As interpretações brasileiras que conquistaram o país e o mundo, fizeram história neste ano com performance, intensidade, força e história
Eles roubaram a cena e protagonizaram o ano, chamando a atenção de todos com seu talento, brilho e presença. Conheça agora cinco atuações de atores brasileiros que definiram 2025 e marcaram a história da dramaturgia nacional.
Fernanda Torres

Não poderíamos começar essa lista sem ela, que foi avassaladora. Autêntica, poderosa e absolutamente magnética, Fernanda brilhou como nunca no filme Ainda Estou Aqui, longa lançado em 2024 e que fez história ao conquistar o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025.
A atuação de Fernanda rendeu à atriz dois feitos inéditos: uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, a maior cerimônia de premiação do cinema mundial, e um prêmio de Melhor Atriz em Filme de Drama no Globo de Ouro de 2025, algo nunca antes alcançado por uma atriz brasileira.
Esta foi a segunda vez na história que o Brasil disputou o Oscar de melhor atriz. Na primeira vez, Fernanda Montenegro, mãe de Fernanda Torres, foi indicada à estatueta dourada em 1999 por Central do Brasil. Na ocasião, o prêmio foi entregue a Gwyneth Paltrow.
Fernanda Torres não venceu o Oscar, mas conquistou uma nação. Sua atuação poderosa e visceral fez com que alçasse voos considerados até então altos demais para uma brasileira. Ela foi além e deixou sua marca se firmando como uma das atrizes brasileiras mais influentes e importantes da sua geração.
Entre a leveza e a seriedade, ela interpretou Eunice Paiva, uma mulher que precisou lidar com o sequestro e o assassinato de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, no período da ditadura militar. Fernanda foi profundamente humana e conseguiu abordar um tema tão sério com leveza, dor e força, uma maestria única, que conquistou o mundo do cinema em 2025.
Débora Bloch

Débora, literalmente, deu seu nome. Sua versão de Odete Roitman, a empresária fria, cruel e manipuladora da nova edição da novela icônica Vale Tudo, exibida em 2025, chamou a atenção de todo o país. Foi única, inovadora, poderosa, autêntica e absolutamente encantadora.
Com seu carisma, atuação e magnetismo, ela foi além do que podia, do que era esperado e transformou sua vilã em protagonista natural, conferindo um toque de humor e sensualidade na vilania de Odete, camadas psicológicas e humanidade pouco exploradas na primeira versão de Vale Tudo em 1988.
Sua atuação foi aclamada pela crítica e pelo público, marcada como uma das grandes performances da história da televisão brasileira. Débora foi um bálsamo em meio ao caos, um diamante lapidado e um alento acolhedor, mesmo interpretando uma das maiores vilãs de todos os tempos, afinal todo mundo amou odiar Odete Roitman.
A atriz ainda foi eleita A Mulher do Ano pela revista GQ Brasil, mérito total e exclusivamente dela, que mergulhou de cabeça na personagem e mostrou, mais uma vez, porquê é uma das maiores atrizes brasileiras, entregando com força, intensidade e presença cênica.
O papel foi um prato cheio para Débora, que completa 45 anos de carreira em 2025. “Não acho que foi exatamente um presente. Até poderia dizer isso, mas penso que foi o resultado de anos. E também uma sorte que pintou justamente porque eu estava preparada, então pude saborear”, afirmou ela em entrevista à GQ Brasil. Débora entregou um deleite cênico e uma construção impecável que, sem dúvidas, definiu o ano de 2025 no quesito atuação televisa.
Wagner Moura

Wagner foi visceral e, mais uma vez, deixou sua marca no cinema mundial. Longe dos cinemas há 12 anos, o baiano voltou arrancando aplausos no Festival de Cannes 2025 com sua atuação no filme Agente Secreto, uma das esperanças brasileiras nesta temporada de premiações mundo afora.
Lançado em maio, no importantíssimo Festival de Cannes, o longa levou os prêmios de Melhor Ator e Melhor Diretor no evento. Ele conquistou, ainda, o Prix des Cinémas d’Art et Essai, o Fipresci, o Festival Internacional de Chicago e outros. Consta a participação ainda em mais de 50 festivais, com o saldo de 20 troféus. O filme, ambientado em 1977, acompanha Marcelo, interpretado por Wagner, um especialista em tecnologia que foge de um passado misterioso e retorna a Recife em busca de paz. O suspense se faz em meio à atmosfera política e social do Brasil de 1970 e Wagner entrega uma interpretação complexa, intensa e recheada de nuances.
Veículos internacionais, como o The New York Times, The Guardian e Variety, elogiaram sua performance, considerando que ele atuou com maestria e poder. Wagner despontou como um dos possíveis indicados ao Oscar de Melhor Ator, consolidando seu nome como um dos artistas mais respeitados do cinema global. Um grande feito, não é mesmo?
Camila Pitanga

Camila Pitanga brilhou muito! Sua vilã, Lola, de Beleza Fatal, novela da HBO Max, foi um acontecimento e tanto. Lola é caricata, espalhafatosa, exagerada, faz maldades com um sorriso no rosto sem receio algum e é cruel e divertida ao mesmo tempo. Camila conseguiu fazer a personagem com naturalidade, carisma, senso de humor e vilania únicos.
Complexa e cheia de camadas, Lola foi única e Camila mereceu todos os aplausos possíveis por sua atuação. Esposa de um policial e secretária do excêntrico e antiético cirurgião plástico Rog (Marcelo Serrado), conhecido como Dr Peitão, ela sonha em abrir sua própria clínica de estética e ficar milionária. Quando sua prima do interior Cléo (Vanessa Giácomo) pede abrigo para ela e sua filha pequena após perder tudo em um incêndio, a ambiciosa a transforma em empregada doméstica em troca de moradia e comida e o caos se instala.
O enredo se torna ainda mais sombrio quando Lola se envolve na morte de uma paciente do chefe. O marido descobre, ela o mata e manipula a prima para assumir o crime, desencadeando uma trama densa e cheia de viradas dramáticas. A vingança de Sofia (Camila Queiroz), filha de Cléo, posteriormente contra a sua tia, fecha a trama com grande estilo. Lola foi intensa e marcante e foi um ato de 2025 que ficou para a história da dramaturgia brasileira e Camila reafirmou sua força como uma das grandes atrizes do país.
Selton Mello

O ator chamou a atenção com a sua atuação e emocionou o país em Ainda Estou Aqui, dando vida à Rubens Paiva, ex-deputado e preso político desaparecido em 1971. Ele arrancou elogios do público, da crítica e da própria família de Rubens. “Ele conseguiu exprimir aquele cara carinhoso, divertido, engraçado, que gostava de receber amigos em casa. Ele fez uma atuação brilhante”, destacou Chico, neto do ex-deputado.
Selton recebeu o Prêmio Otelo de Melhor Ator por sua performance no filme. “Foi muito emocionante viver Rubens Paiva, dar vida a esse personagem que a gente não sabe o que aconteceu depois que foi levado daquela casa. Ele é o sol do filme”, escreveu Selton em sua autobiografia intitulada Eu Me Lembro.
Selton entregou uma atuação primorosa e memorável, delicada e permanente na memória de todos que assistiram Ainda Estou Aqui, uma das mais importantes atuações do cinema brasileiro de 2025.
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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura










