Resenha | Get Back: documentário dos Beatles impressiona pelo impacto musical e realidade da banda

Get Back estreou no Disney+, contendo 3 episódios, e já conquistou o público pelo peso emocional e histórico que carrega

The Beatles: Get Back é o novo documentário da Disney+ sobre o quarteto que mudou a história da música e do rock, além de definir novos rumos em toda uma cena cultural, e impacta o público pela sinceridade explícita.

O documentário é orgânico, bem realista e apresenta os quatro de forma crua, com destaques para os comportamentos de cada um, suas funções ali naquela equipe, e apresenta uma dinâmica interna que não era tão conhecida pelo público.

Temas mais complexos são abordados superficialmente na primeira fase do documentário, fazendo uma micro retrospectiva sobre cada momento da carreira deles até aquele instante, e o incidente do comentário de John Lennon sobre Jesus Cristo é mencionado com mais força, relembrando o público que aquela não foi apenas uma fala infeliz, mas também os jogou em um poço de timidez no palco que impediu a banda de seguir para um caminho mais longo e feliz.

As quebras emocionais são nítidas em tela, e isso precisa ser mencionado. Eles foram se fechando em pequenas ilhas emocionais, se focando em projetos distintos demais, e a falência da banda como equipe foi inevitável.

O machismo

Foto: divulgação

A primeira coisa que precisa ser falada sobre esse documentário é que ele retrata de forma excepcional os problemas que estavam crescendo entre o grupo. A morte de Epstein, o comentário infeliz de John Lennon, o projeto de filmagem de Ringo Starr, o envolvimento de George Harrison com a cultura indiana e o perfeccionismo mandão de Paul McCartney que só crescia. Tudo culminou no fim dos Beatles, mas todos culparam Yoko Ono.

Ok, talvez ela fosse um pouco colada demais no marido, mas na posição dela você não seria?

O documentário mostra a distância glacial que John e Paul já tinham criado entre si, e raros momentos em que decidiam trabalhar em equipe novamente e se dar bem. Mas a culpa não era da Yoko Ono.

The Beatles: Get Back oferece cenas e mais cenas de horas gravadas, horas infinitas em que Yoko estava sempre sentada ao lado do marido, ouvindo as músicas, em silêncio, fazendo suas próprias coisas. Enquanto John ensaiava, Yoko se sentava ao seu lado e escrevia, costurava ou só observava. Raras vezes ela brincava ou interagia com alguém da equipe, e em um único momento ela é vista conversando amigavelmente com Linda McCartney.

Todos acusaram Yoko Ono de ter arruinado a banda, mas o ataque é injusto.

Yoko Ono era uma mulher imigrante, tinha tido sua filha arrancada dela e sofria pressão da mídia por estar sempre sendo afetuosa e próxima do marido, mas Linda não fazia o mesmo? E mesmo que Linda não estivesse em todos os ensaios da banda, mesmo que fosse a Yoko a estar ali (e era, mas essa não é a questão): qual era o problema nisso?

O machismo usado para ferir Yoko Ono durante todos esses anos precisa ser repensado com urgência, e as gravações do último show são a maior prova disso.

The Beatles: Get Back reforça que a sociedade gosta de culpabilizar mulheres (imigrantes de preferência) por questões que são exclusivas da falta de capacidade ou de comunicação masculina.

Quem eles eram

Foto: divulgação

Como já foi dito ali em cima, The Beatles: Get Back mostra os quatro de forma extremamente sincera e realista, com destaque para os comportamentos de cada um.

A personalidade caótica de John, com aquela suposta paz de espírito que, de repente, se tornava uma combustão de energia e ele brincava e ria, empolgado com qualquer coisa ao seu redor. A passividade de Ringo, por outro lado, era completamente real e sua delicadeza em observar e não se impor muito faziam dele um tipo de elo emocional entre o quarteto.

George se mostra além das brincadeiras bobas de entrevistas e prova que podia ser tempestuoso e fatalista quando achava que deveria, enquanto Paul era como um líder desesperado por perfeição teórica e foco.

Ver os quatro além de suas armaduras de palco, muito fora de suas personas públicas, é um deleite pessoal, e abrange questionamentos do tipo: como será que durou tanto tempo?

