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Foto: Reprodução/Universal Pictures

Crítica | Jurassic World: Recomeço – Tem dinossauros no cinema, e se isso não te empolga, talvez o problema não seja o filme

Entre defeitos e rugidos, ainda é nos dinossauros que mora a verdadeira fantasia

Decidi aguardar. Esperei o dilúvio de pareceres desfavoráveis dos especialistas em cinema desabar sobre Jurassic World: Recomeço. E essa escolha foi intencional. Talvez os críticos estejam tão imersos em avaliações técnicas que, quando o assunto é algo tão intrínseco quanto a saga Jurassic, a apreciação mais significativa seja a emocional. Por isso, esta análise é dedicada aos nostálgicos— àqueles que, como eu, passam pano para as derrapagens técnicas em nome da emoção. Mas que fique claro: não estamos aqui para amar cegamente a fórmula dinossáurica.

Jurassic World Recomeço: Dinossauros no Cinema - Crítica para Fãs
Foto: Reprodução/Universal Pictures

Lá em 1993, Steven Spielberg nos presenteou com uma obra-prima que delineou uma geração. Jurassic Park, com suas criaturas recorrentes e inesquecíveis, moldou a infância e a adolescência de muitos — que hoje se dividem entre a crítica implacável e o apreço eterno. A questão que ecoa é: dinossauros estão realmente obsoletos? Como explicar, então, que até hoje os dragões nos fascinam? A predileção por seres colossais e pré-históricos parece ser uma constante na psique humana, independentemente da evolução tecnológica do cinema.

O desafio e as obviedades acolhedoras

Um crítico observou que este sétimo filme possui 15 minutos a menos que seu predecessor. E qual a relevância disso? Na técnica, talvez— mas aqui é Jurassic, gente! O verdadeiro empreendimento para o diretor atual é elevar esta saga e, para mim — e escrevo com segurança —, as previsibilidades do filme se destacam como pontos favoráveis. Por exemplo, saber quais personagens podem sucumbir é quase um reconforto. É a premissa de um filme de suspense em que você se apega aos heróis mesmo ciente do perigo iminente.

Outro crítico bradou que uma cena com um dinossauro de pescoço comprido era falsa. Caros, não almejamos dinossauros reais! O que buscamos é a nostalgia palpável, a magia que nos fez acreditar naquilo. Se o ator não foi convincente… bom, aí sou obrigada a concordar. Aliás, nosso cientista desta versão não convenceu em absoluto. Mas isso não diminui o esplendor do que realmente importa: a continuidade de uma narrativa que ainda nos arrepia.

É de uma inteligência notável — e de uma relevância imensa — continuar discorrendo sobre dinossauros. Criticar essa faceta do ser humano que se arroga saber muito sobre eras passadas é, sim, crucial. Anualmente, na vida real, desvendamos características que antes julgávamos conhecer. A humildade científica — essa, sim — nos conduz a novas descobertas e a um respeito ainda maior por essas criaturas magníficas que um dia reinaram na Terra.

A hesitação do roteiro e os dinossauros modificados
Foto: Reprodução/Universal Pictures

Muita gente sobrevive aos encontros com Tiranossauros, Pterodáctilos e o híbrido Dementus Rex —uma mistura de cabeça de alien malfeita com dente de predador sem capacete e garras de sei-lá-o-quê. E aqui, a hesitação do roteirista em ceifar um personagem querido salta aos olhos. Ele nem parece ser o mesmo que nos brindou com o original de 1993, e, pasmem, é o mesmo: David Koepp. Uma pena, pois a quebra de expectativas em um bom enredo é sempre bem-vinda.

Agora, falando dos dinossauros modificados: o que aconteceu com o majestoso T-Rex completo? Diminuíram o cachê dele desta vez? Afinal, o mesmo só aparece em uma cena. Mas quem fez o filme sabia da sua importância, já que o usaram em todos os trailers de chamada! E os Velociraptors? Se foram treinados por Owen Grady, deveriam sobreviver a qualquer coisa ou período de tempo. O único modificado que aceitamos e amamos é a Indominus Rex. O resto, sinceramente, ninguém quer. Podem migrar para outro filme. A autenticidade, em alguns casos, vale mais do que a inovação forçada.

A emoção que faltou e a que surpreendeu

E, para ser franca, só faltou uma coisa em Jurassic World: Recomeço: queríamos lamentar a morte de alguém querido por um dinossauro. Queríamos sentir aquele impacto da realidade, aquela dor que só um bom filme pode nos proporcionar. Mas uma coisa é certa sobre este filme: é a primeira vez que não torcemos para os dinossauros. Isso, por si só, já é uma reviravolta surpreendente e um mérito para o enredo.

Porém, a experiência, por vezes, tropeça em sua própria necessidade de ser didática. As explicações científicas — que poderiam ser inteligentemente costuradas nos acontecimentos e nas ações dos personagens — são entregues de forma tão explícita que quebram o ritmo e a imersão.

Portanto, não acatem as críticas nostálgicas dos anos 90, nem as dos eruditos intelectuais. Vá ao cinema mesmo com essa enxurrada de pareceres. Permita-se sentir a emoção, a nostalgia e decida por si mesmo sobre esse novo capítulo da maior dramaturgia do cinema mundial. Afinal, a arte é subjetiva, e a sua experiência transcende mil pareceres técnicos.

Você concorda que a apreciação pessoal deve prevalecer sobre a técnica em filmes como Jurassic World? Conta pra gente nas redes sociais do Entretê – Instagram, X e Facebook – e nos siga para não perder as novidades do cinema e do entretenimento.

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

 

 

 

 

 

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