Embarque numa trama de traumas e mistérios com o novo livro de Sally Hepworth
Lançado no Brasil em Julho de 2025, pela VR Editora, o livro de Sally Hepworth mistura passado e presente em um suspense cercado por traumas de infância, relacionamentos conturbados e protagonistas complexas.
Por meio de uma narrativa envolvente, a obra intercala os pontos de vista de Jessica, Norah e Alicia, três irmãs adotivas que tiveram seus caminhos cruzados em Wild Meadows, um lar de acolhimento temporário sob os cuidados da Srta. Fairchild. A casa que, a princípio, parecia ser o ambiente familiar que as crianças tanto precisavam, torna-se cenário de abusos, traumas e um mistério que as assombra 25 anos depois.
Agora adultas, as três irmãs precisam encarar os fantasmas do passado para colaborarem com uma investigação policial que as têm como testemunhas, ou suspeitas, de um crime. Quando ossos são encontrados enterrados embaixo da casa em que cresceram, a única opção é uma viagem de volta à Wild Meadows.
“Como você lida com seus sentimentos no mundo real?”, perguntou Norah. “Você os enterra”, respondeu Jessica. “Bem e profundamente.”
Conheça as protagonistas:
É preciso dizer que um dos pontos altos do livro se dá através da complexidade das personagens. Suas individualidades foram tão bem trabalhadas que todas se mostram igualmente profundas e interessantes, mesmo com personalidades opostas.
Essa profundidade também se faz presente na construção de toda a história, sem que a mesma atrapalhe ou dificulte o ritmo da narrativa, proporcionando sentimentos mistos e intensos durante a leitura —–- outro ponto muito positivo.
Jessica: Com uma necessidade gigantesca de agradar a todos e, por ser a primeira a chegar em Wild Meadows, a mais velha das garotas é quem desenvolve o relacionamento mais complexo com a mãe adotiva, e quem presenciou por mais tempo seu narcisismo e manipulação. Adulta, ela luta contra o TOC, o vício e a cobrança que faz a si mesma para continuar responsável pelas irmãs.
Norah: Ao chegar em Wild Meadows, Norah já havia passado por outras famílias e sofrido diversos tipos de abuso físicos e emocionais. Considerada como a mais problemática das três irmãs, Norah cresceu tendo que enfrentar sérios problemas de raiva e o constante medo de rejeição, o que resultou em uma vida adulta com muitos registros em sua ficha criminal.
Alicia: Criada com cuidados doces da avó, sempre com uma piada para contar e com um coração gigantesco, Alicia foi a última a se juntar ao trio e a que deveria ter ficado menos tempo por lá. Daquelas que agem antes de pensar, a garota foi diversas vezes punida de formas severas por suas ações. Na vida adulta, ela se torna assistente social, com a missão de garantir que crianças acolhidas não tenham o mesmo destino que ela.
Mais do que um mistério: Minhas Meninas abre espaço para discussões importantes sobre relações familiares
Apesar de ter como foco central da narrativa a resolução do mistério que inicia essa história, a obra chama atenção para temas de extrema importância, sem reduzir em nada o impacto do suspense prometido.
Em Minhas Meninas, Sally Hepworth aborda com precisão o impacto psicológico de crescer em um lar disfuncional, retratando os diversos tipos de abuso e as formas como isso impacta a vida de alguém. Mais do que simplesmente narrar a dor e complexidade desses acontecimentos, Hepworth chama atenção para temas que muitas vezes permanecem silenciados.
Vale ressaltar que a obra não se propõe a criticar o sistema de adoção como um todo, mas, por meio de um suspense ficcional muito bem construído, expõe as consequências dolorosas que um sistema falho pode gerar na vida de uma criança.
Mesmo em meio a tanto trauma, a autora não falhou em construir momentos de sinceridade que transcrevem a importância dos relacionamentos saudáveis que construímos ao longo da vida. Por meio das três irmãs, temos uma representação comovente de resiliência e irmandade, que cria de forma natural uma conexão entre leitor e personagem.
O resultado é uma narrativa que, ao mesmo tempo que prende pela tensão e mistério, provoca uma reflexão sobre a necessidade de romper o silêncio e enfrentar verdades incômodas para quebrar ciclos prejudiciais.
Temas sensíveis: adoção, abuso emocional e traumas familiares
É importante frisar que Hepworth trata os temas abordados de forma respeitosa e sensível, em nenhum momento descrevendo mais do que o necessário em nome de cenas impressionantes. Apesar disso, a obra pode se tornar desconfortável para aqueles que passaram por situações semelhantes, e, por isso, é aconselhável se atentar aos possíveis gatilhos.
Adaptação:
A obra está em fase inicial de desenvolvimento para uma série de TV pela produtora Made Up Stories, e conta com a roteirista Orlagh Collins, como responsável pela adaptação. Mais informações ainda não foram divulgadas.
Gosta de suspenses? Compartilhe sua opinião nas nossas redes sociais — Instagram, X e Facebook — e não deixe de conferir o Clube do Livro do Entretê!
Leia mais: Resenha | O Massacre da Família Hope é surpreendente e arrasador – Entretetizei
Texto revisado por Kaylanne Faustino










