O Entretê conversou com a rainha das novelas das sete
Rosane Svartman. Talvez esse nome não signifique muito para algumas pessoas, mas se começarmos a citar a Karina, o Pedro, Bruno, a Fatinha, Eliza, Paloma, o Alberto, a Sol e o Ben, quem sabe a cara leitora não comece a recordar de quem estamos falando.
Conhecida por criar tantos célebres personagens, Rosane Svartman é uma das autoras mais queridinhas da bolha noveleira. Já escreveu duas temporadas de Malhação (1995 – 2020) e depois migrou para as novelas das sete, de onde não saiu mais.
Uma das mentes por trás do sucesso de Totalmente Demais (2015 – 2016), Bom Sucesso (2019 – 2020), Vai na Fé (2023) e Dona de Mim (2025) bateu um papo muito especial com o Entretetizei. Falou sobre a sua rotina puxada para dar conta de tudo, o que faz para desanuviar a mente e, claro, o seu amor pelo audiovisual.
Entretetizei: Você sempre diz que todo novo trabalho é como se fosse o primeiro, o nervosismo continua ali. Você tem alguma técnica para sanar isso?
Rosane Svartman: Sim, continuo nervosa e ansiosa a cada novo trabalho. Cada projeto é como se fosse o primeiro. O que me ajuda é entender minhas limitações e manter a escuta ativa, ser permeável, não ter certezas absolutas, mas saber o caminho da história que quero contar. Também carrego comigo um conselho da Glória Perez: viver. Ir ao teatro, ao cinema, conviver com pessoas diferentes, sair da bolha.
E: Em seus outros trabalhos na Globo, você fez com parceiros. Vai na Fé foi sua primeira novela solo e agora tem Dona de Mim. Qual a diferença da experiência entre as duas?
R: Escrever sozinha traz uma certa solidão, sim, mas também me permite trocar mais com os talentosos autores da sala de roteiro. Em Dona de Mim, trabalho com uma equipe diversa, o que influencia diretamente minha visão de mundo e a trama. Sinto a pressão do sucesso anterior, mas valorizo muito essa troca com outras vozes. Isso me dá segurança e enriquece a história.
E: Além de escritora, diretora, esposa e mãe, você também tem um doutorado pela UFF e ainda dá aulas. Como é a sua rotina, como consegue dar conta de tudo sem surtar? (risos)
R: (Risos) Olha, é puxado. A carga de trabalho é absurda, e a ansiedade vem junto. Tento viver intensamente cada projeto e, entre uma novela e outra, busco ter experiências fora do trabalho. Isso me alimenta criativamente. Mas sim, tem dias em que acordo com a síndrome da impostora, achando que ninguém vai se conectar com o que escrevi.
E: Suas principais protagonistas são sempre mulheres fortes, guerreiras e cheias de fibra. Você se inspira em alguém para criá-las?
R: Cada personagem nasce com um trauma, um fantasma. Eu busco criar personagens complexas e reais. Me inspiro em histórias de vida, em pesquisas, em conversas com pessoas reais. A escuta é essencial, a pesquisa traz essa oportunidade de ouvir pessoas com experiências diferentes das minhas. A trajetória de uma mulher branca não é a mesma de uma mulher negra, de uma mulher PCD, de uma mulher de 60 anos. Eu escrevo pensando nessas especificidades.

E: Com uma carreira tão longeva e tantas cenas já escritas, tem alguma que julgue ser a favorita? Aquela cena que você tem muito orgulho de ter escrito? Ou talvez um top 3?
R: É difícil escolher uma cena só. Tenho muito orgulho de Vai na Fé. A trajetória da Sol, a fé, o respeito… tudo isso me marcou muito. Mas cada novela tem suas cenas especiais. Se eu começar a listar, não paro mais.
E: Você sempre quis trabalhar com audiovisual? Lembra do momento em que soube que estava no caminho certo?
R: Não teve um momento exato, mas sempre fui muito ligada ao audiovisual. Comecei a entender que queria viver de contar histórias cursando Cinema na Uff. Amo fazer novela porque amo conversar com milhões de pessoas todos os dias. É um diálogo constante com o público, e isso me move. Cada experiência de vida vira repertório, e isso me guia.
E: Qual conselho daria para a Rosane de 20 anos?
R: Diria para continuar sendo teimosa, mas nunca impermeável, curiosa, escutar mais, não ter tanta certeza de tudo – como tantas jovens, eu era bem maniqueísta – e confiar mais em mim, mesmo sabendo de todos os meus defeitos. Porque defeitos e fragilidades podem virar potências. E assim, encontrar qual história contar em cada momento ao longo da vida. Aos poucos, a gente aprende do que pode abrir mão e do que precisa batalhar pra conseguir. E, principalmente, viver intensamente. Tudo vira repertório.
E: Tem algum livro, série ou filme que esteja acompanhando agora?
R: Sou viciada no podcast Wiser Than Me, da Julia Louis-Dreyfus, e curto muito o On The Page, sobre roteiro, da Pilar Alessandra. A Julia, no Wiser Than Me, entrevista mulheres mais velhas com sabedoria para compartilhar, como Isabel Allende, Jane Fonda, Patti Smith. É maravilhoso!
E: Qual o seu desejo para o futuro do audiovisual?
R: Quero que o audiovisual continue sendo um espaço de diálogo com a sociedade. Que trate temas relevantes com múltiplos pontos de vista e que não subestime o público. A novela tem o poder de reconstruir o tecido social, de gerar empatia, reflexão e entretenimento. E isso é precioso. A conexão humana faz toda a diferença.
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Texto revisado por Laura Maria Fernandes de Carvalho









