Em meio a narrativas sensíveis, essa seleção reúne obras que emocionaram as figuras maternas do Clube do Entretetizei e seguem vivas na memória
Sorriso que alegra, abraço que acalma, palavras que marcam, ensinamentos que perduram. Ser mãe vai além de apenas gestar uma criança. É uma construção de saberes que são passados ao longo das gerações somada a experiências que ainda serão vividas.
A maternidade, assim como a vida, não vem com manual. O que se sabe é aquilo que, diariamente, é vivido e como isso se conecta com a geração seguinte. E é a partir dessa conexão que nascem sentimentos como o amor verdadeiro e o afeto genuíno.
Nesse cotidiano, além dos sentimentos, também se constrói outra forma de vínculo: a leitura. Na história contada para dormir ou no apoio aos hábitos leitores dos filhos, elas se revelam como protagonistas: responsáveis por acompanhar fases, acolher silêncios e ajudar a construir a visão de mundo.
Neste especial de Dia das Mães, reunimos não apenas livros, mas também os relatos das experiências das figuras maternas da equipe do Clube do Livro do Entretetizei. Com obras que marcaram, de alguma forma, a vivência de cada uma dessas mulheres, essa lista é baseada em histórias que atravessam o tempo e se transformam em memória afetiva.
Quando a leitura surpreende e emociona
“Ela começou o livro de forma totalmente despretensiosa e acabou fisgada pela história. Ela disse que fazia tempo que não lia um livro que a prendesse tanto.” Foi assim que Beatriz, coordenadora e redatora do clube, relatou a experiência da mãe, Denize.

Em A Cabana (2007), William P. Young explora temas como fé, reconciliação e perdão. Após perder a filha caçula em um trágico sequestro, Mack Phillips protagoniza um encontro com Deus em uma cabana isolada.
A ressignificação da maternidade
“O amor tem nome, mas não é nada que a gente possa reconhecer só de olhar”. Essa frase é capaz de iniciar um breve relato sobre Tudo é Rio (2014). Escrito pela mineira Carla Madeira, o livro se debruça sobre sentimentos que são tão potentes e incontroláveis quanto a água, enquanto enfrenta questões cruciais como a violência doméstica.

Essa perspectiva também é compartilhada pela Marina, mãe da Cecília, redatora do clube. Para ela, ”a abordagem sobre o amor, a dor, a perda e sobre a capacidade de ressignificar a maternidade diante de traumas extremos é visceral”.
Quebra de expectativas
Na narrativa de O Seminarista (1872), romance clássico de Bernardo Guimarães, o que não falta são críticas à sociedade da época. Desde o patriarcado, passando pelo celibato clerical, até o autoritarismo das famílias do século XIX, o autor desbravou mazelas que atingiam diversas camadas da população.

Não à toa, a impressão deixada em Sirlene, mãe da Maria Eduarda, coordenadora do Clube, foi de que houve uma “quebra de expectativa no final do romance”. Mesmo sucinta, por se tratar de uma obra do Romantismo, as palavras captam o principal: a leitura que marca pela surpresa do inesperado.
Leitura que desperta novos horizontes
Em O Mundo de Sofia (1991), do norueguês Jostein Gaarder, a protagonista Sofia Amundsen embarca em uma jornada filosófica iniciada por meio de uma carta na qual estão escritas as perguntas: “Quem é você?”, “Qual a origem do mundo?”. São esses questionamentos aparentemente simples que levam a garota a pensar sobre o mundo e sua existência.

De forma similar, a vivência da Ana Paula vai ao encontro da jovem sabedoria. Para a mãe da Ana, também redatora do clube, a narrativa marca a adolescência, em que as oportunidades e o conhecimento de mundo eram escassos. Essa leitura, além de incentivá-la a alcançar objetivos além do esperado, também deixou legado para as filhas.
Lembranças da alfabetização

Partindo para uma obra nacional, em A Árvore que Dava Dinheiro (1981), acompanhamos a vida em Felicidade, um município no interior do Brasil em que uma árvore que produz dinheiro é deixada como herança por um velho avarento. O livro de Domingos Pellegrini Jr. é a memória favorita da Rosany, mãe da Isabela, social mídia do Clube. A surpresa do relato é que ele não pertencia a ela, mas à irmã:
“Eu estava naquela fase da alfabetização de querer ler tudo. Peguei o livro dela escondido, li e depois fiz uma redação sobre ele na escola. Tirei uma nota maravilhosa e a professora ficou tão surpresa que chamou minha mãe pra perguntar de onde vieram aquelas ideias. Quando viram, era do livro. Lembro que minha mãe ficou muito orgulhosa, e isso ficou muito marcado na minha infância.”
Quando ler também é conquista
Sem se afastar da realidade de muitos brasileiros, há também que se relatar sobre as mães que não tiveram tantas oportunidades de adquirir o hábito da leitura. Por vezes, o tempo é pouco e as responsabilidades, muitas. Assim, o sonho é passado para a geração seguinte.
Para a Ednete, mãe da Ketlen, redatora do Clube, o livro que mais marcou sua vida foi O Ladrão de Raios (2005), do Rick Riordan. No entanto, não foi a narrativa mitológica que a surpreendeu ou chamou sua atenção. O apego emocional vem do fato de ter sido o primeiro livro físico que a filha caçula ganhou da irmã mais velha.

Neste especial, cada obra citada carrega mais do que a história em si: traz lembrança, carinho, descobertas e vínculos que permaneceram mesmo depois da última página virada. Porque ser mãe também acontece no cansaço, na correria e nas renúncias do cotidiano.
Nem sempre sobra tempo para terminar um livro, cultivar o hábito da leitura ou viver os próprios sonhos com calma. Ainda assim, muitas dessas mulheres encontraram formas de transmitir amor através dos pequenos gestos.
Neste Dia das Mães, o Entretetizei celebra as mulheres e mães reais, que, entre acertos, dificuldades e tentativas diárias, ajudaram a transformar livros em memória afetiva. Porque, no fim, algumas heranças não estão apenas nas palavras lidas, mas no cuidado, no esforço e na maneira como alguém ensinou, mesmo sem perceber, a enxergar o mundo com mais sensibilidade.
Que livro marcou sua figura materna? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei – Facebook, Instagram e X – o que achou da leitura. E, se você gosta de trocar experiências literárias, venha participar do Clube de Leitura do Entretê!
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Texto revisado por Angela Maziero Santana









