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7 coisas sobre Arirang e o comeback do BTS que nos ajudam a entender por que esse álbum é diferente

Com referências que vão de uma gravação de 1896 até símbolos nacionais da Coreia, o novo álbum do BTS mistura história, identidade e música de um jeito que faz mais sentido quanto mais você entende os detalhes

 

O comeback do BTS já era um dos mais esperados do ano, principalmente depois do período de alistamento militar que deixou o grupo em pausa. Só que Arirang não chega só como uma nova era. Ele é construído em cima de referências históricas reais, algumas com mais de mil anos, que aparecem espalhadas pelo álbum.

O projeto tem 14 faixas inéditas, incluindo Swim, mas o que faz ele se destacar é o quanto essas referências são específicas. Não são só ideias gerais sobre tradição. São eventos documentados, pessoas reais, objetos preservados e lugares que ainda existem hoje. E quando você começa a entender esses detalhes, o álbum muda completamente de escala.

  1. Arirang é uma música sem autor que atravessou séculos e virou símbolo nacional

Arirang não tem um compositor registrado nem uma data exata de origem. Acredita-se que suas primeiras versões tenham surgido durante o período da dinastia Joseon, que governou a Coreia entre 1392 e 1897. Como a música foi transmitida oralmente, ela foi se modificando ao longo do tempo, o que explica a existência de diferentes versões regionais.

Algumas das variações mais conhecidas vêm de regiões como Jeongseon, Miryang e Jindo. Cada uma tem diferenças na melodia e na letra, mas mantém a estrutura básica. O refrão repetitivo é uma das características mais marcantes e nos ajuda a entender por que a música sempre foi cantada em grupo, muitas vezes em contextos comunitários.

O significado da palavra “Arirang” não é totalmente definido. Uma das interpretações mais comuns associa o termo à ideia de “meu amado”, o que explica por que a música frequentemente fala de separação. O verso sobre atravessar um morro aparece em várias versões e acabou se tornando uma imagem central.

Durante a ocupação japonesa, entre 1910 e 1945, a música ganhou um papel importante como símbolo cultural. Em um período em que o uso da língua coreana e de tradições locais era restringido, cantar Arirang era uma forma de manter a identidade do país viva. Isso consolidou a música como um dos principais símbolos culturais da Coreia.

Hoje, Arirang é reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, o que reforça a importância histórica que a música acumulou ao longo dos séculos.

Leia mais sobre em Arirang: saiba o que significa o nome que transforma o comeback do BTS em um ato cultural, político e histórico.

  1. Os sete estudantes de 1896 ajudaram a registrar Arirang fora da Coreia pela primeira vez

A referência aos sete integrantes do BTS também se conecta a um episódio histórico pouco conhecido. Em 1896, um artigo do The Washington Post relatou a chegada de sete estudantes coreanos aos Estados Unidos.

Esses jovens eram descritos como descendentes de famílias aristocráticas e faziam parte de uma geração que estava tendo acesso à educação fora da Coreia em um momento de abertura gradual do país. Antes disso, muitos haviam estudado no Japão, que já passava por um processo mais avançado de modernização.

Entre os nomes registrados estavam Im Byung Goo, Lee Bum Su, Kim Hun Sik, Ahn Jung Sik e Eyo Byung Hyun. Eles tinham entre 19 e 27 anos e estavam em formação acadêmica. A ida para os Estados Unidos representava não só uma oportunidade educacional, mas também um contato direto com outras culturas.

Arirang
Foto: reprodução/howard university

Eles foram acolhidos pela Howard University, fundada em 1867 em Washington, D.C. A universidade foi criada após a Guerra Civil americana para educar pessoas negras recém-libertas e, com o tempo, passou a receber estudantes internacionais que não eram aceitos em outras instituições.

Dentro da universidade, esses estudantes coreanos chamaram atenção por cantar músicas tradicionais do seu país. As apresentações aconteciam de forma espontânea e acabaram despertando o interesse da etnóloga Alice C. Fletcher, que estudava culturas indígenas e práticas musicais.

Ela organizou a gravação de seis músicas, incluindo Arirang. Esse registro é considerado um dos primeiros registros sonoros da música coreana fora do país, o que transforma esse episódio em um marco importante para a difusão da cultura coreana.

Arirang
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  1. O sino de Seongdeok foi fundido no século VIII e ainda hoje é um dos maiores tesouros da Coreia

Sino do Rei Seongdeok foi fundido em 771 d.C., durante o período de Silla Unificada, que durou de 668 a 935. Esse período foi marcado pela unificação da península coreana e por avanços significativos em arte, arquitetura e metalurgia.

O sino foi encomendado em homenagem ao rei Seongdeok, que governou entre 702 e 737. A fundição foi concluída durante o reinado de seu filho, o rei Gyeongdeok. Ele é feito de bronze e pesa cerca de 25 toneladas, sendo um dos maiores sinos já produzidos na Ásia.

