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Foto: divulgação / Olivia Rose Darling

Entrevista | Olivia Rose Darling discute sobre dragões e a escrita de romantasias

Autora reflete sobre o fascínio em torno das criaturas mitológicas e qual a importância delas nos seus livros 

A Fúria das Chamas, da escritora norte-americana Olivia Rose Darling, é uma romantasia que explora a mitologia fantástica dos dragões, ao mesmo tempo em que aborda temas como vingança, conflitos políticos e traumas familiares. O livro, que chegou aos leitores brasileiros em julho de 2025, é o primeiro de uma quadrilogia ambientada no reino fictício de Imirath. 

Darling revela que, apaixonada pela saga O Senhor dos Anéis, de J.R.R Tolkien, sempre amou os dragões e sua figura enigmática. A autora é formada em língua inglesa com especialização em Escrita Criativa, e diz que a profissão das letras a atraiu como nenhuma outra. 

A obra acompanha a jornada de Elowen Atarah, uma princesa que tem o destino alterado quando cinco ovos de dragão eclodem diante dela. Os dragões não são avistados em Imirath há eras, desde os tempos em que os deuses andavam lado a lado aos mortais. Agora, Elowen ostenta um vínculo mágico e inquebrantável entre ela e as criaturas — o que acaba deixando o rei aterrorizado. Por isso, ao tentar destruir essa conexão, o soberano provoca a morte da rainha e prende Elowen em um cativeiro. 

Anos se passam até que ela consiga fugir da prisão. Adulta, ela deseja voltar, recuperar seus dragões — que ela considera sua verdadeira família — e se vingar daqueles que lhe fizeram mal. A princesa então se alia a Cayden Veles, comandante implacável do reino Vareveth. Uma aliança estratégica, que aos poucos se transforma em um relacionamento intenso e carregado de tensão. 

Olivia Rose Darling também constrói uma narrativa que reflete sobre a ideia de família construída: as relações mais importantes nem sempre são feitas pelos laços sanguíneos, mas pelas experiências com os companheiros no campo de batalha. 

Em entrevista, a autora comenta sobre a trama, inspirações e o processo de escrita de romantasias. Confira!

Foto: divulgação / editora Plataforma21
Entretetizei: A Fúria das Chamas nos leva a um mundo repleto de magia, dragões e rebeliões. O que inspirou a criação de Imirath e a sua mitologia? 

Olivia Rose Darling: Sempre amei mundos grandiosos de fantasia e mitologias detalhadas que pavimentam o caminho para expansões futuras. Acho que todos os detalhes dentro de um universo são importantes — dos pequenos aos grandes, algo que realmente permite a imersão do leitor em determinada obra. Eu me diverti muito expandindo o universo em Wrath of the Dragons (segundo volume), mostrando todos os reinos e como eles estão interligados. Cresci assistindo e lendo fantasia, então é muito divertido adicionar o meu próprio trabalho ao gênero.

E: Os dragões desempenham um papel emocional central na vida de Elowen. Por que você acha que os leitores — principalmente jovens mulheres — são tão fascinados por essas criaturas em livros de fantasia? 

ORD: Sou atraída por eles desde pequena. Uma das minhas primeiras exposições aos dragões foi com Como Treinar Seu Dragão (2003) e sou uma garota dos dragões desde então. Não posso falar por todas as mulheres e por que são atraídas por dragões, mas para mim é uma questão de perspectiva. Tantas pessoas dizem que eles são monstros assustadores, mas isso não os faz monstros de verdade. São criaturas com almas e amo mostrar isso. 

E: O elo entre Elowen e os dragões é descrito como mágico e inquebrável. Você pode falar mais sobre a natureza dessa conexão e o que ela simboliza? 

ORD: O elo de Elowen com os seus dragões simboliza que o amor suporta tudo. Não importa o que eles passem ou o que passarão, existem coisas que nunca poderão ser tiradas de nós. A Elowen é uma mulher que teve a própria vida e liberdade arrancados dela, então eu quis dar algo que ninguém poderia tirar dela. 

E: Umas das tropes mais antecipadas em romantasias é o enemies to lovers (inimigos a amantes). O que faz da dinâmica dos protagonistas intensa e emocional? 

ORD: Não considero Elowen e Cayden enemies to lovers; sempre os considerei aliados a amantes. Eles ainda têm muita tensão, mas acho que ela vem mais de quem Elowen e Cayden são como indivíduos do que de onde eles estão na trama, considerando que estão do mesmo lado. A parceria deles surge porque odeiam a mesma pessoa — Garrick Atarah — e estão unidos contra ele.

