Crime sem Castigo reúne documentos inéditos e investiga como foram identificados os responsáveis pela morte de Rubens Paiva mais de 40 anos após o seu desaparecimento
O livro Crime sem Castigo: Como os militares mataram Rubens Paiva (2025), da jornalista investigativa Juliana Dal Piva, publicado pela Matrix Editora, é finalista da categoria Comunicação e Informação da 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. A obra reúne mais de quatro décadas de investigações sobre a prisão, o desaparecimento e o assassinato do ex-deputado federal Rubens Paiva, apresentando documentos inéditos e revelando como foram identificados os responsáveis pelo crime.
Promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti Acadêmico reconhece obras acadêmicas, científicas, técnicas e profissionais. Os vencedores serão anunciados em 11 de agosto, durante cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo.
Resultado de anos de investigação, Crime sem Castigo nasceu a partir da pesquisa de mestrado de Juliana Dal Piva. Em 2014, a Justiça Federal do Rio de Janeiro aceitou, pela primeira vez em quase 30 anos, uma denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra cinco militares acusados pela morte e pela ocultação do corpo de Rubens Paiva. O episódio representou um marco para familiares de vítimas da ditadura militar e para a Justiça de Transição no Brasil.
O livro reconstrói a trajetória da busca por respostas desde 16 de fevereiro de 1971, quando Eunice Paiva escreveu uma carta ao então ministro da Justiça e presidente do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), Alfredo Buzaid. No documento, ela relata a prisão arbitrária sofrida por ela e por uma de suas filhas além de cobrar informações sobre o paradeiro do marido. A carta se tornou um dos primeiros registros da luta da família por esclarecimentos.
A narrativa acompanha, ainda, a mobilização de Eunice ao longo dos anos para que o caso fosse investigado. Somente em 1986, durante o governo José Sarney, a Polícia Federal instaurou um inquérito sobre o desaparecimento do ex-deputado, quase 15 anos após os acontecimentos.

A obra mostra que a identificação dos responsáveis ganhou novo impulso a partir de 2011, com a criação da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e a atuação do Grupo de Justiça de Transição do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro. Dois depoimentos inéditos de militares envolvidos nas investigações de 1971 e nos inquéritos realizados entre 1986 e 1987 trouxeram novas informações sobre a prisão e a morte de Rubens Paiva, permitindo que o MPF formalizasse a denúncia contra os acusados.
Ao longo do livro, Juliana Dal Piva também evidencia a importância do trabalho investigativo da imprensa para o avanço das apurações. Entre os documentos anexados à obra estão registros inéditos que mostram como o Serviço Nacional de Informações (SNI) monitorou Eunice Paiva e acompanhou as iniciativas de investigação sobre o desaparecimento do ex-deputado.
Outro destaque é a descoberta, no acervo do SNI, do primeiro documento produzido pela ditadura que registra Rubens Paiva como “falecido“, em 1977. Apesar disso, o Exército manteve oficialmente, até o fim do governo João Figueiredo, a versão de que o ex-deputado havia fugido.

Além de reconstruir a cronologia do caso entre 1971 e 2014, a autora relata a única audiência judicial em que os cinco militares acusados pelo assassinato de Rubens Paiva estiveram presentes. A obra oferece um panorama aprofundado de um dos casos mais emblemáticos da ditadura militar brasileira, que voltou ao centro do debate público com o sucesso do filme Ainda Estou Aqui (2024).
Sobre a autora

Juliana Dal Piva é jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getulio Vargas (FGV-Rio). Atualmente, é repórter do Centro Latino-Americano de Investigação Jornalística (CLIP) e colunista do ICL Notícias.
Foi repórter especial de O Globo e colunista do portal UOL. Ao longo da carreira, recebeu diversos prêmios de jornalismo, entre eles o Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE), concedido pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), em 2019.
Também é apresentadora do podcast A Vida Secreta do Jair e autora do best-seller O Negócio do Jair: A História Proibida do Clã Bolsonaro (2022), finalista do Prêmio Jabuti em 2023.
E você, pretende ler Crime sem Castigo? Compartilhe com a gente através das nossas redes sociais – Instagram, Facebook e X – e, se você gosta de trocar experiências literárias, junte-se ao Clube do Livro do Entretê!
Leia também: Todas as Coisas que Cansei de Explicar propõe reflexões sobre racismo e letramento racial
Texto revisado por Kaylanne Faustino









