Cultura e entretenimento num só lugar!

Foto: reprodução Ensaio Aberto

Crítica | Entre versos e vozes: espetáculo Morte e Vida Severina ganha nova vida no palco

A Companhia Ensaio Aberto traz o texto clássico reinventado em nova temporada em São Paulo

O espetáculo Morte e Vida Severina, obra-prima de João Cabral de Melo Neto e agora encenada pela Companhia Ensaio Aberto, chega ao Teatro Paulo Autran, em São Paulo. Essa versão traz não apenas o texto clássico modernista e regionalista, mas também adições que enriquecem a experiência do espectador.

O diretor Luiz Fernando Lobo traz a voz dos tantos Severinos, filhos de tantas Marias, da época em que o texto foi lançado e do contexto atual, em que ainda temos uma grande desigualdade social não apenas no sertão nordestino, mas também nas grandes cidades.

Além disso, a encenação acontece na forma de musical, tanto com trechos cantados do poema original quanto com a adição de músicas de Chico Buarque. Pela direção musical de Itamar Assiere, a história ganha ritmo, evitando que se torne algo linear e difícil de prender a atenção do público (especialmente em tempos em que o foco é tão comprometido). Não acontece apenas a mudança no ritmo, mas também as letras das músicas adicionadas complementam a mensagem do espetáculo.

Foto: reprodução Ensaio Aberto

Gilberto Miranda, que dá vida a Severino desde a primeira versão do espetáculo em Portugal, traz uma presença de palco e articulação que não deixam os versos meticulosamente escritos por João Cabral de Melo Neto soarem mecânicos, mas naturais e nem por isso menos poéticos. Além dele, todos os atores, cada um de sua forma, enriquecem o texto por meio do corpo e, principalmente, da voz.

A cenografia, assinada por J. C. Serroni (cenário) e Cesar de Ramires (iluminação), assim como o figurino de Beth Filipecki e Renaldo Machado, ambienta a seca do sertão nordestino descrita pelos textos regionalistas do modernismo. Embora pareçam um pouco estereotipadas, reforçando uma perspectiva do nordeste que não necessariamente retrata a realidade do todo, é fiel à visão da época em que João Cabral de Melo Neto escreveu os versos.

Quanto à estrutura em si, logo na entrada do teatro temos a disponibilidade de produtos inspirados em Morte e Vida Severina, assim como de todo o repertório da companhia, a preços justos. Eles contam com canecas, camisetas, velas, cadernos e livros temáticos.

Foto: reprodução/Ensaio Aberto

Em resumo, o espetáculo é uma ótima oportunidade para o público entrar em contato com o texto modernista regionalista clássico, por meio dos versos originais enriquecidos com melodias e a inclusão das músicas de Chico Buarque.

O espetáculo ainda está em temporada em São Paulo, do dia 8 a 18 de janeiro de 2026, no Teatro Paulo Autran – Sesc Pinheiros. Terá sessões de quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 18h. No dia 17 de janeiro (sábado), acontecem duas sessões: às 16h e às 20h.

 

Ficou com vontade de assistir? Conte para a gente nas redes sociais do Entretê (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade!

Leia também: Entrevista | Tuca Moraes e a Eternidade de Morte e Vida Severina – Entretetizei 

Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz

plugins premium WordPress

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal monitoramento. Acesse nossa política de privacidade atualizada e nossos termos de uso e qualquer dúvida fique à vontade para nos perguntar!