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Fotos: divulgação/Gira Lister

Entrevista | Gabriela Amerth fala sobre sua trajetória para o estrelato em Hollywood

Em entrevista ao Entretetizei, Gabriela fala sobre a jornada de resiliência e representatividade que levou a atriz brasileira ao reconhecimento internacional

A história de Gabriela Amerth, a mais nova estrela brasileira a conquistar as telas internacionais com o filme Brownsville Bred, é um testemunho de perseverança, talento e estratégia. Em uma entrevista exclusiva, a atriz compartilhou os altos e baixos de sua jornada, desde os “quases” no Brasil até o êxito em Hollywood, e como se prepara para papéis complexos que ecoam na comunidade latina.

Leia na íntegra: 

Entretetizei: Como foi para você receber a notícia de que estaria no elenco principal de Brownsville Bred após tantos testes e tentativas?

Gabriela Amerth: Pulei de felicidade. Sempre achei que iria chorar com o meu primeiro sim, mas só sabia rir, pular e celebrar. Liguei pra minha mãe e irmã ao mesmo tempo, vibramos muito. A emoção só bateu mesmo no dia que recebi o primeiro call sheet, aí sim lembrei de tudo e chorei copiosamente.

E: Antes de chegar ao cinema internacional, você enfrentou a realidade de muitos artistas no Brasil: a dificuldade de viver da arte. Em que momento você sentiu que precisaria buscar outro caminho fora do país?

GA: Apesar de sempre ter imaginado fazer carreira fora, tentei bastante no Brasil. Quase fiz The Voice, quase fiz Les Miserables, quase fiz Sweeney Todd, quase fui assinada por agências, muitos olheiros pegaram minha informação no showcase da CAL… Tive várias traves, então decidi tentar por seis meses depois de me formar na faculdade. Depois de uma das minhas rejeições mais sofridas, na última fase da seleção de um musical, decidi procurar cursos curtos pra fazer nos EUA. O resto é história. 

E: O que você diria para jovens artistas brasileiros que sonham com uma carreira internacional, mas enfrentam dificuldades como você enfrentou? 

GA: Seja estratégico. Seja o melhor artista que você pode ser, mas também busque entender o lado prático e burocrático dos seus sonhos. Junte dinheiro se puder. Faça vaquinha. Pergunte pra quem sabe. Se ofereça pra ajudar e aprender com alguém que já tenha feito o que você quer fazer. Aprenda a língua. Do jeito que puder…

Se for curso ou YouTube ou assistindo filmes ou vendo vídeos em mídias sociais. Tive uma vida classe média com instabilidade financeira, e ainda assim foi difícil, então sei que muitos brasileiros que sonham com isso terão ainda mais dificuldades do que eu tive, e o maior desafio é lidar com a instabilidade emocional e financeira de perseguir essa carreira. Mas eu acredito que sempre há um caminho pra quem é absolutamente determinado.

E: Você pretende continuar atuando nos Estados Unidos ou sonha também com projetos no Brasil?

GA: Quero seguir construindo carreira aqui, principalmente depois de passar por tanto, não me vejo abandonando esse caminho, mas sonho em fazer novela. Cresci sonhando com isso, e esse sonho segue vivo. Acho que vai ser tão especial pra mim quanto pra minha família. Admiro tantos artistas brasileiros. Sigo completamente aberta para produções brasileiras. Seja na TV ou no cinema. Idealmente, gostaria da liberdade de ir e vir pra trabalhar.

Fotos: divulgação/Gira Lister
E: Em Brownsville Bred, você interpreta Elizabeth, uma personagem neurodivergente. Como foi o processo de preparação para dar vida a ela com sensibilidade e autenticidade?

GA: Tentei abordar da maneira mais humana e respeitosa possível. Tive cautela, e não quis usar de impedimentos físicos ou de fala. A primeira coisa que pensei foi não trabalhar com referências visuais, foquei em estudar sobre o assunto, vivências reais, e na humanidade de Titi. Com frequência, pessoas neurotípicas colocam a deficiência na frente da pessoa. Enxerga-se a deficiência imediatamente, e só depois quem se é.

