As apresentações na cidade maravilhosa se encerrarão no próximo fim de semana e seguirão pelo Brasil a fora
Fernanda Montenegro encerra, no Rio de Janeiro, a temporada de apresentações do espetáculo em que lê textos de Nelson Rodrigues e Simone de Beauvoir. Com sua interpretação emblemática, a atriz deu vida às palavras desses dois autores tão distintos, explorando a intensidade da dramaturgia brasileira. O formato intimista, centrado na força da palavra e na presença da atriz no palco, foi celebrado pelo público carioca em sessões lotadas e carregadas de emoção.
Com o encerramento no Rio, Fernanda se prepara para levar o espetáculo em turnê pelo Brasil. As datas e cidades ainda não foram anunciadas, mas a atriz já confirmou a intenção de apresentar o projeto em diferentes regiões do país. O público de outras capitais aguarda, com expectativa, a oportunidade de assistir de perto a um dos maiores nomes do teatro brasileiro, em um espetáculo que celebra a literatura, o pensamento e o talento inquestionável da atriz.
Vamos falar de Nelson Rodrigues?
A fala de Nelson Rodrigues sempre chamou a atenção de Fernanda Montenegro, que organizou e costurou as leituras dramáticas baseadas na obra Nelson Rodrigues Por Ele Mesmo, de Sônia Rodrigues, livro que reúne o máximo do que o autor quis dizer sobre sua vida e obra. Respeita-se, inclusive, a sua posição de que o memorialismo é um tipo de falsificação, e de que a ficção é autobiográfica. Nelson Rodrigues é hoje considerado o grande autor trágico do Brasil. Para muitos, é o único grande autor dramático do Brasil, mas, ele é, sobretudo, o descobridor de uma linguagem cênica, de uma linguagem essencialmente liberta de compromissos literários.

Nelson Rodrigues considerava a época em que viveu trágica e épica. Nas crônicas que escreveu nos anos 60, Nelson carregou o século passado para fora do tempo, transformando o cotidiano óbvio em momentos transcendentais. Com sua obra, suas controvérsias e a própria biografia, Nelson Rodrigues inscreveu-se como um dos polemistas mais bem-humorados do país: o hiperbólico cronista do futebol, torcedor do Fluminense e nosso maior dramaturgo.
Nada intimidava Nelson; nenhuma sedução intelectual o fazia recuar da atitude de publicista e de intelectual não orgânico. Provavelmente, deve ter sido um dos últimos intelectuais não orgânicos do país. Ele não era de partido, não era de igrejas, não era de esquerda ou direita, não era da academia (nem a de Letras, nem a universitária). Não pertencia a grupos de opiniões, nem a “panelas” de nenhuma espécie. Achava-se no direito de expressar suas ideias sobre o que lhe pareciam ser os grandes temas de interesse público no país.
Simone de Beauvoir não fica atrás
A leitura celebra os 80 anos de carreira de Fernanda Montenegro e aborda a visão libertária de Simone de Beauvoir (1908-1986) sobre o feminismo, além de sua ligação de vida com o filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980).
”Minha aproximação com a obra de Simone de Beauvoir vem desde quando eu tinha 20 anos. Essa fundamental feminista é uma personalidade referencial na minha geração. O espetáculo, baseado em uma de suas obras, proposto a mim em 2007 por Sérgio Britto, não se realizou”, conta Fernanda.
“A ideia permaneceu em mim através de outra criação de Simone de Beauvoir – A Cerimônia do Adeus. Organizei rigorosamente essa importante obra durante dois anos. Texto pronto, Bonarcado Produções Artísticas e Carmen Mello levaram à cena essa adaptação com o título de Viver Sem Tempos Mortos, continua.
“Em março de 2023, na Academia Brasileira de Letras, realizei a primeira leitura desse mesmo texto, organizado por mim. Seguiram duas apresentações no Teatro Poeira, já com aceitação total da plateia. Quando dessa leitura, trechos de outras obras dessa importante feminista e escritora já estavam incluídos nessas apresentações”, completa a atriz
“Ao ler, no palco, Simone de Beauvoir, nós nos conscientizamos da liberdade que essa Mulher se impôs e propôs a todas as gerações que a sucederam.” – Fernanda Montenegro
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Texto revisado por Kaylanne Faustino









