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Foto: reprodução/Instagram @annaakisue

Entrevista | Anna Akisue fala de sua trajetória artística e reflete sobre a importância da representatividade amarela

Da infância sonhadora aos palcos, a artista conta sua história e revela desejos profissionais para o futuro

Atriz, cantora, compositora e um dos nomes mais promissores do teatro musical brasileiro, Anna Akisue faz parte de uma geração de jovens multiartistas que unem potência, talento e consciência sobre a construção de um espaço mais diverso na arte.

Sua trajetória artística começou ainda na infância, quando em brincadeiras dizia que queria ser atriz e cantora. Não demorou muito para que esse sonho virasse realidade: com estudos e dedicação, Anna conquistou seu lugar na música e no teatro, transformando  a imaginação de criança em uma carreira sólida e inspiradora.

Do The Voice Brasil (2016) aos palcos da Broadway brasileira, Anna vem ganhando cada vez mais destaque com sua presença forte e marcante. Em março de 2025, assumiu o papel de Regina George, personagem icônica da cultura pop dos anos 2000, na versão brasileira da adaptação musical do filme Meninas Malvadas (2004), se tornando a primeira Regina asiática do mundo. Essa conquista representa um marco importante para a representatividade no teatro musical brasileiro e amplia a visibilidade e o protagonismo de pessoas não brancas nesse espaço.

Em entrevista ao Entretetizei, a artista revisitou sua trajetória, desafios e aprendizados da carreira, refletiu, com muita sensibilidade, sobre a importância da representatividade amarela e comentou sobre sonhos que deseja realizar: 

Entretetizei: Você começou sua trajetória artística muito jovem. De onde surgiu a vontade e a certeza de que queria viver da arte?

Anna Akisue: Olha, eu não me lembro de um momento da minha vida em que eu não soube que seria artista. Desde criança, quando eu brincava de “quando eu crescer” as minhas profissões dos sonhos sempre eram essas: atriz e cantora. Conforme crescia, fui me profissionalizando nessas áreas e em todas as outras que englobam o mundo das artes: dança, dublagem, composição e assim as coisas foram acontecendo! É um estudo constante e interminável que eu amo! Não sei quando começou e creio que só vai terminar quando eu morrer, mas o bichinho da arte me picou desde que eu abri os olhos pela primeira vez no mundo! 

Entretê: O que mudou na sua carreira com a sua passagem pelo The Voice, em 2016?

Anna: Nossa, muita coisa! O The Voice foi um grande aprendizado pra mim. Foi minha primeira grande oportunidade na indústria da música, então tudo pra mim naquela época era um grande “parque de diversões”, eu estava realmente vivendo um sonho. Depois de lá, as coisas se tornaram mais reais, mais palpáveis.Foi quando o sonho realmente virou carreira e aí as proporções e responsabilidades se tornam maiores. Foi depois do The Voice que eu passei a me encarar como artista, para além do lado lúdico da coisa!

Assista a audição da artista na 5ª temporada do The Voice Brasil

Entretê: Em que momento o teatro musical surgiu como uma possibilidade para você?

Anna: Como uma boa criança dos anos 2000, eu nasci mergulhada no universo Disney e aquilo me encantava muito! Eu queria fazer aquilo: unir as três artes! Aos 13 anos, minha mãe conseguiu me matricular numa escola de teatro musical e desde então, não parei de estudar… Passei no meu primeiro musical profissional em 2019. Foi realmente muito especial! E o teatro musical segue sendo uma das minhas maiores paixões! Me sinto completa.

Entretê: Em Meninas Malvadas, você deu vida à Regina George, uma das personagens mais icônicas da cultura pop dos anos 2000. Qual foi sua reação ao receber a notícia e como foi o processo de construção dessa personagem?

Anna: Foi incrível! Me senti em completa epifania e demorei a acreditar que aquilo era real mesmo. Tive que reler a mensagem algumas vezes para cair na real! Dar vida à Regina foi muito lindo, mas muito desafiador também! Quando recebi a notícia, eu estava me recuperando de um problema vocal e como vocês viram, a partitura de Meninas Malvadas é um tanto quanto desafiadora [risos], mas com um time paciente e muito trabalho, conseguimos um resultado incrível durante um processo muito leve! Foi muito divertido trazer referências dessa personagem tão emblemática na mente das pessoas, mas ainda sim ter a liberdade de criar e dar a ela uma cara “minha”. A Regina hoje é uma parte de mim que guardo com muito carinho.

