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Pelin Karamehmetoğlu
Foto: reprodução/Dizifilm BiZ

Entrevista | Pelin Karamehmetoğlu fala sobre curiosidades dos bastidores de Táticas do Amor e outros projetos

Em conteúdo exclusivo ao Entretetizei, a roteirista turca compartilhou curiosidades sobre Táticas do Amor e A Arte de Amar, além de abrir o jogo sobre sua carreira

Pelin Karamehmetoğlu nasceu em Bursa, Turquia, e estudou Língua e Literatura Inglesa na Universidade Uludağ. A escritora, nascida em 1974, foi responsável por obras como: İyi Günde Kötü Günde (2020), Táticas do Amor (2022), Táticas do Amor 2 (2023) e A Arte de Amar (2024), além de outros projetos. Antes de trabalhar como roteirista, trabalhou por dez anos como fotógrafa de moda.

Pelin Karamehmetoğlu
Foto: reprodução/Instagram @pelinkaramehmetoglu

Em sua primeira entrevista para o Brasil, Pelin Karamehmetoğlu compartilhou curiosidades sobre sua profissão e projetos. Veja a seguir:

Entretetizei: Olá, Pelin! Como vai? É uma grande alegria poder conversar com você. Gostaria de começar a entrevista pedindo que conte um pouco sobre sua trajetória como roteirista. O que te fez escolher essa profissão?

Pelin Karamehmetoğlu: Olá! Muito obrigada. Para mim também é super empolgante falar com vocês. Na verdade, essa história começou há muito tempo. Minha mãe me levou ao cinema pela primeira vez quando eu tinha nove anos. O primeiro filme que assisti na vida foi E.T.. Fiquei tão encantada que pensei: “Um dia também vou fazer um filme.
Por muito tempo, meu maior sonho foi ser diretora. Até o dia no qual pensei: “O filme que eu for dirigir, eu mesma preciso escrever”, e foi assim que comecei a escrever.

Quando percebi o poder de uma história – em fazer alguém sentir algo que nunca viveu, só com uma cena – entendi que precisava fazer isso. Na verdade, não fui eu quem escolheu essa profissão. Um dia, uma história me escolheu e, desde então, não consigo mais parar de escrever.

E: Como é a rotina de uma roteirista turca? Por exemplo, você participa também das filmagens?

PK: Minha rotina muda bastante. Quando estou desenvolvendo ou escrevendo um projeto, basicamente só levanto da cadeira para o essencial (sorriso). Fico o dia inteiro na frente do computador. Mas nos períodos entre o fim de um projeto e o início de outro, gosto de aproveitar minha liberdade. Estar com minha família e amigos é o que mais me nutre.

Sobre os sets de filmagem, como também sou showrunner de todos os meus filmes, estou envolvida em todas as etapas – desde a pré-produção até o momento em que o filme está pronto para o público. Isso inclui estar presente nas gravações. Claro, durante as filmagens, sigo a rotina do set, não a minha.

E: Seu currículo é realmente impressionante. Quero destacar que seus projetos são muito queridos no Brasil e na América Latina. Nesse sentido, como é para você ver suas obras ganhando reconhecimento internacional? E como se sente dando sua primeira entrevista para um site brasileiro?

PK: Ver minhas obras sendo reconhecidas internacionalmente é motivo de muito orgulho, pois quando uma história ultrapassa sua cultura e ressoa em outros lugares do mundo, isso comprova que os sentimentos são universais. Isso me faz sentir que o que quero transmitir vai além do local – toca a essência do que é ser humano. Ao mesmo tempo, esse reconhecimento traz uma responsabilidade: agora, preciso pensar não só no público do meu país, mas também em uma audiência maior. Isso me motiva a pesquisar mais, a criar com mais profundidade e cuidado.

E fazer essa entrevista para um site brasileiro é um orgulho enorme e super empolgante. Obrigada por me proporcionarem esse sentimento!

E: Falando sobre seus projetos, não podemos deixar de citar Táticas do Amor 1 e 2. Esses filmes são muito populares no Brasil – para muita gente, foi o primeiro contato com uma produção turca. O que pode nos contar sobre o processo de criação desse projeto? O resultado superou suas expectativas?

