeiro livro de uma duologia que conta a história da princesa Odessa, que é forçada a se casar com o príncipe Turan por conta de uma promessa antiga. Levada para um reino perigoso, ela precisa descobrir os segredos do misterioso Guardião e possivelmente assassiná-lo.
O livro conta com um romance slow burn que promete tirar suspiros!
A Inquilina de Freida McFadden
A renomada autora de suspense Freida McFadden retorna com nova obra que será lançada no dia 2 de janeiro pela editora Record.
O livro acompanha Blake Porter que, após ser demitida, precisa alugar dois quartos de sua casa em Nova York para levantar dinheiro extra. Depois que a simpática Whitney se muda para a sua casa, coisas sinistras começam a acontecer no local.
Alguns títulos que estão previstos para serem lançados ainda não tem data de lançamento confirmada. É o caso de Empíreo, quarto livro da saga Quarta Asa de Rebecca Yarros, e de Heated Rivalry, ainda sem nome em português, que trata-se de um picante romance gay que será lançado pela editora Alt.
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