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Foto: reprodução/Hauterrfly

Especial | Lara Raj redefine as referências do pop ao não apagar sua identidade

Artista queer de origem indiana, Lara mostra como não é preciso abrir mão de sua identidade para conquistar seus sonhos

O talento e o carisma que Lara Raj transborda desde que foi descoberta pelos idealizadores do reality Dream Academy (2023) tornam difícil pensar que hoje (3) ela esteja fazendo somente 20 anos. Há poucos meses, Lara celebrava seu primeiro ano desde o debut com o grupo feminino KATSEYE, com o qual já conquistou um VMA e a atenção de todo o mundo pop. 

Mas, ainda que sua confiança sequestre os nossos olhares nos palcos, é a sua profunda e autêntica humanidade fora deles que nos conquista. Para além dos figurinos icônicos, dos vídeos e das performances – que são, indiscutivelmente, maravilhosas –, é na rotina com os fãs, na expressão de sua cultura e identidade que ela se torna ainda mais inspiradora.

Dream Academy

Lara Rajagopalan nasceu em Connecticut, nos Estados Unidos, e é de uma família de imigrantes indianos de etnia tâmil. Sua mãe era professora de dança, então Lara e sua irmã mais velha, Rhea Raj, jamais conheceram um mundo do qual música e arte não fizessem parte.

Ainda adolescente, ela participou de um comercial do Girls Opportunity Alliance, uma iniciativa da Fundação Obama que fomenta o empoderamento de meninas através da educação. Antes de ser encontrada pelos produtores do Dream Academy (2023), Lara também já tinha conquistado um certo destaque nas redes sociais com vídeos compondo músicas e fazendo covers.

O reality, que começou como um projeto de trainees tradicional, reuniu meninas de diferentes lugares no mundo para formar um grupo global com a mesma estrutura consolidada pela indústria de K-pop. Após dois anos de treinamento, contudo, o programa se tornou um reality de sobrevivência em que 20 meninas deviam competir pelas seis vagas no grupo que hoje é conhecido como KATSEYE.

Lara é introduzida no final do terceiro episódio do documentário Pop Star Academy: KATSEYE (2024), que explora os bastidores do Dream Academy (2023). Sua chegada no programa se dá de forma bastante dramática e no momento em que os produtores buscavam mais vocalistas entre as competidoras. “Lara tem uma confiança que pode ser muito desconcertante,” explicou uma das diretoras do projeto. “Nós precisávamos disso”.

A escolha se provou muito certa, porque, do início ao fim da competição, Lara se destacou no voto popular e foi uma das favoritas até finalmente ser escolhida para compor o grupo.

Foto: reprodução/The Nod
Identidade

Do colar com o símbolo Om, que no hinduísmo representa o som primordial da criação do universo, ao bindi, um ponto colocado no lugar do chakra Ajna (terceiro olho) como símbolo da conexão espiritual da prática hinduísta, Lara Raj sempre carrega sua história e cultura consigo.

No documentário, Lara comenta que seus pais sempre tiveram orgulho de sua cultura e que incentivaram ela e sua irmã a abraçarem a origem sul-asiática, e é esse mesmo orgulho que ela tenta incentivar, normalizando símbolos e visuais que por muito tempo foram vistos com estigma.

Foto: reprodução/Vogue India

Em uma entrevista para a Teen Vogue, Lara compartilhou o desejo de ajudar a integrar sua cultura como declarações de moda e ajudar outras meninas como ela a se expressarem com orgulho de onde vieram: “Não é algo que elas devam ser zoadas por usar. Eu sempre fui ridicularizada e quero mudar isso”.

Sua firmeza em manter sua cultura evidente é inspiradora para qualquer pessoa não-branca. Quando pensamos no mundo da música pop, vemos muitos artistas racializados que foram forçados a apagar ou eufemizar sua identidade para caber nos espaços que meios de comunicação e indústrias cediam a eles. Antes, a condição para existir no entretenimento sendo uma pessoa não-branca era abrir mão de si próprio para se aproximar de um padrão europeu cristão.

O cantor Zayn, inglês de pais paquistaneses, já falou em entrevistas como sua identidade sul-asiática era enxergada como um empecilho que os produtores teriam que superar. Além disso, a escolha inicial de atribuir a um homem muçulmano uma persona misteriosa e reservada, somado ao fato de ele não poder comentar sua cultura com profundidade, apenas reforçou estereótipos e preconceitos islamofóbicos e racistas durante seu tempo no One Direction.

Em um mundo que sempre reservou a pessoas não-brancas um lugar de deferência permeado pelo encolhimento e sempre secundário, Lara domina os espaços que frequenta sem nunca diminuir quem é e inspira outras pessoas racializadas a enxergarem sua cultura como motivo de orgulho, nunca de vergonha.

Foto: reprodução/The Daily Guardian

Sua honestidade com a própria identidade também foi o que levou Lara a se assumir uma mulher queer no começo do ano. Conversando com seus fãs no aplicativo Weverse, Lara disse que percebeu sentir atração por qualquer gênero quando ainda era criança.

“Eu achei importante compartilhar essa parte de mim”, explicou a artista em uma entrevista. “Acho que não há representação suficiente, especialmente no espaço em que estamos, especialmente sendo indiana. Tudo isso junto me fez sentir que realmente precisava compartilhar em algum momento. Ser queer e gostar de mulheres sempre foi uma parte muito importante da minha identidade, algo de que sempre me orgulhei e tive certeza durante toda a minha vida.”

Lara ainda comentou que, no KATSEYE, “tudo o que queremos é ajudar vocês e inspirá-los a serem vocês mesmos”.

É interessante pensar como, crescendo nos Estados Unidos, Lara tinha poucas referências de meninas sul-asiáticas ocupando os lugares que, desde pequena, ela sonhava em conquistar. Hoje, completando seus 20 anos, ela equilibra a responsabilidade de representar sua comunidade e a expressão de sua própria individualidade, redefinindo os padrões e o que costumávamos tomar como referência na música pop. 

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Leia também: KATSEYE é… gnarly: conheça o grupo que vai te fazer querer grudar na grade

 

Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz 

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