PK: O processo de criação foi bem intuitivo. Ao desenvolver a história, busquei um sentimento universal, mas não escrevi com foco direto no público internacional. Para ser sincera, nem imaginava que teria essa conexão com o público do Brasil. Então, esse carinho foi uma surpresa muito feliz. Isso me mostrou como as emoções e os conflitos, as nuances do ser humano, realmente não têm fronteiras.

Foto: divulgação/Netflix

Se superou minhas expectativas? Com certeza, e muito! Mas também me ensinou algo importante: se você fala com sinceridade e de forma autêntica, alguém, em qualquer parte do mundo, vai sentir isso.

E: Ainda falando sobre Táticas do Amor, na sua opinião, qual é o segredo para que um filme ou série ultrapasse fronteiras e se torne um sucesso global?

PK: Acho que o segredo está em ser ao mesmo tempo local e universal. A história precisa ter raízes no seu próprio solo, mas também deve ser capaz de alcançar outros cantos do mundo. Detalhes culturais são importantes, claro, porém, o que toca o público são os sentimentos: amor, luto, esperança e solidão são universais. Qualidade técnica, atuação, direção e tudo isso conta, contudo, o mais essencial é conseguir gerar uma emoção real em quem assiste.

Acredito que a sinceridade, a entrega e a crença na história fazem toda a diferença nesse tipo de sucesso.

E: Qual foi a sua inspiração na hora de criar os personagens Aslı e Kerem?

PK: Na verdade, os nomes Kerem e Aslı vêm de uma lenda popular épica do século XVI. É a história de dois amantes que enfrentam inúmeros obstáculos para ficarem juntos, exatamente como os nossos Kerem e Aslı.

Quando olho para os relacionamentos de hoje, vejo algo bem diferente: muitas vezes, os sentimentos são substituídos por táticas, e os instintos, por estratégias. Percebo que essas abordagens calculadas acabam dificultando uma conexão verdadeira, e muitas vezes tornam os relacionamentos insustentáveis. O amor só faz sentido quando é vivido com autenticidade. Foi essa percepção que me inspirou a escrever Táticas do Amor.

E: Você poderia compartilhar conosco alguma lembrança dos bastidores? O elenco também é bastante querido no Brasil.

PK: Tenho muitas lembranças, mas como roteirista, a que mais me marcou foi a icônica cena do balão em Táticas do Amor 1. Primeiro, preciso agradecer de coração a todos os atores por acreditarem nesse projeto tanto quanto eu e se entregarem às cenas, especialmente Demet Özdemir e Şükrü Özyıldız.

Essa cena teve um longo processo de planejamento. Como nunca havia sido feita uma cena com balões de verdade, ficamos em dúvida se deveríamos usar chroma key ou filmar em ambiente real, mas eu insisti muito para que fosse tudo natural e, no fim, convenci toda a equipe. Tudo foi preparado para a gravação na Capadócia.

No dia da gravação, os balões que deveriam decolar por volta das 4h30 da manhã não puderam subir por conta das condições climáticas. Foi aí que percebi o quanto essa cena podia ser perigosa. Remarcamos tudo, passamos horas no local, de madrugada, esperando a autorização de voo com a bandeira verde. Mesmo sendo verão, fazia muito frio e a Demet estava com um vestido leve, subindo a centenas de metros de altura.

Com o risco do clima mudar a qualquer momento, até considerei jogar toda a cena fora e me peguei implorando para a Demet e o Şükrü não entrarem no balão. Porém, eles foram tão profissionais e determinados que acabaram me consolando e me convenceram a seguir com a cena. Lembro que, enquanto eles subiam, eu dizia para mim mesma: “Nunca mais vou escrever uma cena dessas.”

E: A Arte de Amar também foi um dos seus projetos que conquistou público no mundo todo. Como foi o processo de escrita e sua experiência com esse filme?