O que veríamos se olhássemos primeiro para a humanidade de todos? Titi, como eu a vejo, é curiosa, aberta aos sentimentos dela, não os restringe ou tenta esconder — como adultos que foram forçados a se encaixar em um molde social , tem respeito por autoridade, mas uma vontade reprimida de explorar a vida. É afetuosa e ama muito. Para a fala, pensei em usar um registro mais alto, misto de cabeça, principalmente no primeiro pedaço do filme.

De certa forma, se ela aprende sobre o mundo com Elaine, talvez haja uma incorporação de seu tom de fala pela quantidade de tempo que passam juntas. Como bons amigos que começam a usar expressões parecidas ou rir parecido.

Depois olhei mais pra dentro. Aonde em mim existe sentimento que se expressa sem julgamentos externos? Quando me permito ser completamente? Para a segunda parte, vi vídeos de Titi e fiquei feliz da intuição da voz ter correspondido à realidade. Ainda assim, preferi não usar de imitações de forma, acho que o fazer seria desrespeitoso. Peguei apenas dois momentos muito específicos da Titi real, quando ela dança e uma repetição de movimento do dedão em momentos que pensa, ou se sente ansiosa. Queria honrá-la de alguma forma.

E: Como foi seu processo de adaptação cultural nos Estados Unidos e quais foram os maiores desafios e aprendizados ao longo dessa trajetória?

GA: O lado social foi mais difícil que o profissional. A impressão que eu tenho é que aqui as pessoas sentem diferente. As relações não se aprofundam com tanta facilidade. Acho que a cultura de transação reflete no pessoal. Tudo tem um propósito, apenas “bater papo” não é tão comum como no Brasil. É uma cultura bastante individual. Acho que também vem da exaustão de viver para o trabalho. Brasileiro sabe ser feliz.

Mas aprendi que jeitos diferentes de viver são apenas isso, jeitos diferentes de viver. Todo ser humano tem suas dores, inseguranças, sonhos, amores… Tento sempre lembrar disso em momentos que não me sinto pertencente. Meu lema é “ninguém aqui importa, e cada um é muito importante.”

E: Como mulher brasileira e latina, o que significa para você ocupar um espaço raro em Hollywood e lançar um projeto como Brownsville Bred, com impacto tão forte na comunidade latina?

GA: Significa tanto. Acho importantíssimo. O filme é uma carta de amor à família de Elaine e a Porto Rico. Apesar de nunca ter ido ao país, nossas culturas estão tão interligadas que é impossível não sentir orgulho. Quando vejo a avó de Elaine na tela, penso imediatamente na minha. A salsa me remete ao samba. Latinos são 20% da população nos EUA.

O último estudo sobre percentual de personagens latinos nos cinemas aqui em 2023 mostrou que 5.5% dos personagens com fala eram latinos. Há muito que melhorar, então fazer parte desse filme é muito importante pra mim. Assim como minha participação no filme Música, de Rudy Mancuso, também foi. Particularmente em Brownsville Bred me sinto ainda mais orgulhosa de fazer um personagem que tem tanta profundidade.

E: Se você pudesse conversar com a Gabriela de 11 anos que estava começando no teatro, o que você diria para ela hoje?

GA: Sentir muito é um presente. Por muito tempo você vai se sentir inadequada, mas ter a sensibilidade aflorada é o que vai te fazer chegar aonde você quer ir. Confie nos seus sentimentos. Ninguém vem de cima num cavalo branco te buscar e te levar até o seu sonho. É você por você mesma e as pessoas que te amam ao seu redor, mas isso vai te dar uma força inexplicável e um senso de realidade essencial.

O que achou da entrevista com a Gabriela Armeth? Você se identificou com alguns de seus desafios? Conte pra gente e nos siga nas redes sociais do Entretetizei — Facebook, Instagram e X — para não perder as novidades no mundo do entretenimento e muito mais! 

 

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Texto revisado por Karollyne de Lima

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