Leituras rápidas, sustos duradouros: uma seleção de narrativas que mostram o poder do terror em poucas páginas
O Halloween é o momento ideal para se entregar a histórias sombrias, cheias de mistério, medo e tensão. A literatura de horror sempre fascinou leitores ao explorar os limites entre o real e o imaginário, e os contos são, talvez, a forma mais poderosa de provocar esse arrepio em poucas páginas.

De casas assombradas a obsessões silenciosas, esses relatos condensam o medo com maestria, revelando como o terror pode estar tanto no sobrenatural quanto no cotidiano.
A seguir, o Entretetizei preparou uma seleção de sete contos clássicos que atravessaram gerações e continuam a causar arrepios.
Casa Tomada – Julio Cortázar

Publicado em 1946, o conto faz parte da coletânea Bestiário (2025) e é um dos mais conhecidos do autor argentino.
Em poucas páginas, Cortázar cria uma atmosfera inquietante ao narrar a rotina aparentemente pacata de dois irmãos que vivem sozinhos em uma casa antiga. Até que sons misteriosos começam a se propagar pelo imóvel, fazendo com que o leitor desconfie que nada é tão simples como parece.
Sem recorrer a explicações óbvias, o autor transforma o cotidiano em um pesadelo sutil, explorando o medo do desconhecido e o desconforto do que é inexplicável.
Beijo – Roald Dahl

Lançado originalmente em 1960 na coletânea Kiss Kiss e publicado no Brasil na reunião de contos Beijo (2007), a narrativa mostra um lado pouco conhecido de Dahl, mais famoso por suas histórias infantis.
Aqui, o autor mergulha no terror psicológico, acompanhando um jantar aparentemente banal que revela camadas de obsessão e perversidade.
Com seu estilo irônico e preciso, Dahl conduz o leitor a um desfecho tão desconcertante quanto perturbador.
A Causa Secreta – Machado de Assis

Publicado em 1885, o conto está presente na coletânea Várias Histórias (2017).
Machado revela sua faceta mais sombria ao narrar a história de um homem aparentemente comum, mas que esconde um prazer mórbido em observar o sofrimento alheio.
Com sutileza e crueldade, o autor transforma o cotidiano carioca do século XIX em um retrato da perversidade humana sem precisar recorrer a nenhum fantasma.
A Aparição – Guy de Maupassant

Publicado em 1883, o conto integra diversas antologias do autor francês – como o livro 125 Contos de Guy de Maupassant (2009) –, que ficou conhecido por seu talento em mesclar o realismo e o sobrenatural.
Em A Aparição, um homem revisita lembranças do passado e revela um encontro que desafia toda lógica, tornando-se um dos relatos de fantasmas mais inquietantes da literatura.
Com sua escrita direta e melancólica, o autor constrói uma narrativa sobre memória, perda e loucura, onde o medo surge menos do além e mais da mente humana.
A Vênus de Ille – Prosper Mérimée

Publicado em 1837, o conto é considerado uma das primeiras histórias de horror moderno da literatura francesa. No Brasil, ele pode ser encontrado na coletânea Carmen e Outras Histórias: Edição Comentada (2015).
Durante escavações em uma pequena cidade, uma estátua antiga de Vênus é encontrada, e ela é tão bela quanto assustadora. Contudo, eventos estranhos começam a acontecer quando um casamento se aproxima.
Mérimée combina mitologia e terror gótico em um enredo de atmosfera densa, repleto de presságios e simbolismo.
As Ruínas Circulares – Jorge Luis Borges

Escrita em 1940 e publicada na coletânea Ficções em 2007, no Brasil, a história é um clássico do fantástico latino-americano.
Um homem chega a ruínas antigas com um propósito misterioso: sonhar um ser humano. Aos poucos, Borges transforma esse desejo em uma reflexão sobre criação, identidade e realidade.
Mais filosófico do que aterrorizante, o conto assombra pelo desconforto existencial que provoca e pela ideia de que, talvez, sejamos o sonho de outro alguém.
Retrato Oval – Edgar Allan Poe

Publicado em 1842, o conto faz parte da coletânea Contos do Grotesco e do Arabesco: 27 Contos Selecionados (2018).
Ambientado em um castelo sombrio, o conto acompanha um homem que descobre um retrato fascinante e o mistério em torno da mulher retratada.
Com sua escrita melancólica e obsessiva, Poe constrói uma parábola sobre arte, beleza e destruição, provando por que é um dos mestres absolutos do horror gótico.
Esses contos mostram que o horror não precisa de monstros visíveis para nos perturbar. O medo pode estar em um olhar, em um quadro, em uma lembrança ou em uma casa que parece viva demais.
Neste Halloween, vale acender uma luz a menos, abrir o livro certo e deixar o terror literário ocupar cada canto da mente.
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Texto revisado por Gabriela Fachin @gabrieladfachin









