Álbum traz releituras de clássicos italianos e versões de músicas brasileira, com participações de Ana Carolina e Ferrugem
A artista italiana mais ouvida do mundo está de volta. Laura Pausini lançou, nesta sexta-feira (6) Io Canto 2, novo álbum que dá continuidade ao projeto iniciado em 2006, Io Canto, como uma homenagem aos grandes clássicos da música italiana e uma forma de apresentá-los ao público internacional, agora ampliado com canções em outros idiomas e fortes conexões culturais, especialmente com o Brasil.
Em coletiva de lançamento do novo álbum, Laura revelou bastidores, ressaltou parcerias, comentou sobre a escolha do repertório e se emocionou ao falar do Brasil, afirmando estar com bastante saudade do nosso país.
Segundo a cantora, o processo criativo de Io Canto 2 seguiu um caminho muito semelhante ao do primeiro álbum, lançado há 20 anos. “Foi uma busca muito semelhante àquela que fiz em 2006. Escutar, lembrar dentro de mim aquelas músicas que me acompanharam nos momentos mais importantes de minha vida”. A artista ainda fez questão de ressaltar a liberdade artística e a autenticidade total que teve ao longo de todo o projeto: “Ninguém me diz: você precisa cantar essa música porque agora funciona. Eu fui totalmente livre para escolher as músicas que canto agora”.
Laura explicou que ainda não conhecia profundamente muitas das músicas que regravou, apenas dez ou quinze canções de cada artista, mas não o repertório completo dos artistas homenageados. “Foi como estar dentro de uma universidade dea música. Algumas músicas que eu não conhecia antes dos demos me deram uma sensação muito mais forte do que eu pensava que era justa para mim. Então eu mudei durante a gravação”, ressaltou a artista.
Joana D’arc, liberdade artística, coragem e identidade

Sobre o conceito visual do projeto, Laura explicou por que tem citado a figura histórica de Joana d’Arc como inspiração. Segundo ela, a personagem simboliza coragem, esta necessária para poder regravar e revisitar as canções de outros artistas sem perder sua própria identidade musical e suas próprias sensações.
“Quando me perguntam por que eu me inspirei em Joana d’Arc, eu falo sobre coragem. Coragem para respeitar a versão original. Segundo, encontrar a tua própria personalidade dentro de uma música que não escreveu. E terceiro, coragem porque hoje em dia todos são jornalistas, têm opinião e podem machucar você, julgando sem conhecer ou estudar”, concluiu Pausini.
Ela citou como exemplo a escolha por Detalhes, de Roberto Carlos. “É uma canção maravilhosa, conheci essa música desde sempre em italiano. Mas foi só quando viajei ao Brasil que conheci a verdadeira versão original dela”.
Laura evidenciou que o público pode sentir uma certa estranheza ao escutar Detalhes em versão italiana, mas explicou que essa escolha está ligada às suas próprias referências de vida. “Como todo mundo, tenho meus ídolos, um dos meus grandes ídolos sempre foi o Ornella Vanoni, muita gente na Itália conhece essas melodias, mas acha que são canções dele”.
Um álbum movido por amor á música

Para apresentar o Io Canto 2, Laura destacou seu crescimento e evolução musical, e reforçou a paixão pela música e o desejo de homenagear canções, compositores e intérpretes.
“O segundo capítulo de Io Canto chega vinte anos depois do primeiro. Mudamos, crescemos e nos apaixonamos novamente pela música. Hoje, assim como naquela época, existe apenas um motivo para homenagear uma canção, seu autor ou seu intérprete: o amor. Nestes tempos difíceis, em que o ódio parece estar na ordem do dia, eu canto para colocar a música no centro. Cantar é dar protagonismo à música, tornar-se a voz de um sentimento poderoso. É dar um passo atrás como autora para dar um salto gigantesco como ser humano.” afirmou a cantora.
O repertório percorre diferentes décadas e idiomas, reunindo canções lançadas entre 1960 e 2023. Entre os destaques, estão desde uma adaptação em português de La Mia Storia Tra Le Dita, interpretada em dueto com Ana Carolina e Ferrugem, até o sucesso dos Tribalistas Já Sei Namorar, cuja cantora e compositora Marisa Monte tem raízes italianas. Há ainda a versão francesa de Due Vite, de Marco Mengoni, intitulada La Derniére Chanson (Due Vite), cantada com Julien Lieb, primeiro single para a França, que estreou em primeiro lugar no ranking Gram Top Francophone Artistes Globaux.
Conexão emocional com o Brasil

