Autora revela detalhes sobre a criação de universo que une alta e baixa fantasia
Coração de Gelo e Rosas, novo lançamento da escritora brasileira Babi A. Sette, marca a sua estreia na escrita de romantasias. Nos últimos anos, esse gênero que une fantasia e romantismo tem adquirido cada vez mais leitores, principalmente com o sucesso de escritores como Sarah J. Maas e Rebecca Yarros.
Conhecida principalmente pelos seus romances YA (young adult), agora Babi A. Sette conduz o leitor pelo universo de Alfehim, um reino secreto no qual magia, política e conflito entre raças se misturam. Ao decorrer da narrativa, o leitor acompanhará a trajetória de Briana, que, órfã, é perseguida por visões e lembranças de um mundo de contos de fadas. Em busca pelo seu passado, ela se debruça sobre páginas e páginas de histórias encantadas, que também são parte da pesquisa da tese de doutorado em linguística que está realizando.
É então que Ian Ferner, professor respeitado e novo orientador de Briana, surge no caminho da linguista, provocando uma faísca intensa entre os dois. Após um acontecimento traumático, os dois são conectados a um universo escondido dos humanos. O casal agora precisa enfrentar perigos constantes, revelações perturbadoras e uma paixão irrefreável. Na trama, fantasia e realidade se embaralham em um cenário de bibliotecas lendárias, profecias, paisagens magníficas e magias sedutoras, mas mortais.
E a escrita do livro teve a participação importante do público: no Instagram, a editora Galera Record realizou uma enquete perguntando qual autora deveria escrever uma romantasia. Sendo a mais votada, A. Sette aceitou o desafio e entrou de cabeça no projeto. Assim, nasceu uma duologia que será publicada em conjunto pela Verus e pela Galera, selos romântico e jovem do Grupo Editoral Record.
Em entrevista ao Entretetizei, Babi A. Sette conta quais são as principais expectativas para o lançamento do novo livro, inspirações e como foi construir um universo fantástico. Confira!

Entretetizei: Como você está se sentindo com o lançamento da sua primeira romantasia? Você sempre quis escrever algo do gênero?
Babi A. Sette: Nossa, eu estou muito animada com a publicação! É minha primeira romantasia, como você disse, e eu sonho em escrever uma fantasia há muitos anos. Então é meio que uma realização de um sonho na carreira. Eu estou muito feliz.
E: Você é uma leitora de romantasias? Você tem algum livro ou autor que te inspire mais nesse gênero?
BAS: Sim, eu leio e amo romantasia há muito tempo, é um dos meus gêneros favoritos de séries, filmes. Hoje em dia, para mim, acho que não tem como não citar a Sarah J. Maas, talvez o maior ícone da atualidade. E, mais recentemente, a Rebecca Yarros com A Quarta Asa, que arrasou também.
E: Você escreveu outras obras que não tinham elementos fantásticos. Foi preciso fazer alguma adaptação no seu processo criativo?
BAS: Eu sinto que sim, principalmente porque eu sou uma escritora muito intuitiva. Normalmente, tenho uma ideia geral, para onde vai a história, para onde vão os personagens principais e, conforme eu vou escrevendo, a coisa vai se desenvolvendo mais. Mas a minha história é bem diferente porque é uma alta e baixa fantasia. 70% do livro se passa no nosso mundo, com exceção de alguns elementos mágicos. Os protagonistas estão descobrindo um mundo paralelo e aí entra a alta fantasia. Mas é uma duologia, no primeiro volume temos essa configuração, já no segundo teremos uma alta fantasia tradicional, ele vai se passar inteiro no universo mágico.
E eu tive que criar todo esse mundo, o sistema de magia, a organização social, política, filosófica, religiosa. Uma boa parte disso eu criei antes de começar a escrever, acho que esse processo durou um ou dois meses. Então para mim isso foi muito diferente, mas eu gostei bastante. Achei que eu fosse ter mais dificuldade, porque nunca consegui planejar muito. Mas a coisa fluiu bem.
E: Na sua opinião, qual elemento da literatura fantástica a torna tão atraente para o público leitor?
BAS: Eu sinto que é o escape, a viagem para um mundo diferente, onde a magia e a presença de seres mitológicos são reais. Eu acho que a fantasia conversa muito com lendas e mitos antigos. É muito louco pensarmos que há milhares de anos os seres humanos contam histórias de criaturas mágicas. São criaturas que a gente entende que não existem na nossa realidade, mas que de certa maneira conversam com a nossa imaginação. Isso gera um fascínio. E muita gente acredita até que existam, mas que não conseguimos alcançá-los. Isso gera uma curiosidade, pensamos: “Imagina que legal seria se a gente conseguisse ter acesso a esse tipo de realidade, viver entre dragões, elfos e feéricos?”.
E: Você acha que existe algo na fantasia que pode dizer algo sobre a nossa própria realidade?
BAS: Muito! Demais! A fantasia possibilita discussões muito profundas sobre a nossa sociedade. Principalmente quando envolve conceitos políticos, posicionamentos sociais que dividem a sociedade, colocam a sociedade em guerra. Normalmente temos na fantasia guerras por poder, por ideais. A minha fantasia, especificamente, vem trazendo um tema atual. Há uma divisão social importante, grupos perseguidos, marginalizados, tratados de maneira diferente. Ao meu entender, a obra é mais completa quando aborda temas atuais.
E: O que mais te atrai no romance romântico? Para você, o que torna os livros do gênero especiais?
