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Imagem: reprodução/Universal Pictures

Crítica | O Telefone Preto 2 aposta em carga emocional e se consagra como uma sequência à altura do original

O novo capítulo da franquia explora o medo de maneira surpreendente, aprofunda seus personagens e prova que algumas sequências conseguem ser tão boas quanto o primeiro filme 

Baseado no conto de Joe Hill (publicado originalmente em 2004) e dirigido por Scott Derrickson, a adaptação de O Telefone Preto (2022) foi uma surpresa positiva para os entusiastas do gênero, garantindo o seu sucesso imediato. 

Sua sequência, anunciada logo no ano seguinte, foi um tanto quanto inesperada, visto que o primeiro filme segue fiel até o encerramento do livro. Mas os fãs podem ficar tranquilos: continuar a história de Finney (Mason Thames) foi um grande acerto. 

A ideia para a trama partiu do próprio escritor.

 “Assim que o primeiro filme fez sucesso, a Universal me pediu para fazer uma sequência. Eu não me sentia obrigado a fazer isso, mas certamente não faria se fosse apenas por dinheiro fácil. Então, eu estava procurando uma ideia, e Joe Hill me enviou um e-mail com uma proposta para uma sequência. Não me identifiquei com algumas coisas, mas havia uma ideia naquele e-mail que eu achei fantástica e que eu nunca tinha pensado“, contou Derrickson em entrevista ao Collider.

A sequência 

Passados quatro anos desde os eventos do filme original, O Telefone Preto 2 acompanha o protagonista, agora no ensino médio, ainda assombrado pelos traumas do passado.  Essa passagem de tempo abre espaço para uma abordagem mais profunda, rendendo a Mason Thames uma performance notável e sensível.

Agora, mais maduro e com certa experiência em sobreviver, Finney ganha novas camadas. Dividido entre a coragem e o peso de suas lembranças, o personagem é trabalhado não apenas como um sobrevivente, mas como alguém que, mesmo sendo forte, ainda carrega a vulnerabilidade de quem tenta se entender. Essa carga emocional enriquece a narrativa e aprofunda seus vínculos familiares, principalmente no papel de irmão mais velho.

Gwen (Madeleine McGraw) ganha destaque nesse segundo filme e suas visões antes vistas como um dom misterioso, agora se tornam um ponto central da narrativa, conduzindo os personagens por momentos de tensão e descobertas. É através dela que o filme encontra o equilíbrio entre o real e o psíquico. 

Imagem: reprodução/Universal Pictures

Além dos protagonistas, outros nomes conhecidos retornam ao elenco, como é o caso de Miguel Mora, que dessa vez dá vida a Ernesto Arellano, irmão mais novo de Robin, seu personagem no filme anterior. Sua participação aprofunda a conexão entre os irmãos Blake e proporciona momentos que colaboram para que o telespectador crie conexão com os personagens.

Jeremy Davies, por sua vez, reprisa o papel do pai de Finney e Gwen, enquanto Demián Bichir (A Freira – 2018) e Arianna Rivas (Resgate Implacável – 2025) se juntam ao longa como novos personagens. Esse núcleo exerce um papel de apoio narrativo, contribuindo com a ligação entre passado e presente.

Ambientação 

O cenário antes claustrofóbico do porão dá lugar a Alpine Lake, um acampamento clássico dos Estados Unidos, cercado por montanhas e neve, permitindo que o filme explore o medo fora do confinamento e do terror imediato.

É nessa ambientação que o roteiro se desenvolve em acontecimentos eletrizantes, revelando a conexão entre a família de Finney e o assassino que ressurge motivado por vingança.

Imagem: reprodução/Universal Pictures

Muito mais interessante do que acompanhar o novo embate entre eles, é entender os caminhos que os levaram até ali. É justamente por conta disso que o cenário atua como um elemento narrativo essencial, revelando os principais segredos da história. 

Com uma classificação indicativa mais alta (+18), o roteiro ganha liberdade de representar o terror de forma mais gráfica — uma escolha que vai além do simples desejo de chocar. Essa decisão artística surge como uma extensão visual do trauma, fortalecendo a atmosfera de tensão constante e abordando o medo tanto em sua brutalidade visível quanto no inconsciente. 

A direção trabalha essa nuance através de uma estética sombria e intimista, na qual o sobrenatural surge como um elemento que ganha vida pelo subconsciente dos personagens, misturando sonho e realidade. Assim, o filme rompe com o terror tradicional e ganha um teor psicológico tão forte quanto qualquer jumpscare.

O ritmo mais dinâmico, a edição ágil e o uso de elementos visuais que definem muito bem cada tipo de cena representada, tornam a experiência envolvente e imersiva sem nunca perder o foco ou fugir daquilo que foi construído no filme anterior.

O Sequestrador 

Se houve algo que preocupou alguns fãs no anúncio da sequência, foi a forma como trariam O Sequestrador (Ethan Hawk) de volta sem que isso trouxesse falhas para o roteiro, já que o personagem é morto no final do primeiro filme.

De forma certeira e cautelosa, o roteiro de Scott Derrickson e C. Robert Cargill dá continuidade à obra original sem causar quaisquer danos ao enredo e garantem ao vilão um retorno digno dos assassinos dos anos 80. 

O personagem de Ethan Hawk retorna à franquia com seu sarcasmo característico, um passado a ser descoberto e uma motivação muito mais pessoal, que caminham de modo coeso para encerrar seu ciclo com Finney.

Imagem: reprodução/Universal Pictures

É provável que para muitos fãs essa sequência não supere o primeiro filme que, além de contar com o fator novidade, conquistou pela estética nostálgica e elementos característicos, porém, O Telefone Preto 2 não falha em apresentar uma continuidade bem elaborada e digna do sucesso de seu antecessor.

Nos cinemas brasileiros, o filme tem sua estreia marcada para o dia 16 de outubro.

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura @_itsbrinis

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