E: Como você balanceou a tensão romântica com a abordagem de temas mais sensíveis, como vingança, cativeiro e traumas? 

ORD: Acredito que o equilíbrio venha do fato de que Elowen e Cayden foram traumatizados pela mesma pessoa. Os seus traumas individuais moldaram quem eles são e, para ficarem juntos, precisam se entender mutuamente. Amei escrevê-los se comunicando através das suas sombras e entendendo as motivações um do outro. E, quando eles finalmente ficam juntos, é com o total conhecimento de que eles se aceitam por quem são. Eles nunca pedem para o outro mudar, apenas para caminhar por aquela escuridão lado a lado. 

E: Se você precisasse descrever o relacionamento entre Elowen e Cayden em três palavras, quais seriam? 

ORD: Paciente, incondicional e inquebrável.

E: Elowen não encontra o verdadeiro amor por meio de laços sanguíneos, mas junto daqueles que lutam ao seu lado. Por que é importante para você desafiar a ideia de “família” nesse sentido?

ORD: Amo a ideia de que a família pode ser construída. Muitas pessoas não encontram amor incondicional nos seus lares de nascimento, mas ainda o merecem e esperam encontrá-lo. Quando você encontra as suas pessoas, o mundo se torna um lugar lindo. Também penso que existem muitos grandes amores que são platônicos e amei mostrar isso. 

E: Qual foi a parte mais desafiadora em trazer A Fúria das Chamas à vida? 

ORD: Às vezes tenho uma ideia, e tenho que me forçar a não executá-la naquele momento, quando sei que vai se encaixar melhor em um livro futuro da série. Também tenho dificuldade em manter os segredos da trama; há momentos em que quero simplesmente contar aos meus leitores para que possamos discutir juntos.

E: Existem livros, autores ou até músicas que influenciaram sua escrita ao desenvolver a história?

ORD: Amo escutar o compositor Ramin Djawadi enquanto escrevo, porque acho que ele captura grandes epicenos dentro de seu trabalho. Nem sempre escuto canções com letras, porque confundem o meu processo de pensamento, mas alguns dos meus artistas favoritos são Hozier, Arctic Monkeys e Florence and the Machine. Também amo a música Iris (1998), do Goo Goo Dolls, e a escutei sem parar enquanto escrevia uma confissão de amor.

E: Sua trajetória inclui uma graduação em Escrita Criativa e o amor por O Senhor dos Anéis (1954 – 1955). Como as suas experiências acadêmicas e pessoais moldaram a sua abordagem ao escrever fantasia? 

ORD: Sempre digo que não é necessário um diploma para ser um escritor. Quando eu era mais jovem, nunca me atraí por nenhuma outra profissão, e sou grata pela oportunidade de estudar o ofício. Acredito que as partes mais benéficas foram as críticas que recebi de colegas, que me ajudaram a aprimorar minha prosa, além das aulas de poesia que tive. 

Em relação ao meu amor por O Senhor dos Anéis, assisti aos filmes pela primeira vez tão nova que nem me lembro de um tempo em que não fui apaixonada pela Terra Média. A fantasia me moldou como pessoa e não sei quem eu sou sem ela. 

E: A Fúria das Chamas está agora alcançando os leitores brasileiros. Como você se sente acerca do lançamento internacional — e você tem uma mensagem para os seus fãs?

ORD: Sim, eu tenho! Quero agradecê-los por serem tão generosos e fiéis ao meu trabalho desde quando era um livro independente. Sei que vocês estavam esperando por essa tradução há muito tempo, e eu não poderia estar mais feliz de ela finalmente estar aqui! Estou enviando todo o meu amor e espero que vocês aproveitem a estadia em Ravaryn.

E: Com todo o sucesso em torno da romantasia no momento, o que você acha que faz A Fúria das Chamas se destacar? 

ORD: Amoo muitos livros do gênero por diversos motivos, e penso que a resposta a essa questão dependerá do leitor. Para mim, como eu disse antes, não é uma história de enemies to lovers, e eu não li muitos livros em que os protagonistas eram parceiros de crime, então espero que outras pessoas se sintam assim também. 

E: Você pode nos dar uma pequena dica do que esperar no segundo volume?

ORD: A Fúria das Chamas é uma série de quatro livros. No segundo livro, você pode esperar um universo expandido, muitos dragões, um romance terno e angustiante, além de muitas reviravoltas e revelações! 

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Texto revisado por Cristiane Amarante @cris_tiane_rj

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