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Foto: divulgação/TV Globo/João Cotta

Francisco Cuoco: A trajetória de sucesso de um dos maiores atores de todos os tempos

O astro de novelas icônicas, como Selva de Pedra, morreu nesta quinta feira (19) e teve seu nome eternizado na história da teledramaturgia brasileira

O ator Francisco Cuoco faleceu aos 91 anos, após mais de 20 dias internado no Hospital Albert Einsten, em São Paulo, devido a problemas de saúde que enfrentava, desde 2018, relacionados aos rins e aos pulmões. Segundo um comunicado divulgado pela assessoria do ator, a causa da morte foi falência múltipla de órgãos. Nos últimos anos, Cuoco lidava com dificuldades de locomoção e vivia com a irmã, Glaucia Cuoco.

Considerado um dos maiores ícones da televisão brasileira e conhecido por seus papéis como galã de novelas, Francisco Cuoco acumulava mais de 60 anos de carreira.

O começo difícil

Foto: reprodução | Acervo TV Globo

De origem bastante humilde, o ator nasceu em São Paulo, em 1933, e iniciou sua trajetória profissional como vendedor e feirante no tradicional bairro do Brás, na capital paulista, junto com o pai. À noite, estudava, buscando uma profissão estável. Mais tarde, chegou a prestar vestibular para Direito, mas acabou trocando o curso pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP), formando-se quatro anos depois.

O interesse pela atuação surgiu enquanto assistia a apresentações de circo em seu bairro. A partir disso, ingressou no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Em 1959, passou a integrar o Teatro dos Sete, grupo formado por grandes nomes como Fernanda Montenegro, Fernando Torres e Sérgio Britto.

Seu primeiro personagem no teatro foi Werneck, na peça O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, em 1961, com direção de Fernando Torres. 

Carreira consagrada

Foto: reprodução | Acervo TV Globo

Francisco Cuoco estreou na televisão em 1963, no programa O Grande Teatro Murray, da TV Rio, já no Rio de Janeiro. Sua primeira telenovela foi Renúncia, em 1964, exibida pela TV Record, emissora na qual iniciou  como protagonista.

Em seguida, estrelou Redenção (1966), da TV Excelsior, grande sucesso da época, que detém, até hoje, o recorde de novela brasileira de maior duração com 596 capítulos exibidos ao longo de dois anos. Seu papel como Dr. Fernando Silveira foi um sucesso estrondoso.

A partir daí não parou mais. Emendou um papel atrás do outro, sempre como o protagonista dos sonhos, o homem perfeito, mas com um ímpeto de garanhão malandro, que só ele sabia interpretar. ‘’Eu era especial. Tenho fotografia da época e vejo que era um ‘galãzura’ mesmo”, declarou o ator em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, há cerca de um mês. Era assim que Francisco se referia ao seu status de galã: com uma mistura de modéstia e orgulho e com uma certa saudades até. Um fofo, né?

Na emissora que, por tantos anos, foi sua casa, a  TV Globo, seu início foi em 1970, interpretando o protagonista Vitor Mariano, na novela Assim Na Terra Como no Céu, de Dias Gomes. Na trama, Cuoco viveu um padre que abandona a batina para se casar, história que seria revisitada várias vezes ao longo dos anos e serviu como inspiração para sucessos posteriores, como a minissérie Hilda Furacão (1998).

Foto: reprodução | Acervo TV Globo

A partir daí, trabalhou sucessivas vezes com a autora Janete Clair, que o considerava seu ator favorito e escreveu vários protagonistas especialmente para ele. Entre os mais marcantes está o ambicioso Cristiano Vilhena, da icônica Selva de Pedra (1972), novela que marcou época e bateu recordes de audiência, chegando a 100 pontos em determinados capítulos. 

Outro papel notável de sua carreira foi o taxista Carlão, de Pecado Capital (1975), novela escrita às pressas para substituir a primeira versão de Roque Santeiro, censurada pela ditadura militar. Nela, seu personagem vivia um drama de consciência depois que assaltantes de banco em fuga esquecem, em seu carro, uma mala com dinheiro roubado. A cena de seu desfecho trágico, ao som de Paulinho da Viola, é considerada uma das cenas mais emblemáticas da televisão brasileira.  

Depois disso, deu vida ao jornalista Alex, de O Semideus (1973), e ao anti-herói, Herculano Quintanilha, o vidente de O Astro (1977), além do ambicioso Tião Bento, em Sétimo Sentido (1982), e do político Lucas, de Eu Prometo (1983), última novela de Janete Clair.

Ao longo da carreira, Cuoco também esteve em produções como O Outro (1983), O Salvador da Pátria (1989), Passione (2010), Sol Nascente (2016) e Segundo Sol  (2018), entre muitas outras telenovelas.

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Cinema e teatro

Foto: reprodução | Vieira de Queiroz | Globo

Em 1998, Cuoco voltou sua atenção para o cinema, participando de inúmeros filmes, como Cafundó (2005),Traição (1998) e Gêmeas (1999). Atuou também em Os Xeretas (2001), Um Anjo Trapalhão (2000), com Renato Aragão, e Real Beleza (2015), trabalho que lhe rendeu o Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro.

Após mais de 20 anos afastado do teatro devido ao ritmo intenso de trabalho na televisão, retornou aos palcos em 2002, protagonizando um drama ao ar livre no qual interpretava o histórico padre português Gonçalo Monteiro. Nos anos seguintes, atuou em várias outras peças como Três Homens Baixos (2004), O Último Bolero (2006), Circuncisão em Nova York (2022) e Deus é Química (2009)

Despedida

Foto: Reprodução | Tv Globo

Sua última aparição na televisão foi em uma homenagem realizada pela série Tributo, da TV Globo, exibida 15 dias antes de seu falecimento. Na ocasião, relembrou seus principais papéis, agradeceu ao público por tantos anos de carinho e foi reverenciado por diversos colegas de trabalho.

Francisco Cuoco deixa um legado de dedicação à arte, à cultura e à televisão brasileira. Seu nome e sua trajetória ficarão eternizados na história da teledramaturgia nacional, não apenas pela sua versatilidade como ator, mas também pelo seu impacto, por sua história de superação e pela inspiração deixada para tantas outras gerações de atores ao redor do Brasil.

E aí? Já conhecia a trajetória desse icônico ator brasileiro? Conte para a gente nas redes sociais do Entretê (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade de cultura e entretenimento!

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Texto revisado por Ketlen Saraiva

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