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Elias e Alexander, protagonistas de Young Hearts
Foto: reprodução/Polar Bear

Crítica | Young Hearts transborda sensibilidade ao retratar o primeiro amor

Fugindo dos clichês dramáticos do cinema LGBTQIA+, longa-metragem belga foca na autodescoberta e aceitação

[Contém spoiler]

O cinema é repleto de clichês sobre as dores e as delícias do primeiro amor. No entanto, o público ainda está acostumado a ver narrativas deste tipo ocupadas majoritariamente por casais heterossexuais. Sem a pretensão de ser genial ou revolucionário, o longa Young Hearts (2025) entrega uma história de romance adolescente queer que merece e precisa ser contada.

Pôster de Young Hearts
Foto: reprodução/Prime Video

Ambientado no interior da Bélgica, o filme acompanha Elias (Lou Goossens), um jovem de 14 anos que leva uma vida pacata ao lado da família e dos amigos de escola. Tudo muda com a chegada de seu novo vizinho, Alexander (Marius De Saeger), um menino vindo da capital que, desde o início, demonstra estar bem confortável com a sua própria sexualidade. À medida que eles passam as tardes juntos, se desenrola uma jornada de autodescoberta que é retratada com muita sensibilidade.

Um filme de conforto
Elias em Young Hearts
Foto: reprodução/Polar Bear

Dirigido pelo estreante Anthony Schatteman, o roteiro se destaca justamente por não apelar para tragédias ou dramatizar exageradamente o sofrimento na descoberta da sexualidade – um tema muito comum nos dramas LGBTQIA+. Em vez de focar a homofobia agressiva por parte da comunidade ao seu entorno, a produção prefere explorar os conflitos internos de Elias, que se vê pressionado pela heteronormatividade de uma cidade pequena.

Embora o personagem enfrente um estranhamento inicial por parte dos colegas de escola, o que o faz se afastar de Alexander por um tempo, as pessoas ao seu redor não reagem mal à ideia deles ficarem juntos, tratando com naturalidade o sentimento de se apaixonar pela primeira vez.

Laços familiares
Personagens Alexander, Fred e Elias, de Young Hearts
Foto: reprodução/Polar Bear

Young Hearts também explora com maturidade questões familiares, como a relação distante entre o protagonista e seu pai, um cantor que se tornou uma celebridade local e parece focado demais em sua carreira. No entanto, o grande ponto de virada emocional do filme se dá a partir do laço entre Elias e seu avô. É ele quem acolhe o neto, compartilha sua sabedoria e dá o empurrãozinho final para que Elias se aceite e crie coragem para se declarar para Alexander.

Sutileza em cena
Personagens Elias e Alexander, de Young Hearts
Foto: reprodução/Polar Bear

Um dos pontos altos do filme está na atuação do elenco principal. Com performances comoventes, Lou Goossens e Marius De Saeger conseguem transmitir as angústias da adolescência de forma sutil. Graças a química dos atores, o relacionamento entre os personagens é construído de forma orgânica e doce.

Mesmo com um desfecho muito acelerado, Young Hearts entrega uma mensagem otimista e necessária sobre aceitação familiar e identidade. É uma escolha certeira para quem busca um filme de conforto com uma história sensível e acolhedora. 

A produção já está disponível através do catálogo do Filmelier+, que também pode ser acessado como um canal adicional em diversas plataformas de streaming.

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

 

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