Assista Mundo em Chamas, solo da artista no musical 

Entretê: Você foi a primeira atriz asiática a interpretar Regina. Como se sente carregando esse marco importante na história do teatro musical?

Anna: Muito honrada. Muito, muito mesmo. Acho incrível poder ser espelho pra tantas garotas como eu. Espero que em breve não precisemos mais “contar” [quantas atrizes asiáticas].  Sinto que é só o começo de um mercado mais diverso e inclusivo, com o tipo de representatividade que merecemos ter! É bom demais estar em destaque e não ser estereotipada! Podemos ser quem quisermos ser e fico muito feliz de colaborar para essa história que está sendo escrita.

Entretê: Em um de seus vídeos publicados nas redes sociais, você comentou ter crescido sem se ver representada nos palcos e nas telas. Como você se sente hoje, sendo uma referência para outras meninas?

Anna: Isso realmente me deixa muito emocionada. Não tenho muita noção disso, mas já vivi momentos muito lindos com outras garotas amarelas que vieram me cumprimentar após o espetáculo, pessoalmente ou nas redes, me dizendo que eu contribuí pro sonho delas de alguma forma. Que me ver nesse lugar fez com que elas se vissem lá também e isso me deixa muito feliz e esperançosa! Quando eu era criança, eu tinha poucas pessoas para me espelhar e isso afetou muito minha autoconfiança. A falta de representatividade me fazia crer que eu não era capaz de ocupar certos lugares. Mas eu tive minhas musas! A Lissah [Martins] do Rouge era a maior delas. Ela me fez acreditar que eu podia chegar lá, e a minha criança será eternamente grata  por isso. Felizmente esse cenário vem mudando cada vez mais, e eu sinto que sou uma resposta disso também! Desse movimento que vem acontecendo. Então, eu me sinto muito honrada por poder ajudar mais pessoas a sonharem também. É possível! Estamos aqui e somos muitos! Não podemos mais ser ignorados.

Entretê: Além do teatro musical, você também se dedica à sua carreira na música pop. Com o fim de Meninas Malvadas, você pretende focar em novos singles, ou quem sabe, um EP ou álbum, ou tem outros projetos a caminho?

Sim! A música é uma parte de mim muito maior do que eu gosto de admitir, então com certeza não vou ficar quietinha por muito tempo [risos], mas hoje em dia levo essa minha vertente com mais paciência e mais carinho. Escrever é um processo muito intenso e às vezes doloroso também, então, toma tempo. Mas vem aí! Fica de olho [risos].

Foto: reprodução/Instagram @annaakisue

Tem algum gênero musical que você ainda não explorou, mas tem muita vontade?

Olha, eu sou muito eclética, como vocês já devem ter percebido [risos]! Gosto muito de brincar com os gêneros e acho que a música tá aí pra isso: pra gente explorar! Então, sinceramente, daqui pode sair de um tudo [risos]! Sou a favor de dar vida ao som que estiver gritando aqui dentro, independente de qual seja.

Entretê: Você já conquistou espaço no teatro musical e na música, mas sente vontade de seguir também um caminho no audiovisual? Se imagina fazendo filmes, novelas ou séries?

Anna: Sim! Temos alguns projetos em vista, mas ainda não posso contar. E confesso que sou um bichinho do palco, mas o audiovisual é um território que eu tenho muita curiosidade de explorar profissionalmente. Acho que eu me amarraria em fazer novela! A ideia de construir um personagem e desenvolvê-lo ao longo de um grande período de tempo me faz brilhar os olhos! Sou muito curiosa e adoro um desafio, então tô pro jogo! 

Entretê: Com tantos talentos na bagagem, como você descreveria Anna Akisue hoje?

Anna: Com certeza uma artista mais madura, um pouco menos ingênua, mas ainda com a mesma sede de fazer e, principalmente, de aprender! Sou muito grata a tudo o que vivi até aqui, dos traumas às glórias, porque sei que [foi] a soma de tudo isso que me tornou a artista que  sou hoje e, sinceramente, me orgulho muito do caminho que estou trilhando!

 

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Texto revisado por Gabriela Fachin @gabrieladfachin 

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