A cantora Ana Carolina comemorou o encontro com Laura e Ferrugem: “Tenho um carinho enorme por essa música e uma gratidão por tudo o que ela me trouxe. Revisitá-la agora, em uma nova versão, ao lado de dois grandes artistas, é um daqueles presentes raros que a carreira nos dá. A Laura Pausini é alguém que admiro respeito há muitos anos, uma artista gigante, com um amor verdadeiro pelo Brasil”, ressaltou a cantora.
Sobre a parceria com Ferrugem, Laura explicou que costuma buscar novos talentos e que gosta de procurar bastante até encontrar alguém que lhe chame a atenção. Foi assim com o cantor, cuja identidade vocal ela destacou como rara e única: “Eu sempre gosto de buscar novos talentos, faço isso em vários países do mundo. Quando cheguei em Ferrugem, na voz dele, parei de buscar. A conexão foi imediata. Segundo a minha sensação musical, ele tem uma voz privilegiada. É ele, é uma identidade vocal. Você lembra da voz, do timbre, da maneira de interpretar. É uma personalidade vocal muito marcante”.
A decisão de regravar a canção também teve um “dedinho” de sua filha Paola, de 12 anos, que se encantou pela versão italiana da música: “Ela disse que gostava muito da canção e que iria dedicar a alguém. Isso não é normal, porque minha filha não gosta muito da minha música” contou.
Sobre a faixa Já Sei Namorar, Laura explicou por que assumiu os vocais sozinha e por que escolheu exatamente essa música para uma releitura.”Quando eu comecei a fazer as demos, comecei uma lista também somente em português, porque a ideia era: quero cantar canções, músicas de outros. Não estava pensando somente em música italiana. E as primeiras músicas que escrevi não eram aquelas clássicas que todo mundo espera de mim, porque adoro Caetano, Gilberto Gil, tudo de Elis Regina, de grandes cantores, Chico Buarque. Mas eu escrevi na lista Já Sei Namorar. Quando escutei essa música, fiquei muito feliz, porque finalmente uma música em português tocou nas rádios daqui. E eu falava pra todo mundo que viajava muito ao Brasil, que Marisa Monte, os Tribalistas são uma figura muito importante na cultura musical brasileira. Então sempre amei. Cantar isso me divertiu muito. Eu gostei muito de cantar a canção sozinha. E fiquei com ciúme. Então, deixei a minha versão sozinha somente”, afirmou ela.
Laura ainda falou, durante a coletiva, sobre a possibilidade de um álbum inteiramente em português .”Eu já tenho uma lista, acredito que tem possibilidade sim. Quero fazer isso no Brasil, com pessoas que conhecem minha personalidade“, afirmou, ressaltando seu carinho e apreço pelo país.
Ela também prometeu um show muito especial no Mercado Livre Arena Pacaembu, em 27 de fevereiro de 2027, o seu primeiro show em um estádio no país. A data marca outro momento especial em sua carreira: o dia em que venceu o Festival de Sanremo. “É incrível que a minha primeira vez na minha terra favorita, fora da Itália, vai ser no dia mais importante da minha carreira, vai ser um show muito especial, o meu coração bate forte, porque mal posso esperar de cantar para todos vocês em italiano e português, quero convidar muitos amigos brasileiros aí”, encerrando a coletiva visivelmente emocionada e grata.
Laura finalizou com uma mensagem direta ao público brasileiro: “Trinta e três anos de carreira são uma benção. Eu amo o Brasil. Sempre.”
Uma Trajetória que ultrapassa gerações e fronteiras

Entre os destaques do novo álbum também estão o dueto com a cantora Annalisa em Ma Che Freddo Fa, versões em alemão, português e inglês de Il Cielo In Una Stanza de Gino Paoli eternizada por Mina, além de uma homenagem a Madonna, uma das maiores estrelas do pop mundial e também de ascendência italiana. Em 2004, Madonna escreveu para Laura a canção Mi Abbandono A Te incluída no álbum Resta In Ascolto, vencedor do Grammy. Agora, Laura reinterpreta La Isla Bonita.
As músicas percorrem o período entre 1960 e 2023, incluindo Felicitá, uma faixa em que Laura une sua voz à do inesquecível Lucio Dalla, um dos pilares da música italiana, uma melodia doce e nostálgica.
Laura Pausini, que será a atração principal da Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Milão Cortina 2026, no estádio San Siro, também estará no palco do Teatro Ariston como coapresentadora, ao lado do diretor artístico Carlo Conti, da 76 edição do Festival de Música de Sanremo.
Três anos após o álbum Anime Parallelle, Io Canto 2 também ganhará uma versão em espanhol, Yo Canto 2, com lançamento marcado para 13 de março de 2026, pela Warner Records e Warner Music.
O disco reunirá canções dos maiores compositores latino-americanos, representando todos os países que consagraram Laura como um ícone musical, entre eles Espanha, Argentina, Chile, Peru e muitos outros. O álbum estará disponível em versão standard, com 18 faixas e edição deluxe, com três faixas adicionais.
Com mais de 75 milhões de álbuns vendidos e mais de 6 bilhões de streams, Laura Pausini é reconhecida como a artista italiana feminina mais ouvida fora de seu país. É a primeira e única artista italiana a vencer um Grammy Award e a entrar no Billboard Hot 100, com a versão de Se Fué, em parceria com Rauw Alejandro.
Vencedora de quatro Latin Grammy Awards, foi eleita Person Of The Year 2023 pela Latin Recording Academy, tornando-se a primeira artista não hispânica a receber a homenagem. Seu currículo ainda inclui um Globo de Ouro, indicações ao Emmy e ao Oscar, além de ser a primeira artista a se apresentar tanto no Estádio San Siro quanto no Circus Maximus.
A revista norte-americana Billboard incluiu o álbum Similares entre os 50 melhores discos latinos da década de 2010 e colocou a artista entre as 10 mais influentes do universo latino. Confirmando esse reconhecimento, ela recebeu o Billboard Icon Award e o Global Icon Award no Billboard Women Music, homenagens concedidas a artistas que inspiram e unem gerações ao redor do mundo. Os prêmios foram entregues na presença de Sua Santidade, o Papa Leão XIV.
Ao longo de 30 anos de carreira, Laura Pausini tem ultrapassado gerações por meio de sua voz, autenticidade, força e poder. Suas canções exalam identidade, sentimento e, acima de tudo, amor, um amor que atravessa fronteiras, acolhe, emociona, enche os corações de quem a escuta e ilumina tudo ao redor. Não é à toa que a artista já bateu tantos recordes, foi a pioneira em diversos feitos e levou seus shows a públicos de mais de 40 países ao redor do mundo. Laura Pausini vai além do esperado: ela transforma, toca, permanece. Ela é mágica, única e inesquecível. E Io Canto 2 apenas reforça, mais uma vez, a dimensão do seu incrível poder artístico e humano.
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Texto revisado por Kaylanne Faustino