Pelin Karamehmetoğlu
Foto: reprodução/Netflix

PK: Fazer um filme de ação era um sonho antigo. A Arte de Amar é muito especial pra mim, não só por ser um novo gênero, mas porque quis experimentar algo diferente também do ponto de vista estético. Durante a escrita, o entusiasmo da equipe da Netflix Turquia foi essencial para transformar esse sonho em realidade. Eu queria muito que o filme se diferenciasse das produções de ação já feitas na Turquia. Por isso, fiz questão de trazer elementos como arte e pintura para o roteiro, o que exigiu uma fase de pesquisa intensa.

Na verdade, é isso que mais me encanta nesse trabalho: pesquisar, mergulhar em novos universos, aprender. Às vezes, essa etapa dura até mais que a própria escrita, mas a dedicação aos detalhes dá força e originalidade à história.
A ideia de A Arte de Amar estava na minha cabeça há muito tempo. Queria contar uma história capaz de unir amor e tensão, no entanto, sem cair em clichês, mantendo profundidade nos personagens. Foi um processo empolgante, porque os conflitos dos relacionamentos e os dilemas internos de cada personagem carregam a narrativa.

O protagonista, por exemplo, além de viver um romance, está em constante confronto com seus próprios limites morais. Isso trouxe um peso emocional ao roteiro. Confesso não ter esperado que o filme tivesse tanta repercussão internacional, mas o segredo está aí: por mais que a gente busque ser original, quando tocamos emoções universais, a história atravessa fronteiras naturalmente. Esse projeto foi um divisor de águas pra mim, criativa e profissionalmente.

E: Os personagens Güney e Alin foram inspirados em pessoas reais?

PK: Sim, tanto Güney quanto Alin foram criados com base no cotidiano. Eles carregam traços de pessoas à minha volta, das minhas observações e, claro, da minha própria vivência interna. Tentei torná-los universais, próximos do público. Porque, para alguém se conectar com um personagem, é preciso enxergar nele algo familiar. Güney traz conflitos internos, enquanto Alin tem um jeito muito próprio de lidar com o mundo. Ambos têm raízes na vida real, mas eles não são cópias de ninguém. Evoluíram para se tornarem figuras únicas dentro da história.

E: Qual foi o projeto mais desafiador da sua carreira até agora

PK: Todos os meus projetos tiveram seus desafios, mas existe um, que ainda não foi lançado, que realmente me exigiu muito. O enredo, a estrutura narrativa e a transformação psicológica dos personagens foram extremamente complexos. Entre os já conhecidos, destaco a série Atiye. Foi um trabalho muito desafiador, por causa da profundidade da pesquisa e da complexidade do roteiro.

E: E futuramente, podemos esperar novos projetos assinados por Pelin Karamehmetoğlu?

PK: Com certeza! Estou preparando uma nova série para a televisão, que marca meu retorno ao mainstream — algo que decidi pausar por um tempo. Acredito muito nesse projeto. Além disso, fazer cinema sempre terá um lugar especial no meu coração, tenho alguns filmes em desenvolvimento e outros já prontos. E quem sabe… pode vir aí uma série digital também.

E: Por fim, quais conselhos você daria para quem está lendo esta entrevista e deseja seguir o mesmo caminho profissional que você?

PK: Para todos que escolherem esse caminho, meu primeiro conselho seria: se você realmente tem algo a dizer, comece a escrever. Ser roteirista não é apenas uma habilidade técnica, é também uma postura e uma forma de dizer algo ao mundo. Leiam muito, observem e não percam a conexão com a vida. Haverá dificuldades, você será rejeitado muitas vezes, mas não desistir é a parte mais importante disso tudo. E mais uma coisa muito importante: não tentem agradar a todos. Encontrem a sua própria voz, porque é exatamente isso que vai te manter firme.

 

Você já assistiu alguma obra da Pelin? Ela é uma roteirista super talentosa! Nos conte se tem algum roteirista que você gostaria de ver por aqui, e nos siga nas redes sociais do Entretetizei – Instagram, Facebook, X – para mais novidades sobre a cultura turca. 

 

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Texto revisado por Larissa Suellen

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