A coletiva do Rock in Rio trouxe Gil, Elton, balé aéreo de aviões, bossa nova, promessas de shows exclusivos e um anúncio que não estava no line-up: estava no discurso
O Rock in Rio realizou, na última terça (25), no Morro do Pão de Açúcar, uma coletiva repleta de anúncios. Teve de Gilberto Gil a Elton John, passando pelo balé aéreo The Flight, novidades em relação à mobilidade e até o anúncio de espaço dedicado à bossa nova. Mas, no meio de tantas informações, uma afirmação do fundador do festival, Roberto Medina, definiu o espírito da edição de 2026: o festival decidiu assumir o Rio de Janeiro como seu grande headliner. Entre debates sobre pluralidade musical, promessas de shows exclusivos e novas experiências sensoriais por terra e céu, ficou claro que o evento não apenas acontece na cidade. Ele se constrói a partir dela.
O Rock in Rio sempre foi um retrato do próprio Rio, foi o que Medina reforçou ao apresentar a edição que acontece de 4 a 13 de setembro de 2026, no Parque Olímpico. Segundo ele, o festival nunca pertenceu a uma única tribo – e o line-up de 2026 promete provar isso, atravessando rock, pop, MPB e outros gêneros.
Mesmo com os 2.400 m² de LED do Palco Mundo chamando atenção, a velha discussão continua aparecendo: “Por que tem pop? E sertanejo? Por que não só rock? Pode ter K-pop?”. Luis Justo, CEO da Rock World, e Roberto Medina repetiram as mesmas questões: o Rock in Rio sempre foi diverso, assim como a cidade que o recebe.
O line-up completo ainda é segredo, mas, segundo a organização, a intenção é manter o espírito iniciado em 1985: um evento para famílias inteiras, para públicos diferentes coexistindo no mesmo lugar. Exatamente como o Rio sempre foi.
Um dia é rock’n’roll, outro é pop, outro é mistura. As primeiras atrações anunciadas já dão uma noção do que podemos esperar.
Gilberto Gil e Elton John: duas forças diferentes que entregam emoção
Entre os anúncios mais fortes, o festival confirmou Gilberto Gil no Palco Mundo, em 7 de setembro. O cantor e compositor baiano, que impressiona pelo talento e vitalidade aos 83 anos, está atualmente em turnê – que só terminará no ano que vem – e tem se mostrado um grande sucesso comercial, com alta procura de ingressos. Gil levará sua ampla obra musical à Cidade do Rock.
E, em contraste perfeito, foi anunciado o show de Elton John, que escolheu o Rock in Rio para fazer sua apresentação única no Brasil, parte final de sua turnê de despedida. “É um privilégio mostrar a relevância que a gente conseguiu construir”, disse Luis Justo, CEO do festival, ao anunciar o astro.
Dois artistas completamente diferentes, mas que têm algo em comum: ambos hipnotizam o público, seguram a atenção e entregam emoção até o último segundo.
E o Rock in Rio também confirmou o grupo Stray Kids como uma das atrações da edição, representando a força global do K-pop. O grupo sul-coreano, que reúne uma das bases de fãs mais engajadas do mundo, leva ao festival uma performance marcada por coreografias de impacto e um repertório que une pop, hip-hop e eletrônica. A inclusão do Stray Kids reforça que o evento não ignora tendências culturais que movimentam milhões de pessoas, especialmente o público jovem.
Balé aéreo? Temos. O céu também é palco
Outro anúncio que chamou atenção foi o The Flight, um balé aéreo com aviões que promete virar uma das imagens da edição. O show, comandado por aeronaves da Esquadrilha Céu, foi sucesso em 2024 e promete retornar na próxima edição com novidades.

“São aviões vestidos de Rock in Rio que dançam com balé aéreo coreografado, uma trilha feita para esse balé, muita sonorização, muitos fogos, muita emoção”, explica Ana Deccache, diretora de marketing do Rock in Rio.
A experiência começa antes do portão
E não ficou só na terra e no ar – ou será que ficou? Medina revelou que estão trabalhando para disponibilizar o transporte lagunar, que deve ficar pronto a tempo da edição.
Traduzindo: existe a possibilidade de o público chegar para assistir ao Rock in Rio de barco – numa cena típica de filme de romance. Um jeito diferente para entrar no clima do festival antes mesmo de pisar na Cidade do Rock.
Outra novidade que chamou atenção foi a parceria do festival com a CRMBonus, plataforma que permitirá devolver 100% do valor do ingresso ao resgatar bônus para serem utilizados em lojas de marcas brasileiras – reforçando a valorização dos fãs do festival e mostrando que a experiência começa antes do portão do Parque Olímpico.
A bossa de Wanda Sá dentro da intensidade
A coletiva também teve uma performance da cantora Wanda Sá, que representou o espaço de bossa nova que entra na programação ano que vem. Foi um daqueles momentos que quebram o ritmo e mudam o ar da sala, remetendo a elegância e um clima muito carioca. Uma lembrança de que o Rock in Rio não vive só de som alto, mas também de criar atmosfera.
O curador do festival, Zé Ricardo, explicou que cada edição é encarada como um recomeço de possibilidades. Isso vale para o público, para os artistas e para toda a equipe envolvida.

Em 2026 o festival pretende plantar a semente da paz
Medina adiantou que 2026 será dedicado ao tema da paz, retomando o espírito de 2001, quando o festival lançou o projeto Por um Mundo Melhor, cujo objetivo era usar a música como incentivo para ações positivas no planeta. Uma das imagens mais marcantes daquela edição foi o toque do Sino da Paz no palco; tradição que se repetiu em outros anos.
A intenção, agora, é transformar o festival num espaço de convivência, depoimentos e encontros que reforcem a capacidade humana de se relacionar. Nas palavras do fundador do Rock in Rio, não é possível construir uma sociedade melhor vivendo nesse nível de estresse.
E aí tudo faz sentido: o headliner é o Rio

Com tudo isso junto – a pluralidade, a diversidade de tantas tribos, o espetáculo, a exclusividade, a bossa, os aviões, os barcos e o discurso de paz –, a frase final de Medina se encaixa no roteiro do novo Rock in Rio:
“O Rock in Rio não é um projeto de rock que tem no Rio. Ele é o Rio.”
No fim das contas, o festival assumiu aquilo que sempre esteve no subtexto, fortalecendo a essência carioca não apenas pela localização onde acontece. A Cidade do Rock deixa de ser mero plano de fundo e passa a funcionar como uma tradução do próprio Rio de Janeiro. Completando quarenta anos de existência e de relação com a cidade maravilhosa, nada mais coerente do que abraçar ainda mais essa identidade e promover uma conexão que considere o impacto cultural e econômico do Rio. Nesse contexto, o lançamento do movimento Viva o Rio com Rock in Rio, que incentiva o público a vivenciar a cidade, impulsiona o turismo e movimenta a economia, surge como uma consequência natural desse posicionamento.
E, talvez por isso, entre tantos anúncios importantes, o mais simbólico tenha sido esse protagonismo: o Rio é o headliner da próxima edição.
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Texto revisado por Alexia Friedmann









