Debora Bloch é uma atriz super talentosa e com o passar do tempo vem conquistando cada vez mais corações por meio de sua atuação!
Consagrada no teatro, no cinema e na tv, a atriz Debora Bloch está mais em alta do que nunca com a icônica vilã amada e odiada do remake de Vale Tudo (2025): a lendária Odete Roitman.
Dona de uma carreira extensa e versátil, a atriz já provou que sabe ser dramática, divertida, cruel e carismática – às vezes tudo isso junto!
Pensando nisso, o Entretê preparou um especial para relembrar a trajetória dessa atriz incrível e mostrar por que ela merece todo esse sucesso. Vem com a gente!
Dos palcos para o mundo

Filha do também ator Jonas Bloch, Debora Bloch é uma atriz e diretora brasileira descendente de judeus imigrantes da Ucrânia que nasceu em Belo Horizonte cercada pela arte. Aos 15 anos já estudava no Teatro Ipanema e, aos 17, estreou profissionalmente nos palcos. Em 1980, apesar da tenra idade, já demonstrava força cênica e muito cuidado e rigor nos seus trabalhos. Ela assumiu uma responsabilidade imensa em sua primeira peça: substituiu ninguém menos que a consagrada atriz Lucélia Santos na peça de Oduvaldo Viana Filho, Rasga Coração, obra emblemática que falava de abertura política e que foi um marco para o começo da democracia brasileira contra a censura que imperava no Brasil.
Depois desse deleite cênico, Débora passou a integrar o grupo teatral Manhas e Manias, ao lado de nomes como Andréa Beltrão, Chico Diaz e Pedro Cardoso, onde apresentavam espetáculos cheios de humor, circo e música. Ela encenou com eles peças como: Brincando com o Fogo (1982) e Recordações do Futuro (1983), criações coletivas do grupo que ganhou 13 prêmios por seus espetáculos infantis. Não é pouca coisa, né? Ela veio realmente com tudo!
Ao todo, Debora atuou em mais de dez peças, entre elas Fica Comigo Esta Noite (1990), pela qual foi premiada com o Shell de melhor atriz e Duas Mulheres e Um cadáver (2000), na qual dividiu o palco com Fernanda Torres, atriz vencedora do Globo de Ouro de 2025. Ela também estreou a peça Tio Vanya (2003), na qual foi produtora e recebeu o prêmio Qualidade Brasil de Melhor Atriz Teatral na categoria Drama. Toda sua base cênica foi construída no teatro: “a minha geração queria estar no teatro. Todo mundo começou cedo. E quando você é atriz, as oportunidades aparecem realmente cedo e é preciso aproveitá-las. Aos 15 anos, já estava no Teatro Ipanema. O cinema adora os jovens, então tive bons personagens com 20 e poucos anos. A televisão também. As novas gerações fazem bem menos teatro ou nem fazem. Mas acho que nem é porque eles não sentem vontade, tem dificuldade de agenda ou pensam que vão ganhar menos dinheiro. Os jovens atores não sabem o quanto é bom fazer teatro, não tiveram oportunidade de descobrir isso”, afirmou a atriz em entrevista à revista Veja São Paulo, destacando a importância do teatro na sua formação autoral.
A Estreia na TV e a musa do rock

Débora estreou na TV Globo na novela Jogo da Vida (1981), no horário das sete com a personagem Livia, onde já começou brilhando: ganhou um prêmio de atriz revelação da Associação Paulista de Críticos da Arte, logo de cara! Um ano depois, virou uma das protagonistas de Sol de Verão (1982), trama das oito. A jovem Clara era par de Abel (Tony Ramos), um rapaz deficiente auditivo, o que projetou seu nome de maneira avassaladora na teledramaturgia. Porém depois de todo esse sucesso, Débora resolveu parar e ficar reclusa das novelas por 4 anos, limitando-se a participações especiais em seriados. Na verdade, ela não se sentia parte do universo das novelas e se incomodava com os papéis estereotipados de heroína que foram oferecidos para ela “podia ser uma arrogância da juventude mas queria estar no teatro e não naquele lugar, me deslumbrei um pouco, só que tive o exemplo do meu pai, que driblou a instabilidade o tempo inteiro e firmei os pés no chão” explicou a atriz em entrevista à revista Claudia.
Foi neste período, que Débora fez sua estreia no cinema com Bete Balanço (1984), um marco do cinema nacional e da música brasileira. O longa mostra a vida de uma cantora do interior disposta a tudo para alcançar o sucesso no Rio de Janeiro, o que consagrou Débora como musa do rock nacional, eternizada pela música tema do filme composta por Cazuza e Frejat. O papel lhe rendeu o prêmio Air France e APCA de Melhor Atriz de Cinema, em 1985. Participou ainda de Noites do Sertão (1983), filme baseado na novela Buriti, de Guimarães Rosa, premiado em diversos festivais de cinema pelo Brasil.
Na televisão, encontrou um novo prazer ao integrar o elenco do humorístico TV Pirata (1988), onde chegava a interpretar dez personagens diferentes por semana, destacando-se por seu timing cômico e criatividade irreverentes. Adelaide Catarina, a repórter de TV cheia de tiques, compostos por ela, foi uma das personagens que entraram para a galeria dos personagens mais inesquecíveis do programa. Ela escolhia o que fazia e descobriu que podia amar fazer televisão, que podia viver aquilo sem precisar abdicar do teatro. Ela gostou tanto da coisa que não parou mais! Foi escalada para a minissérie A, E, I, O… Urca (1991), para o humorístico Doris Para Maiores (1991) e com o fim da TV Pirata em 1992, voltou a fazer novelas com Deus nos Acuda (1992).
Em 1993, participou da série A Comédia da Vida Privada. No ano seguinte, aceitou um convite para protagonizar o Remake As Pupilas Do Senhor Reitor, exibido pelo SBT. Em 1996, retornou à Globo no papel da sofisticada e irônica Teodora, na novela Salsa e Merengue. Ainda naquele ano, atuou em diversos episódios da série A Vida Como Ela É, exibida dentro do Fantástico. Em 1998, integrou o elenco fixo do humorístico Vida ao Vivo Show, uma sitcom também veiculada no Fantástico. No ano seguinte, em 1999, co-protagonizou a novela Andando Nas Nuvens, dando vida à jornalista Júlia Montana.

