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Foto: reprodução/GQ

Como o retorno do BTS com Arirang reescreve a regra do ídolo pop

O grupo sul-coreano usa suas raízes para provar que a maior força de um fenômeno global é a própria autenticidade

Prestes a retornar oficialmente de seu hiato, o BTS reafirma sua posição como uma dos grupos mais influentes da música global contemporânea. Sustentado por bilhões de reproduções no streaming e por um impacto multibilionário na economia de seu país, o grupo se distancia cada vez mais do molde tradicional que enquadra os artistas coreanos.

Eles marcam esse retorno com o álbum Arirang, que será lançado em 20 de março, e um evento ao vivo monumental na Praça Gwanghwamun no sábado (21), que será transmitido globalmente pela Netflix.

É impossível observar esse marco pós-alistamento sem puxar na memória o que aconteceu com outro grande ícone global da música. Quando Elvis Presley foi para o exército em 1958, ele era um roqueiro rebelde e perigoso para os padrões da época. Ao retornar, a indústria o havia lapidado em um produto comportado, ideal para o cinema e para as famílias conservadoras.

Foto: reprodução/Associated Press

Historicamente, o mercado de ídolos tem fama de neutralizar e controlar artistas da mesma forma. O  grupo sul-coreano BTS, contudo, parece usar o novo álbum para rasgar essa regra, mostrando que não pretende voltar a se encaixar em moldes.

Se Elvis representa o risco da domesticação, os Beatles ilustram a rota da fuga. No auge da “Beatlemania”, o quarteto britânico se cansou da febre que provocou. Cancelaram turnês e, em 1967, se isolaram nos estúdios para quebrar o padrão de boyband que eles mesmos criaram. Desse confinamento nasceu o álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967), uma obra que revolucionou a produção musical e cuja influência dita as regras do pop até os dias de hoje.

Foto: reprodução/Michael Cooper/Parlophone

O BTS, no entanto, reage de forma oposta à distância. Em 2020, ao cancelarem uma turnê mundial pela pandemia, o grupo deixou claro o quanto sofreu com o afastamento do público – uma saudade repetida durante o período de serviço militar. Apesar da pressão esmagadora da indústria, a promessa de retorno sempre foi inegociável.

Ao que tudo indica, a lealdade inabalável de sua fanbase e a força no mercado global deram ao septeto a segurança para alcançar sua versão mais autêntica de peito aberto, sem a necessidade de fugir dos palcos. O golpe final contra o padrão engessado da indústria está na própria anatomia desse retorno.

Ao escolherem o nome Arirang, uma tradicional canção folclórica considerada patrimônio cultural e o hino não-oficial da Coreia, e a histórica Praça Gwanghwamun como palco, o grupo rejeita o isolamento e a formatação comercial.

Imagem: divulgação/BIGHIT Music

Com a Netflix transmitindo o evento para o mundo, eles sequer pedem licença aos porteiros do mercado tradicional americano. Se Elvis foi domesticado pela farda e os The Beatles escolheram o exílio para fugir dos gritos, o BTS escolheu o espaço público e a própria essência. Eles rasgam o manual de sobrevivência do pop e mostram que a maior rebeldia de um artista hoje é, simplesmente, não abaixar a cabeça.

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Texto revisado por Kaylanne Faustino

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