Dona de grandes hits que ainda hoje agitam gerações, Tina Turner infelizmente nos deixou, mas deixou também uma poderosa história de superação e força
Tina Turner, conhecida como a Rainha do Rainha do Rock’n’roll, nasceu em 26 de novembro de 1939 e foi uma cantora e compositora que se tornou um ícone mundial da música. Artista por trás de grandes sucessos como What’s Love Got to Do with It, The Best, We Don’t Need Another Hero.
Batizada com o nome Anna Mae Bullock, cresceu em uma família humilde e religiosa, marcada por dificuldades e episódios de violência doméstica. Ainda criança, trabalhou no campo e começou a cantar no coral da igreja batista. Após a separação dos pais, foi deixada aos cuidados da avó, enquanto a mãe se mudou com a filha mais velha. Aos 16 anos, com a morte da avó, Tina passou a viver com a mãe e a irmã em St. Louis, onde teve empregos como empregada doméstica e auxiliar de enfermagem antes de iniciar sua trajetória na música.
Por ser uma mulher negra, Tina enfrentou inúmeros desafios para conquistar um espaço que poucos alcançaram. Filha de operários, passou a se apresentar artisticamente como Tina Turner quando fazia apresentações como vocalista da banda de R&B Kings of Rhythm, de Ike Turner, e alcançou fama pela primeira vez com a dupla Ike & Tina Turner.
O primeiro single dos dois foi A Fool in Love, lançado em 1960, e dois anos depois eles se casaram. Em 1962, foram indicados ao Grammy de Melhor Gravação em Rock’n’Roll com a música It’s Gonna Work Out Fine.

A dupla alcançou grande sucesso nas décadas de 1960 e 1970, permanecendo unida até 1978. O comportamento agressivo de Ike era amplamente conhecido, e o casamento foi marcado por escândalos e constantes humilhações públicas. Em meio a esse contexto, Tina chegou a tentar suicídio em 1968, após ingerir medicamentos.
Depois de 18 anos de um relacionamento abusivo, ela finalmente conseguiu se libertar e pediu o divórcio, abrindo mão de todos os bens materiais e exigindo apenas o direito de continuar usando seu nome artístico.
Após se divorciar de Ike Turner, ela reconstruiu a própria trajetória e consolidou seu nome na história da música. Foi apenas na década de 1980 que a cantora atingiu o auge da fama. A partir desse momento, sua trajetória foi marcada por prêmios, apresentações memoráveis e atuações em filmes de Hollywood.
Turner foi mãe de quatro filhos, Craig e Ronnie, seus filhos biológicos, e Ike Turner Jr. e Michael Turner, filhos de seu primeiro marido, Ike Turner. Ela os adotou após a morte da mãe deles, Lorraine Taylor. Em 2018, seu primogênito Craig, que Tina teve aos 18 anos com o saxofonista Raymond Hill, morreu aos 55 anos, em um aparente suicídio. Quatro anos depois, Ronnie faleceu em decorrência de complicações causadas por um câncer.

Tina, reconhecida mundialmente, não fez aulas de canto. A cantora aprendeu a cantar e dançar e a desenvolver suas habilidades nas performances de maneira autodidata. Suas coreografias icônicas e com movimentos energéticos foram desenvolvidas de forma natural e com base no seu estilo pessoal.
Ao longo de sua trajetória, Tina acumulou um impressionante número de prêmios, incluindo vários Grammy Awards. Foi reconhecida em categorias como Melhor Performance de R&B por um Duo ou Grupo com Vocal (1972), Gravação do Ano, Canção do Ano, Melhor Performance Vocal Pop Feminina, Melhor Performance Vocal de Rock Feminino e Álbum do Ano (1985). Nos anos seguintes, continuou a conquistar Grammys, recebendo o prêmio de Melhor Performance Vocal de Rock Feminino em 1986, 1987 e 1989. Seu trabalho também foi homenageado com o prêmio de Álbum do Ano em 2008, e em 1999 ela entrou para o Grammy Hall of Fame. Em 2018, recebeu o Prêmio de Contribuição em Vida no Grammy Special Awards.
Além dos Grammys, Tina Turner também foi reconhecida em premiações como o Billboard Year-End Charts Awards, onde ganhou Retorno do Ano, Artista do Ano, Vocalista Feminina do Ano, Artista Soul/R&B do Ano e Álbum do Ano, em 1984. Nos MTV Video Music Awards, recebeu os prêmios de Melhor Vídeo Feminino (1985) e Melhor Performance de Palco em um Vídeo (1986). Entre outras homenagens importantes, ainda ganhou prêmios do American Music Awards, Chipre Music Awards, Essence Awards, World Music Awards e Rolling Stone Critics Poll Music Awards.

Além de sua consagrada carreira musical, Tina também demonstrou grande talento como atriz. Sua estreia no cinema ocorreu em 1975, no filme Tommy, dirigido por Ken Russell. A interpretação da personagem Acid Queen recebeu elogios da crítica e evidenciou sua versatilidade artística. Em 1985, ela voltou às telas em Mad Max: Além da Cúpula do Trovão, atuando ao lado de Mel Gibson.
Em 1988, a artista se apresentou no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, para um público de 188 mil pessoas. A performance ficou marcada na história e entrou para o Guinness World Records, como a “maior participação paga em um show para um artista solo”.
Em 2009, depois de uma carreira brilhante e inúmeras turnês, Tina Turner decidiu se aposentar. Ela escolheu deixar os holofotes para viver de forma mais tranquila, aparecendo apenas em eventos especiais ou ocasiões selecionadas. A aposentadoria lhe permitiu desfrutar de mais tempo livre e dedicar-se a outros aspectos de sua vida, como a família, a saúde e o bem-estar.
Em 2022, a artista recebeu mais um reconhecimento marcante, uma boneca Barbie criada em sua homenagem. O modelo foi inspirado no visual icônico do vídeo clipe de What’s Love Got to Do with It, reproduzindo fielmente detalhes como o cabelo característico, o figurino marcante e sua postura empoderada. A homenagem ressalta o impacto duradouro da artista não apenas na música, mas também na cultura pop, onde se consolidou como um símbolo de estilo e força.
No ano de 2013, Tina tornou-se cidadã suíça, renunciando à cidadania americana. Encantada com a Suíça desde uma visita nos anos 1980, ela escolheu o país como seu lar definitivo, lugar onde encontrou privacidade, tranquilidade e se envolveu em iniciativas humanitárias e filantrópicas. Tina permaneceu na Suíça até sua morte, em 2023, aos 83 anos, deixando como legado uma das carreiras mais influentes da música e uma inspiração eterna para gerações.
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Texto revisado por Alexia Friedmann









