Brilhando nos palcos do teatro musical, a artista se prepara para o início da carreira solo
Nascida em São Paulo e criada em meio à arte, Júlia Sanchez trilha uma carreira marcada por trabalhos de destaque no teatro musical, e vem se consolidando como uma voz potente e autêntica.
Em junho deste ano, a artista se juntou ao elenco de Elza, premiado musical que celebra a vida e obra de Elza Soares. No palco, ela era uma das intérpretes do talento, força e sensibilidade de uma das vozes mais emblemáticas da música brasileira. Depois dessa experiência, Júlia mergulhou em uma nova jornada, integrando o elenco de Vital – O Musical dos Paralamas, uma homenagem à banda que marcou gerações.
Paralelamente ao seu trabalho no teatro, Júlia dá passos em direção a uma nova fase artística. Com o single Meu Ascendente é Escorpião, a cantora inicia sua carreira solo e apresenta ao público sua essência. A faixa é o pontapé para um EP que tem lançamento previsto para o primeiro semestre de 2026.
Em entrevista ao Entretetizei, Júlia falou sobre carreira e sua entrada no mundo da música como artista.
Entretetizei: Você começou sua vida artística ainda na infância, o que fez você se interessar pelos palcos? Alguma produção, música ou artista te inspirou a começar?
Júlia Sanchez: Sempre tive atividades solitárias na infância ligadas à arte, como ouvir muita música, principalmente rock e reggae, fazer teatro na escola e ser muito comunicativa no geral. Mas o start pra isso se dar profissionalmente, o desejo de trabalhar com isso, foi com o musical A Família Addams que assisti no Teatro Renault quando era adolescente. Ali foi a primeira vez que tive contato com a ideia de pluralidade artística que o teatro musical oferece: misturar música, atuação e dança dentro de uma narrativa, de uma história. Foi muito grande e impactante pra mim essa experiência e a partir dela, decidi que queria trabalhar profissionalmente com as artes do palco.
E: Como foi o processo de construção da sua identidade artística, especialmente no teatro musical, um meio que, mesmo com avanços, ainda enfrenta alguns desafios ao que se refere à diversidade racial?
JS: A minha construção de identidade artística como um todo acontece em conjunto sobre a reflexão ativa que tenho sobre a pessoa negra dentro da sociedade, percebendo as minhas individualidades e também o papel de representatividade que tenho quando subo num palco, me tornando referencial para outras pessoas pretas que vão consumir aquele produto artístico e se impactar por ele. Com isso em mente, acredito muito no teatro musical brasileiro para contar e expandir a nossa história, pra justamente com esse olhar, entender o que já está no imaginário e onde é possível expandi-lo para o presente e para o futuro.
E: Você tem vivido momentos muito potentes na sua carreira. Como se sente percebendo que seu trabalho está sendo reconhecido e abrindo caminhos para novos projetos?
JS: Eu sempre digo que minha carreira artística é um projeto em conjunto com a minha mãe, que sempre foi minha maior apoiadora em todos os sentidos possíveis. Então, alcançando esses lugares me sinto muito feliz e agradecida que todo o estudo, as batalhas, os esforços, as inspirações e todo esse projeto de vida que uma carreira artística exige de mim e de nós está cada dia mais abrindo novas janelas no presente e no futuro.
E: O que significou para você representar no teatro uma figura tão importante e poderosa como Elza Soares?
JS: Elza surgiu pra mim em um momento onde não estava me sentindo bem comigo mesma, me sentindo muito sozinha e até desamparada, emocionalmente muito confusa também. Então, através desse trabalho, de ter essa responsabilidade de interpretar Elza Soares, aprender e personificar sua história, realizando todo esse processo junto com outras seis mulheres pretas extremamente potentes, me fortaleceu de uma maneira muito profunda e transformadora de fato. A ancestralidade está sempre comigo, não ando só. Elza me fez tomar consciência e presença sobre isso. É algo que vou levar pra vida inteira, foi uma mudança de chave pra mim. Uma fonte de inspiração e resiliência que sinto atravessar os tempos e ser motor para nós, mulheres pretas.

E: Você está no elenco de Vital – O Musical dos Paralamas. Antes disso, já tinha uma relação com a obra dos Paralamas?
JS: Sempre admirei muito o Herbert Vianna principalmente como compositor dentro do Paralamas e também escrevendo para outros artistas. A maneira dele articular as ideias de uma forma tão simples e ao mesmo tempo profunda sempre me encantou e entrar em contato mais aproximado com isso por conta do espetáculo me inspira bastante. E dentro do musical, tenho a oportunidade de interpretar Alice, uma mulher preta que é cineasta, tem um romance com o Herbert mas também tem o foco em sua carreira no cinema. Isso é muito importante e evidencia a questão e importância de ampliação do imaginário que comentei em outra pergunta.
E: Você vai lançar seu primeiro single autoral, Meu Ascendente é Escorpião. Como nasceu a ideia para essa música e quais foram suas inspirações?
JS: Meu processo em relação a música geralmente começa na composição, na letra, na história que eu quero contar com aquilo. E em Meu Ascendente é Escorpião, a letra nasce de um romance que vivi com outra mulher e de como aquilo era bom. Gosto e acho importante falar sobre alegria, boas sensações em relações queer, afirmando que a felicidade também nos pertence. Sobre a sonoridade pro texto virar música, quis fazer uma mistura de pop, rock e blues, influências que me acompanham bastante. Com isso, convidei o André Papi para produzir a faixa e ele trouxe justamente essa proposta solar e leve que a música carrega.
E: O que esse single representa na sua trajetória?
JS: Meu Ascendente é Escorpião representa minha entrada de fato no mundo da música como artista, isso é muito emocionante. É um amuleto de boa sorte pro que está por vir. Por ser solar, me traz uma sensação de boa sorte e entusiasmo no lançamento do projeto como um todo. É uma música de verão, pra se ouvir junto, pra se curtir e aproveitar com quem se gosta. Fiz essa escolha para o início da minha carreira solo por conta dessa energia despretensiosa e ao mesmo tempo forte que ela carrega, que imprime a essência do que sou e do que almejo artisticamente, os contrapontos e contradições que tornam tudo mais interessante e de como desejo construir minha história na música.
E: Como se sente iniciando uma nova fase da sua carreira na música?
JS: A música sempre foi meu primeiro e maior amor. É minha maneira de me comunicar, de pensar, de processar as experiências, de imortalizar, de me expressar nesse mundo e de me conectar com as pessoas; ela me dá muitas forças. A bagagem que carrego tendo tido a oportunidade de conhecer outros universos através do teatro faz com que eu entenda melhor o meu próprio mundo e minhas próprias criações, o que nasce da fusão entre essas duas coisas é muito poderoso e único. Por conta de tudo isso, me sinto empolgada com tudo o que estou produzindo e o que já está pronto para 2026, com aquele frio na barriga e com muita vontade de saber como minhas criações ressoam nas pessoas. Ser agente de transformação assim como fui transformada pelo som.
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Texto revisado por Alexia Friedmann