Arirang
Foto: reprodução/korea day

Uma das características mais impressionantes é a qualidade do som. O sino foi projetado para produzir uma reverberação longa e profunda, que pode durar vários segundos. Esse efeito é resultado de técnicas avançadas de fundição para a época, que permitiram criar uma estrutura acústica precisa.

Ao longo dos séculos, o sino passou a ser associado a significados religiosos e políticos. Ele era usado em contextos cerimoniais e também como símbolo de autoridade. Hoje, está preservado como um dos principais tesouros nacionais da Coreia e ocupa a posição de número 29 nessa lista.

No álbum, a faixa No. 29 usa exclusivamente o som desse sino. Não há outros instrumentos ou camadas. Depois do toque, o som se dissipa e dá lugar ao silêncio, criando uma pausa que se destaca dentro da sequência das músicas.

  1. Kim Gu foi uma das figuras centrais da luta pela independência da Coreia

Kim Gu nasceu em 1876 e se tornou uma das principais lideranças do movimento de independência coreano durante o domínio japonês, que começou oficialmente em 1910.

Ele participou de movimentos de resistência desde jovem e acabou sendo preso várias vezes por suas atividades políticas. Em 1919, após o Movimento de 1º de Março, que reuniu protestos em massa contra a ocupação japonesa, Kim Gu se exilou e passou a atuar no Governo Provisório da Coreia, estabelecido em Xangai.

Foto: reprodução/korea day

Como líder desse governo no exílio, ele coordenou esforços diplomáticos e apoiou ações de resistência contra o domínio japonês. Sua atuação foi fundamental para manter a ideia de um Estado coreano independente durante o período colonial.

Após a libertação da Coreia em 1945, Kim Gu voltou ao país e se envolveu ativamente na política local. Ele defendia a reunificação da península em um momento em que a divisão entre Norte e Sul começava a se consolidar.

Kim Gu foi assassinado em 1949, mas continua sendo uma das figuras mais importantes da história moderna coreana. Sua presença no álbum conecta o projeto a um período de conflito e reconstrução nacional. 

Mas o que isso tem a ver com o comeback do BTS? Tudo! Kim Gu é citado na música Aliens

  1. O Gyeongbokgung foi construído no século XIV e já foi destruído e reconstruído várias vezes

Gyeongbokgung foi construído em 1395, durante o início da dinastia Joseon, que governou a Coreia por mais de 500 anos. Ele foi o principal palácio real e serviu como centro político e administrativo do reino.

Ao longo dos séculos, o palácio foi ampliado e passou por diferentes reformas, acompanhando as mudanças políticas e culturais do período. Ele abrigava a família real, além de funcionários e estruturas administrativas.

No final do século XVI, durante invasões japonesas conhecidas como Guerras Imjin, grande parte do palácio foi destruída por incêndios. Ele permaneceu em ruínas por cerca de 270 anos até ser reconstruído no século XIX, durante o reinado do príncipe regente Heungseon Daewongun.

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Durante a ocupação japonesa no século XX, partes significativas do complexo foram novamente destruídas ou modificadas. Após a independência, o governo coreano iniciou um longo processo de restauração, que continua até hoje.

Atualmente, o Gyeongbokgung é um dos principais símbolos históricos da Coreia e funciona como um espaço cultural aberto ao público. A praça Gwanghwamun, onde o BTS realizou o comeback stage, fica em frente ao palácio e é usada para eventos nacionais importantes.

  1. Body to Body conecta o álbum diretamente à tradição musical coreana

A faixa Body to Body segue uma estrutura pop durante a maior parte da música, mas o final incorpora um trecho direto de Arirang. O verso utilizado fala sobre atravessar o morro Arirang e sobre a dificuldade de seguir em frente após a separação.

Esse detalhe muda a função da faixa dentro do álbum. A música passa a atuar como ponto de ligação entre a produção contemporânea e a tradição que dá nome ao projeto.

A inclusão da gravação não aparece como citação isolada. Ela faz parte da própria construção da música, o que cria uma continuidade entre diferentes períodos.

Isso reforça a proposta do álbum de trabalhar com referências históricas dentro da própria estrutura musical, e não apenas como conceito visual.

@abts_chingu7

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♬ original sound – Tangie⋆🐾°

  1. O álbum funciona como um conjunto de referências que se conectam

Quando essas histórias são vistas separadamente, elas podem parecer apenas curiosidades. Mas, dentro do álbum, elas estão organizadas de forma que uma leva à outra.

A música tradicional, o episódio de 1896, o uso do sino, a referência a Kim Gu e o palco do comeback fazem parte de uma mesma construção.

O resultado é um projeto que não depende só da música para se sustentar. Ele se apoia em uma série de elementos históricos reais que ajudam a ampliar o significado do álbum.

 

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Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz

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