BAS: Primeiro que eu sou uma romântica declarada. Comecei a gostar de romances ainda criança, meu filme favorito era Romeu e Julieta. A idealização do primeiro amor, do amor romântico, do amor que tudo vence, que tudo enfrenta. Eu sempre achei isso muito legal. É óbvio que a gente vai crescendo e vai entendendo que o amor, na realidade, não é só esse amor idealizado das histórias. Para fazer um relacionamento dar certo tem que ter muito comprometimento. Eu sinto que as pessoas gostam porque, talvez, um dos grandes desafios da nossa vida seja aprender a amar. E o seu amor nas suas diversas formas. Uma história de amor normalmente não vai falar só do amor entre um casal, mas também do amor entre outras relações humanas, amigos, família.
Os livros que eu mais gosto de ler de romance vão ter desafios, situações pessoais e até interiores que podem impedir esse casal de ficar junto. Falando especificamente do amor romântico, como esse casal vai lutar pelo seu felizes para sempre. Sei que essa ideia é bastante utópica (risos) mas, como romancista, tenho que ter esperanças. Encontrar isso na literatura deixa aquele quentinho no coração, nos faz acreditar que as histórias de amor aqui fora também podem dar certo. Algumas tramas são muito distantes da nossa realidade porque você vai acompanhar um determinado tempo da vida dos personagens, e muitas vezes no período em que eles estão se apaixonando. E a gente sabe que no dia a dia, para um casamento se sustentar, precisa mais do que essa paixão, essa empolgação inicial. Mas isso é muito gostoso de ler, e amo ver os personagens vivendo essa fase tão boa, prazerosa.
E: Está muito em alta essa questão das tropes literárias, como enemies to lovers, friends to lovers. Na sua perspectiva como autora, colocar algumas histórias nessas caixinhas ajuda ou atrapalha?
BAS: Eu adoro as tropes! Sou muito suspeita, eu amo um bom clichê literário. E sou meio afixada em alguns. Aí eu fico: “Nossa, não posso escrever sobre isso de novo, não dá.” Adoro escrever grumpy and sunshine, por exemplo. Enemies to lovers é um dos meus favoritos também. Eu adoro, até porque, se pararmos para pensar, são mil tropes, muitas possibilidades para explorar.
E: Pensando em Coração de Gelo e Rosas, a produção do livro teve uma participação muito forte dos leitores. Já aconteceu da opinião ou da sugestão dos fãs influenciar a sua escrita?
BAS: Sim, várias vezes. Antes de começar a escrever O Beijo da Neve, fiz uma enquete, perguntando se as pessoas preferiam que fosse um livro com balé ou patinação no gelo. Eu queria muito escrever sobre patinação, mas como eu já havia publicado Senhorita Aurora, livro de balé que fez muito sucesso, eu tinha quase certeza de que ia dar balé. Mas deu patinação no gelo e eu fiquei muito feliz. E um tempo atrás eu fiz outra enquete perguntando se as pessoas preferiam alta ou baixa fantasia, o que deu empate. Por isso a ideia de fazer algo meio mesclado.
E: Houve referências literárias, cinematográficas ou mesmo pessoais que ajudaram na criação de Coração de Gelo e Rosas?
BAS: Sim, eu sou alucinada por contos de fadas e mitologia, em geral. Eu amo o mito de Hades e Perséfone, aí um pouco da composição dos personagens foi baseado nele. Além disso, os contos de fadas permeiam o livro de várias maneiras. A protagonista, Briana, é uma linguista. Estuda contos de fadas, mitos e as semelhanças que podem existir entre eles ao longo dos anos. Primeiro pelas tradições orais, depois quando elas passaram a ser escritas. A pesquisa dela é achar uma linguagem comum, mesmo que seja uma linguagem simbólica. As histórias são muito importantes para a protagonista porque são muito importantes para mim. Também acabei usando de referência elementos de Bela Adormecida, uma versão moderna do conto.
E: Você citou que Coração de Gelo e Rosas é uma duologia. Por que você decidiu dividir a história em duas partes? Houve algum desafio ao expandir a narrativa?
BAS: Na verdade, eu não conseguiria contar todo o arco dos personagens, a narrativa, em um livro só. Eu fechei o primeiro volume com 510 páginas. Mesmo que eu colocasse umas 200, 300 páginas, acho que ainda não seria o fim. Talvez o segundo seja até maior, é possível que o segundo livro tenha 700, 800 páginas, então será praticamente uma trilogia (risos). Mas eu sabia que um livro único não iria conseguir contar tudo.
E: E quando você olha para esse livro, o que você sente que ele representa dentro da sua trajetória como escritora?
BAS: Acho que representa uma conexão minha com os reinos mágicos que vivem na minha imaginação desde que eu sou criança. É como se fosse um portal para uma realidade mágica que vive na minha cabeça há muitos anos. Os contos de fadas sempre foram a minha paixão. De certa maneira, eu sempre acreditei na magia do mundo, do nosso mundo. E talvez a maior prova dessa magia seja a nossa capacidade de criar coisas incríveis, coisas lindas, histórias lindas. E também essa capacidade de amar, de ter sentimentos que nos elevam.
E: Se você pudesse definir o livro em apenas uma palavra, qual seria e por quê?
BAS: Mágico. É o que ele é para mim, insere a magia no nosso mundo. Conforme a personagem vai descobrindo suas origens, essa magia vai sendo inserida na realidade dela. Para mim o livro é a realização de um sonho.
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Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz @analuztraduz