A partir daí seriam mais seis anos longe de novelas, concentrando-se em minisséries e especiais. Atuou em A Invenção do Brasil, ao lado de Selton Mello e Camila Pitanga, participou do quadro do Fantástico, As 50 Leis do Amor (2004), com Andréa Beltrão e Diogo Vilela, chegou a gravar o piloto do humorístico Toma Lá Dá Cá (2005), no papel de Rita, personagem que seria de Marisa Orth na versão definitiva do programa e interpretou a corista Dora Amar na minissérie JK (2006), papel originalmente pensado para Maria Fernanda Cândido.
Em seguida, esteve na minissérie Amazônia, de Galvez a Chico Mendez (2007) como Beatriz, amante do protagonista Galvez, vivido por José Wilker e em 2008, participou da minissérie Queridos Amigos (2008), interpretando a artista plástica Leona.
Seu retorno às novelas aconteceu somente em 2005, em A Lua Me Disse, como Madô, a dondoca politicamente incorreta, consumista e inescrupulosa, que caiu nas graças do público com seu humor ácido. Já em 2009, integrou o elenco de Caminho das Índias, vivendo Silvia, uma mulher presa em um casamento infeliz, vítima de uma traição arquitetada pela sua melhor amiga, Yvone, papel de Letícia Sabatella, que planejava dar um golpe em seu marido. A personagem foi amplamente elogiada e sua atuação encheu os olhos dos telespectadores na época. Em 2011, ela deu vida a sua primeira vilã “divertida”: a Duquesa Úrsula em Cordel Encantado, sua química com Domingos Montagner foi evidente e muito bonita e sua atuação aqui foi primorosa. Logo após esse sucesso, ela emendou outro: o fenômeno Avenida Brasil (2012), onde interpretou uma das esposas do mulherengo Cadinho (Alexandre Borges), a fútil e consumista Veronica. Logo após, viveu Risoleta no remake de Saramandaia (2013) e em 2015, repetiu a parceria com Domingos Montagner em Sete Vidas, onde interpretou a jornalista Lígia. Já em 2019, protagonizou o seriado Segunda Chamada como a professora Lúcia que tinha a missão de formar alunos adultos do EJA no ensino médio, o que chamou bastante atenção para a evasão escolar e reinserção social de jovens adultos aos estudos.
Depois de um tempo longe das telas, Débora voltou com outra vilã ‘divertida”: a maquiavélica Deodora Montijo Aguiar de Mar do Sertão (2022), que faz de tudo pelos interesses da família e para manter o poder. “A Deodora tem essa mistura de vilanice com humor. Eu acho ela muito engraçada, mas ela também trama coisas terríveis, é interessante fazer vilãs pois elas trazem mais complexidade e camadas”, afirmou a atriz em entrevista ao Portal NaTelinha do Uol. O sucesso de sua personagem foi tão grande que, dois anos mais tarde, Débora voltaria a interpretar Deodora na continuação de Mar do Sertão, a novela Rancho Fundo (2024), mostrando sua capacidade de fazer personagens complexos e irreverentes, podendo interpretar cada um deles com versatilidade e empoderamento únicos. Nesse meio tempo, ela também viveu Elisa, uma advogada que perde a filha e planeja vingança contra o assassino, interpretado por Jesuíta Barbosa em Justiça (2016).
Vida Pessoal

