A atriz, autora e roteirista tem construído uma carreira marcante levando a força nordestina para as telas
Monique Hortolani soma 12 anos de carreira como atriz, autora e roteirista. Aos 37 anos, a baiana, já realizou diversos trabalhos para TV, streaming, teatro e cinema, além de desenvolver projetos autorais que exploram histórias reais.
Recentemente, Monique integrou o elenco do longa CIC – Central de Inteligência Cearense, dirigido por Halder Gomes e lançado nos cinemas em 21 de agosto. No filme, ela dá vida à agente secreta Divina, cérebro por trás da CIC e braço direito do chefe Espírito Santo (Nill Marcondes). Para construir a personagem, a atriz mergulhou no universo das artes marciais.
Entre seus trabalhos anteriores estão o musical infantil Maísa no Ar e os espetáculos Viúva, porém Honesta e Bonitinha, mas Ordinária. No audiovisual, participou do longa Divaldo, O Mensageiro da Paz, da série A Vida Secreta dos Casais (HBO), da novela Gênesis (Record) e da série O Cangaceiro do Futuro (Netflix).

Além da atuação, Monique é idealizadora do projeto Destrava, voltado para o ensino de comunicação e oratória. Por meio de cursos e consultorias, a iniciativa busca ajudar pessoas e empresas a desbloquearem seu potencial comunicativo. Atualmente, a artista também desenvolve um novo longa-metragem inspirado em histórias reais.
Em entrevista ao Entretetizei, Monique nos contou um pouco sobre suas personagens, inspirações e desafios enfrentados ao longo de sua carreira.
Entretetizei: Monique, ao interpretar suas personagens, de onde você costuma buscar referências e inspirações? Como isso acaba influenciando sua performance?

Monique: Minha maior fonte de inspiração sempre foi observar as pessoas. Eu gosto de reparar nos detalhes, o jeito que alguém se movimenta, o olhar, a maneira de falar… até aqueles gestos pequenininhos que parecem banais, mas dizem muito. Também consumo muita coisa, assisto muitos filmes, mas muitos mesmo, sou viciada em séries e apaixonada por documentários. Tudo o que vejo vai me alimentando. É como dizem: quem tem referência, tem tudo. Na prática, isso me dá repertório quando vou construir uma personagem.
E: Você se mudou para São Paulo aos 21 para cursar teatro. Quais foram os maiores desafios e aprendizados dessa experiência de se lançar na carreira artística tão jovem?
M: Me mudar pra São Paulo aos 21 foi uma das decisões mais corajosas da minha vida. Eu saí da Bahia com uma mala cheia de sonhos e pouca certeza de como as coisas iam acontecer. O maior desafio, sem dúvida, foi estar longe da minha família, dos meus amigos, e ter que me virar numa cidade gigante, onde tudo era novo e, às vezes, assustador. Ao mesmo tempo, foi uma escola incrível. São Paulo pulsa cultura e isso me deu acesso a ótimos cursos, professores e, principalmente, a uma cena artística que me desafiava o tempo todo. Aprendi muito sobre disciplina, sobre paciência, sobre o valor de cada pequena conquista. Também aprendi a lidar com a rejeição, que faz parte da carreira, e a entender que cada “não” também me empurrava para outro caminho que, lá na frente, faria sentido. Olho pra trás e vejo que essa mudança foi fundamental para minha formação, não só como atriz, mas como pessoa. Cresci, amadureci, ganhei coragem. E mesmo com todos os perrengues, foi aqui que construí minha base artística e comecei a dar os primeiros passos de verdade na carreira.
E: Em Central de Inteligência Cearense, a Divina tem uma personalidade marcante, cheia de energia e um visual icônico com o cabelo azul. Como foi o processo de dar vida a essa personagem? Quais foram os principais desafios para construí-la?
M: Foi uma delícia! O processo começou muito no corpo. A Divina não luta no filme, mas eu senti que ela precisava ter essa prontidão de agente secreta, essa agilidade. Então mergulhei em treinos de artes marciais como parte da preparação. Esse preparo me ajudou a encontrar a postura certa, esse corpo sempre alerta, mesmo sem ter cenas de luta. Outro desafio foi o sotaque cearense. Eu sou baiana, e o sotaque do interior da Bahia é completamente diferente do de Fortaleza. Então estudei prosódia e contei com a ajuda dos amigos cearenses para chegar o mais próximo possível do Cearencês. E teve ainda uma curiosidade nos bastidores: eu não gravei as cenas com a Mazé, personagem da Valéria Vitoriano, presencialmente. Como ela foi inserida depois, na pós-produção, eu contracenava olhando pro nada e respondendo às falas ditas pelo assistente de direção. Foi um exercício de imaginação gigante. Mas como eu já tinha trabalhado com a Valéria em O Cangaceiro do Futuro, consegui imaginar o ritmo que ela daria a cada fala e, no fim, quando vi o resultado, fiquei feliz demais com a química que apareceu na tela, mesmo sem a gente ter estado juntas em cena.
No geral, o mais divertido foi equilibrar tudo isso: a energia física, a sagacidade, o humor que nasce da relação dela com os outros personagens. A Divina é uma agente secreta nada óbvia, e foi justamente isso que me encantou em construí-la.
E: A Amália, de O Cangaceiro do Futuro, continua sendo lembrada pelo público. O que esse papel representou para a sua carreira e para você pessoalmente?
M: A Amália foi uma personagem muito especial na minha trajetória. Quando recebi a notícia de que tinha passado no teste, eu já sabia que seria uma experiência única, porque era uma série da Netflix com esse olhar para o Nordeste, mas ao mesmo tempo com uma pegada de aventura, comédia e fantasia. Estar dentro de uma produção com esse alcance foi muito marcante.
Para minha carreira, a Amália representou visibilidade. Foi a primeira vez que eu senti a repercussão imediata de ter um trabalho chegando em tantas casas ao mesmo tempo, com pessoas do Brasil inteiro assistindo e comentando. Foi uma porta que se abriu pra que outros trabalhos viessem depois, inclusive o próprio CIC. E até hoje eu sinto esse retorno do público. No meu TikTok, por exemplo, a pergunta que mais recebo é: “cadê a segunda temporada de O Cangaceiro do Futuro?”. Vários trechos da série ainda viralizam por lá, e eu fico muito honrada com esse carinho todo. Então, sem dúvida, a Amália vai ficar pra sempre no meu coração. Foi um divisor de águas, um presente que me trouxe aprendizados, novos caminhos e muito orgulho de ter feito parte desse projeto.
E: Você já contou que sua mãe esteve presente em cada passo da sua paixão pela arte, seja te levando ao cinema ou incentivando seus sonhos. O quanto esse apoio foi fundamental para que você acreditasse na sua carreira?
M: Minha família sempre foi fundamental em tudo, sempre me apoiaram. Mas mainha foi ainda mais, porque ela é apaixonada por cinema. Lá em casa a gente tinha aquele hábito gostoso de alugar filmes e séries, maratonar juntos, fazer pipoca e depois comentar como se fôssemos críticos de cinema. Esses momentos marcaram minha infância e plantaram a sementinha de querer estar nesse universo.
Desde pequena, mainha me ensinou a ser forte, a ter autoestima e coragem pra correr atrás dos meus sonhos. Ela me fez acreditar que eu poderia ser o que eu quisesse, mas sempre deixando claro: não ia ser fácil, eu teria que trabalhar muito, até porque eu não nasci herdeira. Então, quando decidi seguir carreira artística, claro que ela ficou preocupada, porque é uma trajetória cheia de desafios e incertezas. Mas, mesmo assim, nunca deixou de me encorajar, mesmo sabendo que essa escolha me levaria a morar muitos quilômetros de distância dela. Foi ela quem me deu coragem de acreditar que dava pra tentar, que eu tinha o direito de perseguir esse sonho.
Eu admiro demais minha mãe, porque pela história de vida dela sei que é uma mulher muito forte, que não desiste fácil. Isso sempre me inspirou. Tenho certeza de que muito da minha resiliência vem dela. Ela acompanha tudo que eu faço. Assiste, comenta e até avalia minha atuação. Ela jura que é imparcial, mas sei que não é nada… porque sempre acha que eu sou a melhor. Mãe, né? Então, com certeza, tudo que vivo hoje na carreira tem muito dela junto. Sem esse amor e esse apoio, talvez eu não tivesse acreditado tanto em mim mesma.
E: Sendo baiana e nordestina no mercado do cinema, como você encara essa representatividade e o fato de levar suas performances para o mundo?

M: É algo que eu carrego com muito orgulho. Durante muito tempo, a gente viu o Nordeste sendo colocado em caixinhas, reduzido a estereótipos. Hoje, poder estar em produções que chegam ao Brasil inteiro e até fora do país, com personagens complexos e potentes, é muito especial. Eu sinto que cada papel que faço também abre um espacinho a mais nessa representatividade. Seja a Amália, em O Cangaceiro do Futuro, com aquele sotaque do sertão cearense, seja a Divina, em CIC, com o sotaque de Fortaleza e todo o visual moderno dela… são personagens diferentes, mas que mostram justamente a diversidade do Nordeste. Não existe uma única forma de ser nordestino, e isso é muito bonito de levar pra tela.
E quando essas histórias ganham o mundo, eu fico emocionada. Porque não é só sobre mim, é sobre um coletivo. É sobre mostrar que o nosso cinema é diverso, que nossas narrativas têm força e que o público se reconhece nessas vozes. Então, pra mim, essa representatividade não é só uma responsabilidade, mas também uma alegria enorme.
CIC – Central de Inteligência Cearense, segue em cartaz nos cinemas brasileiros. Então, se você ficou curioso para conhecer mais sobre a Divina, essa é a oportunidade ideal.
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Texto revisado por Larissa Couto










