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Foto: divulgação/Hannah Kaiser e Gisele Carvalho

Entrevista | As autoras por trás do fenômeno Águas de Março

Em entrevista exclusiva ao Entretetizei, Hannah Kaiser contou como a parceria na vida e na escrita com Gisele Carvalho transformou uma fanfic em fenômeno literário

Desde seu surgimento no Wattpad, Águas de Março já mostrava a força de uma narrativa capaz de emocionar, provocar e criar vínculos profundos com os leitores. O que começou como uma fanfic rapidamente se tornou um marco dentro da plataforma e, agora, a história ganhou edições físicas, tanto de Águas de Março (Volume 1) quanto de Águas de Março (Volume 2), pela Editora Euphoria, ampliando ainda mais seu impacto. 

Foto: divulgação/Editora Euphoria/Entretetizei

Entretanto, para compreender a narrativa também é necessário entender quem a escreveu. Hannah Kaiser e Gisele Carvalho, além de autoras, são um casal que transforma vivências, afetos e memórias em ficção. A escrita conjunta nasce do diálogo, da parceria e da vontade de representar um amor sáfico complexo, sensível e profundamente brasileiro – algo que reverbera tanto nas personagens quanto no próprio processo criativo. 

Foto: divulgação/Editora Euphoria/Entretetizei

Nesta entrevista, Hannah Kaiser revisitou a trajetória de Águas de Março e comentou como a parceria dela com Gisele Carvalho, tanto na vida quanto na escrita, molda as protagonistas Lizzie e Carolina. Ela falou, também, sobre o impacto da representatividade sáfica na obra, sobre como suas próprias vivências atravessam o processo criativo e, ainda, deixou pistas sobre o futuro do universo do livro e dos novos projetos que ambas estão construindo.

Entretetizei: Águas de Março nasceu no Wattpad e hoje é um fenômeno literário com milhões de leituras. Como foi acompanhar essa transição – de uma fanfic para um livro físico – com tanta repercussão? Qual o papel da Editora Euphoria nesse processo?

Hannah Kaiser: Até agora parece surreal. Ver uma fanfic virar livro é algo que não esperávamos quando começamos a escrever. Naquela época só pensávamos em passar essa história para as pessoas. Ver o alcance de Águas de Março, além de uma simples fanfic, dá vontade de chorar. A Editora Euphoria foi uma surpresa maravilhosa. A Nathalia sabe conversar, esclarecer as dúvidas e trabalhar com ela e com a equipe da editora tem sido prazeroso. O cuidado com a preparação do livro foi algo que nos fez ficar ainda mais felizes com essa realização.

Foto: reprodução/Instagram @editoraeuphoria, @autoras.giss.han e @triz.schaper

E: A relação entre Lizzie e Carolina é cheia de camadas, como espiritualidade, identidade e autoconhecimento. Como foi o processo de criar um amor tão real e, ao mesmo tempo, simbólico?

HK: Lizzie e Carolina têm muito de nós. Expressar nossa fé e nossos sentimentos em forma de escrita foi uma experiência única. Receber elogios e até mesmo as críticas foi importante para sabermos o quanto as pessoas estavam dispostas a ver e entender um amor diferente que se tornou tão sólido.

Foto: reprodução/Instagram @editoraeuphoria, @autoras.giss.han e @triz.schaper

E: Vocês são casadas e escrevem juntas – o que, por si só, já é inspirador. De que forma a relação de vocês influencia a escrita e a construção das personagens?

HK: Começamos a escrever ADM no início do nosso namoro. Era comum trocarmos ideias sobre como demonstrar nossos próprios sentimentos sobre o que esperávamos da história. Claro que situações de crise aconteceram, como em todo casal, mas a facilidade de sentar e conversar nos ajudou a entender nossos próprios processos e tentamos transparecer isso na história.

Foto: reprodução/Instagram @editoraeuphoria, @autoras.giss.han e @triz.schaper

E: O primeiro livro nasceu de um ship entre Lauren Jauregui e Camila Cabello. Como esse ponto de partida evoluiu para algo tão autoral e emocionalmente profundo?

HK: As fanfics Camren fizeram parte da nossa juventude como fãs do 5H. Como eu disse anteriormente, não imaginávamos que ADM um dia deixaria de ser só aquela fanfic que fala sobre religião e sobre o Rio de Janeiro. A história tem muito dos nossos processos e evoluções pessoais, e ficamos felizes quando pessoas se identificam com alguns trechos.

Foto: reprodução/Instagram @editoraeuphoria, @autoras.giss.han e @triz.schaper

E: A história se passa no Rio de Janeiro e carrega uma atmosfera muito brasileira. O que essa ambientação representa para vocês dentro da narrativa?

HK: Estávamos acostumadas a ver fanfics que se passavam fora do Brasil, mas nenhuma por aqui. Quando decidimos ambientar Águas de Março no Rio, queríamos passar o nosso amor pela cidade maravilhosa e pela MPB, que poucas pessoas apreciam da forma que merece. Trazer esse ambiente para a história é ver pessoas gostando de MPB ou com vontade de conhecer o Rio. É gratificante!

Foto: reprodução/Instagram @editoraeuphoria, @autoras.giss.han e @triz.schaper

E: Águas de Março também se destaca por trazer um casal lésbico como protagonista de uma história de amor sensível e complexa. Qual é, para vocês, a importância de ocupar esse espaço na literatura e o que ainda falta avançar em termos de representatividade sáfica no mercado editorial?

HK: O mundo está recheado de histórias heterossexuais. Crescemos com a televisão e os filmes ensinando que esse é o correto, nada além disso. Criar uma história lésbica, ter uma série literária que mostre esse lado, muda a forma que muitas se identificam. É o sentir que há espaço para a representatividade. As histórias e as séries com protagonistas lésbicas mostram que, nem sempre, o relacionamento precisa acabar em tragédia, como muitos filmes antigos que se aproximavam do gênero terminavam. É bom ver que evoluímos nesse sentido, mas acho que falta muito para deixar de ser algo diferente.

Foto: reprodução/Instagram @editoraeuphoria e @autoras.giss.han

E: Por fim, o que vocês esperam que os leitores sintam ao virar a última página desta sequência? Há planos para continuar a história ou o ciclo se encerra aqui? Vocês já têm outros projetos em mente?

HK: Esperamos que sintam amor. Que sintam um abraço quente e que se sintam acolhidas. Existe, sim, um plano para finalizar um spin-off que estava em andamento no Wattpad, mas esse segredo vou deixar mais para frente! Já temos outro projeto em mente, uma história que muitos leitores da época conheciam e que difere muito de Águas de Março, mas esperamos que amem da mesma forma.

Foto: reprodução/Instagram @editoraeuphoria, @autoras.giss.han e @triz.schaper

Ao revisitar o caminho de Águas de Março – da fanfic escrita no início de um relacionamento ao fenômeno literário que emociona leitoras e leitores –, as autoras reafirmam a força de histórias que nascem do afeto, da fé e da vivência compartilhada. A parceria de Hannah com Gisele não apenas molda Lizzie e Carolina, mas também sustenta um universo narrativo que celebra o amor sáfico, a brasilidade e a coragem de ocupar espaços que, por tanto tempo, lhes foram negados. Entre memórias, processos criativos e futuros possíveis, as autoras seguem construindo uma trajetória que ainda promete muitos encontros, recomeços e novas camadas a serem descobertas.

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Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz

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