De 1991 a 2006, Débora foi casada com o chef e empresário francês Olivier Anquier, juntos, os dois tiveram 2 filhos: Julia Bloch Anquier, de 31 anos, que atua no setor audiovisual em São Paulo, e Hugo Bloch Anquier, 27,designer de jogos digitais radicado em Berlim, Alemanha. Mãe dedicada, Débora já enfrentou dilemas para conciliar a maternidade com a carreira. Durante as gravações da novela Andando nas Nuvens, por exemplo, seu filho Hugo ficou gripado. Ela o levou na ponte aérea Rio-São Paulo para acompanhá-la nas gravações, mesmo com uma agenda lotada de compromissos publicitários. Quando o menino foi diagnosticado com pneumonia, a atriz não hesitou em tirar uma licença maternidade de 15 dias para cuidar dele. “Sempre fui muito próxima dos meus filhos, apesar de ter trabalhado muito, estava ali para o que eles precisassem, meus filhos são minhas maiores alegrias”, disse a atriz em entrevista ao portal Leia Agora, em maio deste ano.
A dramaturgia sempre esteve presente em sua vida e o talento vem de berço. Filha do ator Jonas Bloch, Débora cresceu nos bastidores dos ensaios e montagens de peças teatrais do pai, experiência que despertou sua vontade de atuar e o amor pelos palcos. De personalidade livre e de pensamentos firmes, a atriz também não esconde suas convicções: é declaradamente feminista e abertamente favorável á legalização do aborto. Em entrevista á revista Marie Claire, em 2020, revelou ter realizado um aborto aos 20 anos. “É hipócrita fingir que não existe porque não é legalizado, enquanto mulheres morrem em decorrência de abortos malfeitos”, afirmou ela na entrevista. Após o fim do casamento de 15 anos com Anquier, Débora passou cerca de uma década sozinha até se apaixonar novamente, em 2018, pelo produtor de cinema e televisão português João Nuno Martins, com quem mantém um relacionamento até hoje. Discreta quanto à vida pessoal, a atriz não é muito adepta das redes sociais. Prefere manter os holofotes voltados para a sua arte e para sua sólida trajetória artística, priorizando a carreira em detrimento da exposição íntima.
Odete Roitman: um desafio histórico

Em 2025, Débora assumiu um dos maiores desafios de sua carreira: interpretar a grande vilã Odete Roitman no remake da autora Manuela Dias baseado na novela Vale Tudo de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basséres, de 1988, lançado em 31 de março na Rede Globo. A célebre vilã foi interpretada originalmente pela saudosa e grandiosa atriz Beatriz Segall, com quem Débora chegou a contracenar em Sol de Verão (1983). A personagem é considerada uma das maiores vilãs da história da TV brasileira!
Beatriz Segall e A travessia da Terra Vermelha: quando a arte encontra a memória
Muitos duvidaram de sua capacidade no início, mas Débora não se deixou abalar e mostrou por que foi escolhida para essa missão, trazendo novas camadas à vilã arrogante: um toque de humor, sensualidade e humanidade. Odete Roitman é uma empresária que mora em Paris, despreza o Brasil e comanda uma companhia aérea com o mesmo ímpeto e arrogância que manipula os filhos, Heleninha (Paola Oliveira) e Afonso (Humberto Carrão). “Ela é um exemplar horroroso de uma elite retrógrada que a gente imaginava ter se livrado e reencontrou nos últimos anos. Ela ganha dinheiro no Brasil para gastar na Europa e deixa aqui só o lixo”, afirmou a atriz sobre a personagem em entrevista à revista Claudia. Débora ressignificou a vilã, que passou de odiada para ser amada e elogiada por onde anda, trazendo o toque de comédia nítido que ela sempre carregou em seus trabalhos, mas sem deixar de lado a firmeza, a arrogância, o olhar mortal e a faceta de vilã cruel e manipuladora. Débora roubou os corações de todos com sua Odete, deixando-a mais humana e até mais amável. A autora Manuela Dias ainda trouxe um toque de sensualidade para a vilã que já existia na trama original de 1988 mas que aqui ficou ainda mais evidente. Odete sempre flerta com seus parceiros e é super jovem e liberal, quebrando paradigmas e preconceitos de que as mulheres não devem ter muitos parceiros porque senão serão vistas como promíscuas. Aqui, Débora evidencia que Odete está no comando e Odete sempre está no poder, a mulher é a dona de seu próprio destino. Socialmente e sexualmente, a personagem é vista de outra forma: moderna, empoderada, autêntica e principalmente, livre e a atuação impecável de Débora só reforça mais ainda todas essas camadas da vilã, deixando-a com traços de humanidade e sagacidade, provando mais uma vez porque ela é uma das maiores atrizes de sua geração, alguém que transforma tudo o que toca em um grande espetáculo. Porque no final das contas, todos amam odiar Odete Roitman.
E aí? Já conhecia a trajetória dessa atriz maravilhosa? Conte para a gente nas redes sociais do Entretê (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade de cultura e entretenimento!
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Odete Roitman volta ao Brasil e desestabiliza família
Especial: Vale Tudo, o que esperar desse remake tão emblemático
Texto revisado por Angela Maziero Santana