Uma banda sem harmonia emocional não resiste ao tempo, e logicamente não deve persistir a amizade depois disso. Mesmo que machuque assumir isso em voz alta.

The Beatles: Get Back é uma vitrine de exposição para personagens históricos que eram tão misteriosos e cativantes quanto o Mestre dos Magos, e nos faz repensar a paixão que sempre tivemos por cada um deles, reavaliando todos de forma mais psicológica, intimista e realista, como se estivéssemos conhecendo novas pessoas em círculos sociais anônimos.

A narrativa

Foto: divulgação

The Beatles: Get Back faz uma pequena retrospectiva dos fatos, e relembra todo o caminho que foi responsável por torná-los tão grandes como foram.

Desde a criação da banda em 1956 – ainda chamada The Quarrymen -, passando pelos loucos anos da Beatlemania (1963 até 1967, mais ou menos) e chegando ao fim conturbado da amizade, que rendeu o álbum de 1969, Abbey Road, que conta com a capa mais famosa de um álbum da banda: os quatro atravessando a rua Abbey, em Londres.

O documentário apresenta o material da gravação do álbum Get Back, que mostrava músicas mais separadas dos membros, além de exibir os acontecimentos que geraram a última apresentação pública deles em conjunto: o famoso show no telhado da Apple Records, em Savile Row, que era a gravadora autoral da banda.

A apresentação do documentário segue em linha do tempo, compilando as 60 horas de gravação em momentos numerados, com um efeito de calendário transacionando de um dia para o outro.

Talvez o mais curioso seja a relação de cumplicidade que tentavam ter entre si, mesmo com tudo desmoronando ao seu redor, e ainda tendo que lidar com um prazo extremamente curto para preparar o show que seria chamado de Get Back.

E pode confiar: o show do telhado segue intacto. E todas essas horas de filmagem, nunca mostradas antes, abraçam o público e nos fazem chorar de emoção, especialmente pensando no trágico fim que tiveram John Lennon e George Harrison.

Uma linda homenagem

Foto: divulgação

Parte o coração lembrar de como George ficou doente e partiu sem estar ao lado dos amigos, de como John foi cruelmente assassinado e de como Yoko se viu sozinha naquele turbilhão, e ainda tendo um filho para criar. Também dói pensar em como Paul se fechou no estúdio depois da morte do amigo, e nem mesmo teve coragem (ou vontade, ou intimidade o suficiente) para visitar a viúva. E mesmo que seja um fato inegável a questão de John Lennon ter sido um pai ruim e marido ainda pior, temos que validar a ideia que ninguém tem o direito de roubar a vida de alguém, ainda mais de forma tão cruel e calculada.

The Beatles: Get Back se prova uma linda homenagem para a banda que mais fez pela história do rock, que foi pioneira em novos estilos de gravação e que inspirou e motivou milhares de músicos ao redor do mundo.

Saindo um pouco do meu papel de redatora focada e imparcial, assumo aqui a voz de uma grande fã emotiva de Beatles, e recobro a memória de quem é fã de pop… Apesar de não ser uma ouvinte desse estilo, eu te pergunto de peito aberto: One Direction teria vibrado tanto o mundo, se antes deles os Beatles não tivessem dado provas de que os fãs são capazes de revolucionar o cenário musical mais do que os ídolos? Teria existido qualquer outra banda impactante no cenário musical sem eles?

O documentário prova que não. The Beatles foi a primeira banda a realmente movimentar o mundo inteiro em um mesmo ritmo, foi a primeira banda a ultrapassar limites e criar uma história realmente forte e sólida, foram os primeiros a unir fãs de diversos estilos musicais em um mesmo lugar. The Beatles: Get Back é a prova de que eles nunca precisaram voltar, porque os Beatles nunca morreram.

E você, o que mais tem a dizer sobre essa banda tão memorável? Estamos te esperando lá nas redes sociais – Twitter, Insta e Face – para conversar mais sobre o documentário The Beatles: Get Back. E não se esqueça: no portal do Entretetizei você fica sempre por dentro das novidades da cultura latina e pop.

*Crédito da foto de destaque: divulgação

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