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Foto: divulgação/Gisele Fortes

Entrevista | Gisele Fortes e a escrita de uma comédia romântica ambientada em Seul

Autora tece comentários sobre o novo livro e carreira no mundo literário 

Em Meninas Céticas Compartilham Guarda-Chuvas, a escritora Gisele Fortes constrói uma narrativa repleta de vulnerabilidade, amizade e autoconhecimento. O livro, publicado pela Editora Alta Novel, promete trazer o melhor das novelas sul-coreanas em suas páginas. Para o cenário da história, ela optou pela vibrante capital da Coréia do Sul, inspirada pelos k-dramas que tanto ama.  É  assim, entre cafeterias recônditas, estações de metrô lotadas e ruas movimentadas, que essa comédia romântica se desenrola, levando o leitor para cartões-postais como o Rio Han, a Biblioteca Starfield, o Palácio Gyeongbokgung e a Namsan Tower. 

Na obra, o leitor conhecerá Manuela e Alice, que, embora melhores amigas, têm visões divergentes sobre o amor. No entanto, quando elas saem do Brasil com destino a Seul, acabam se deparando com muito romantismo. Manu é uma editora de livros de terror; não quer saber de romance e está completamente focada na carreira. Deseja ter o controle de tudo, sofrendo as consequências psicológicas que isso pode trazer. A romântica Alice, por sua vez, acredita que o amor surge sem pedir licença, tal como nos dramas sul-coreanos. Longe do país de origem, Manuela conhece Ji-hoon, que a fará encarar seu medo de amar e de sonhar. Já Alice, até encontrar o gentil Seok-jin, precisa perceber que o amor, quando não é ficcional, demanda presença e escolhas responsáveis.

O enredo de Gisele Fortes oferece uma imersão aos costumes sul-coreanos – inseridos em um romance slow burn cheio de referências a novelas e a músicas de K-pop. Em entrevista ao Entretetizei, a autora fala sobre o concebimento da história, suas principais inspirações e o papel da comédia romântica para a reflexão de temas profundos. Confira.

Foto: divulgação/Editora Alta Novel/Entretetizei
Entretetizei: Como você descreveria sua jornada como escritora até agora? 

Gisele Fortes: Embora a paixão pela literatura tenha surgido muito cedo, com apenas nove anos, acabei fazendo escolhas profissionais que me afastaram do meu sonho. Só fui retomá-lo na pandemia, aos 40 anos. E talvez por ter adiado tanto aquilo que era inevitável, senti uma necessidade urgente de produzir, aprender e evoluir na carreira. Brinco que os últimos cinco anos representaram quase duas décadas de trabalho: estudei incansavelmente, fiz mentorias com os melhores profissionais do mercado, me aventurei no mercado independente, publiquei dez livros e conquistei uma editora tradicional, que era o meu maior objetivo.

E: Como surgiu a ideia de ambientar uma comédia romântica brasileira em Seul?

GF: Surgiu do meu vício em k-dramas. Comecei a assistir às produções sul-coreanas e fui me apaixonando pela forma sensível com que eles contam as histórias, enaltecendo a gentileza e trazendo, de forma mágica, o amor romântico. 

Fiquei fascinada com esse universo e quis escrever uma história que o explorasse. Por isso, a ambientação em Seul foi uma escolha fundamental para o desenvolvimento dessa obra.

E: Como foi o processo de construção das protagonistas Manuela e Alice?

GF: Foi muito divertido e, também, bastante desafiador. Ao mesmo tempo que eu dava risadas com a escrita de algumas cenas das duas, precisava ter atenção redobrada para ser fiel às suas respectivas vozes, nunca descaracterizando as suas personalidades tão distintas. 

E: Que preocupações você teve ao escrever uma história ambientada em uma cultura diferente da sua?

GF: A minha maior preocupação foi mergulhar na cultura coreana, aprender curiosidades e escolher temas que fossem interessantes para o leitor. Então, foi um livro de muita pesquisa. Posso dizer, com toda a certeza, que a fase de estudos e levantamentos foi muito mais longa do que a própria fase de escrita e lapidação. Eu queria falar com propriedade sobre o tema e me esforcei bastante para isso.

Foto: divulgação/Gisele Fortes
E: O que mais te inspira na narrativa dos k-dramas? Como isso aparece na sua escrita?

GF: A maneira leve com que eles conduzem as narrativas, sem a pressa da vida moderna. Nos k-dramas, as coisas acontecem de maneira lenta e profunda, de modo que a gente mergulhe no enredo e passe a se sentir o íntimo dos personagens. Eles enaltecem a gentileza, o respeito pelos mais velhos, os instantes fofos entre os casais, sem nunca renunciar à dramaticidade nem à profundidade. Para mim, é quase uma terapia acompanhar um k-drama.

Os k-dramas me inspiram como pessoa e como escritora, aguçando a minha imaginação e trazendo ainda mais romantismo para as minhas histórias.

E: Quais são suas principais referências literárias?

GF: Eu leio todos os gêneros, mas sou realmente apaixonada por romances. Adoro desde os clássicos (como Os Maias, de Eça de Queiroz) até os contemporâneos mais comerciais. Carina Rissi, Babi A. Sette, Colleen Hoover e Jojo Moyes são alguns dos meus nomes favoritos.

E: Na sua opinião, qual é o papel da comédia romântica na discussão de temas mais profundos?

GF: A comédia romântica consegue, de maneira leve e despretensiosa, explorar debates importantes e gerar reflexões necessárias. Apesar da maior leveza da sua narrativa, os temas da comédia romântica podem – e devem – ser explorados dentro dela, entretendo o leitor, mas também deixando aprendizados para ele. 

E: Quais são as maiores dificuldades que você enfrenta hoje como escritora no mercado editorial brasileiro?

GF: Fazer as minhas obras alcançarem o grande público, apesar da imensa concorrência internacional e do preconceito que ainda existe. Por mais que seja algo que esteja mudando, ainda tem muito leitor que julga a literatura nacional menos qualificada e não dá chance a livros brasileiros. Acredito que esse é um desafio para todos os meus colegas escritores. 

E: Para você, o que simplesmente não pode faltar em uma comédia romântica?

GF: Não podem faltar várias coisas: química entre o casal, personagens que geram identificação com o leitor (a ponto de fazê-lo torcer por um final feliz), momentos fofos, cenas engraçadas e músicas que sirvam de trilha sonora para o que está sendo contado. Para mim, literatura e música sempre andam juntas. 

 

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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