Entre vulnerabilidade e autoconhecimento, cantora reflete sobre julgamentos, resiliência e o poder de transformar sentimentos em arte
Depois de se destacar no reality Estrela da Casa, Unna X volta a expor suas emoções com Tu Me Ama, uma faixa que reflete sobre vulnerabilidade, julgamentos e amadurecimento. A música, que nasceu de um momento de dor, carrega uma mensagem de empatia e equilíbrio, transformando experiências pessoais em arte com propósito.
No videoclipe, o cenário de cabaré simboliza o contraste entre o que mostramos e o que realmente sentimos. Unna enxerga ali uma metáfora das relações humanas de hoje, nas quais as pessoas usam máscaras para serem aceitas, mas acabam revelando sua verdade nas brechas da vulnerabilidade.

Mais do que uma canção sobre amor, Tu Me Ama traduz o processo de autoconhecimento da artista. Sem se deixar endurecer pelas críticas, Unna escolhe o caminho da sensibilidade e da compreensão, mantendo firme sua identidade, uma mistura de influências internacionais, raízes latinas e emoção genuína.

Em entrevista ao Entretetizei, a cantora falou sobre o processo criativo da faixa, o conceito visual do clipe, a experiência no Estrela da Casa e a importância de preservar sua verdade artística. Confira:
Entretetizei: Na faixa Tu Me Ama, você transformou ataques e julgamentos em uma canção que soa quase como um manifesto. O que essa canção revela da sua forma de lidar com o mundo que talvez outras pessoas ainda não tenham percebido?
Unna X: Muitas vezes, no calor do momento, nos entregamos aos nossos impulsos e acabamos nos cegando e lidando com as coisas de uma forma menos sensata, talvez até como não lidaríamos com a cabeça menos quente.
É difícil regular suas emoções quando elas estão tomando o controle de tudo e a voz da razão acaba ficando quase muda, ainda mais em situações parecidas com a que Tu Me Ama foi inspirada.
Apesar de ainda falhar nisso vez ou outra, até porque nenhum ser humano é perfeito e o caminho da desconstrução e autoconhecimento serem processos singulares com tempo ilimitado, sempre busco visar o caminho da atitude mais nobre, de tentar ao máximo manter minha calma, praticar a paciência, o silêncio na hora da raiva e a compreensão das pessoas ou da situação como um todo. Ao invés de enxergar só aquilo que me fere, tento entender o contexto maior por trás do que leva as coisas a acontecerem ou pessoas a agirem como agem.
E: O videoclipe de Tu Me Ama se passa em um cabaré, um espaço de confissão, máscaras e teatralidade. Em que medida esse cenário é também um reflexo de como você enxerga as relações humanas hoje?
U.X: O cabaré no clipe representa exatamente esse lugar onde as pessoas colocam máscaras para sobreviver, para serem aceitas ou até mesmo para esconder o que realmente sentem. Acho que as relações humanas hoje carregam muitas pessoas performando papéis, às vezes sem nem perceber.
Mas, ao mesmo tempo, o cabaré também é um espaço de confissão, onde a vulnerabilidade vem à tona, e é aí que mora a verdade. Tu Me Ama fala desse conflito entre o que mostramos e o que realmente sentimos. Esse contraste é algo que eu enxergo muito nas relações de hoje.
E: Você diz que escolheu não “se tornar arame farpado”. Onde está a linha tênue entre se proteger e não endurecer demais no processo?
U.X: Todo mundo tem problemas e todos passam por situações difíceis e vivem coisas que deixam marcas dolorosas, mas a maneira como você lida com isso, o que você faz e aprende a partir dessa dor, é a chave de tudo. Não sou alguém que vai vir aqui falar qual a maneira certa de se lidar com aprendizados, consequências e acasos da vida.
Sou a pessoa que vai te falar que carregar o fardo de ser alguém machucado, que machuca todos ao seu redor sempre usando de desculpa as suas dores, principalmente aqueles que não têm nada a ver com o que você passou, é algo que afasta as pessoas de você. Isso faz com que fiquem sempre em alerta ao chegar perto, porque ninguém quer acabar se ferindo, ainda mais sem nunca ter feito nada para merecer.
Cabe mais a pessoa reconhecer que esse caminho não vale a pena, que não é todo mundo que vai te machucar do mesmo jeito, muito menos te passar a perna, até porque, viver e pensar dessa maneira só te leva a solidão e a um ciclo infinito de rancor e remorso.
E: Você participou do reality Estrela da Casa. Entre vulnerabilidade e força, qual lado seu mais surpreendeu você mesma dentro do confinamento?
U.X: O que mais me surpreendeu lá dentro, foi a minha força. Era algo que eu queria provar para mim mesma e para todos que de primeira sempre me pré julgavam como a “menininha fraca”.
Por mais vulnerável que eu fosse em casa, as duas coisas que mais me impressionaram comigo mesma foram minha resiliência e paciência.
Ambas foram minhas maiores forças. Vejo-as como uma benção divina diária. Eu não imaginava que minha resiliência e paciência pudessem ser tão grandes e fortes assim, mas graças a Deus, foram e são.
E: Você se inspira em nomes fortes do cenário internacional, mas sua história carrega raízes brasileiras e latinas. Qual traço da sua identidade você faz questão de preservar como inegociável na sua música?
U.X: Minha música pode ter referências internacionais no som, mas o que eu não abro mão é da minha verdade quando componho. Existe uma intensidade, uma emoção quase visceral, que é muito nossa, e eu faço questão de levar isso comigo quando crio. Acho que esse traço é o que me conecta de forma real com as pessoas, essa forma de cantar e escrever como quem vive cada palavra.
E: Se fosse possível escolher, considerando tanto artistas nacionais quanto internacionais, para qual artista tem vontade de abrir shows?
U.X: Dua Lipa, acho ela o pacote completo.
E: Cantando em três idiomas, você toca públicos diferentes. Qual idioma mais te desafia emocionalmente a se expor?
U.X: Sinceramente, expor sua vida e seus sentimentos em qualquer língua por meio da música, já é um desafio. Requer muita coragem. Um exemplo que uso para explicar para as pessoas a sensação de mostrar uma canção nova pro mundo, é que é como se você estivesse pelado na frente de um monte de gente com um holofote intenso só em você, enquanto elas te olham e escutam.
O mais interessante disso tudo, é que cada pessoa terá sua interpretação da letra. Você se coloca numa posição totalmente vulnerável quando expõe suas emoções por meio da música. Mas se fosse pra eu escolher uma língua, seria o espanhol, porque ainda não o domino e não sou fluente.
E: Se pudesse enviar uma carta para a Unna de sete anos atrás, a que escreveu a primeira versão de Tu Me Ama, o que diria a ela?
U.X: Diria a ela que é para compor ainda mais músicas, porque essa será uma das preferidas dos fãs, e para ela acreditar mais na força do que compõe, porque tem gente que vai admirar exatamente isso: o que ela tem para dizer, a maneira como enxerga a vida e como lida com as coisas.
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Texto revisado por Karollyne de Lima @karollysl









