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Foto: reprodução/Paramount+

Crítica | Se Não Fosse Você: adaptação da obra de Colleen Hoover é uma grata surpresa para o público além do Booktok

Sob a direção de Josh Boone, o filme entrega uma história simples, mas repleta de nuances que exploram temas como luto, descobertas da juventude e maternidade

Matéria por Mayara Pereira

Adaptações literárias, sejam para o cinema ou para a televisão, não são nenhuma novidade no universo audiovisual. Com o fenômeno do Booktok, esse tipo de projeto tem se mostrado uma aposta segura para os estúdios – um caso conhecido é o da atriz Reese Whiterspoon, que usa seu clube do livro como uma espécie de termômetro para futuros projetos da produtora Hello Sunshine. Contudo, a pergunta que fica é: ter um texto-base e um público garantido é o suficiente para fazer um bom filme ou série? 

Em Se Não Fosse Você, adaptação da obra homônima de Coleen Hoover, dirigida por Josh Boone (A Culpa é das Estrelas, 2014), o espectador é apresentado à história de Morgan Grant (Allison Williams – Girls, 2012) e de sua família, composta por seu parceiro desde o colegial, Chris (Scott Eastwood – Uma Longa Jornada, 2015); sua filha adolescente, Clara (Mckenna Grace – Ghostbusters: Mais Além, 2021); sua irmã caçula, Jenny (Willa Fitzgerald – Pulse, 2025); e seu amigo e cunhado, Jonah (Dave Franco – Truque De Mestre, 2013). 

Contudo, um acidente trágico que vitima sua irmã e seu marido se torna um evento catalisador da trama, virando suas vidas pacatas de cabeça para baixo ao revelar que até as famílias mais perfeitas têm seus segredos.

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No aspecto narrativo, Se Não Fosse Você, por mais que tenha uma premissa densa, em que os personagens precisam reaprender a viver após um evento traumático, segue o caminho oposto ao se aprofundar na dinâmica entre as personagens de Allison Williams e McKenna Grace.

Esse movimento é feito de forma bem-humorada – com poucos momentos dramáticos –, apresentando dilemas que toda adolescente já viveu ao lado de sua mãe, como, por exemplo, a superproteção, as diferentes perspectivas de vida e as desaprovações amorosas – elementos que ganham forma através da relação de Clara com Miller (Mason Thames – Como Treinar o Seu Dragão, 2025). 

Em paralelo, é possível observar Morgan lidando com questões mais íntimas, como a dupla traição que vinha sofrendo há anos, os sentimentos romanticamente confusos em relação ao cunhado Jonah e as próprias reflexões sobre si mesma enquanto indivíduo. 

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No quesito técnico, a direção faz um bom trabalho ao ambientar os flashbacks da juventude do núcleo adulto, utilizando uma fotografia mais vibrante para representar a vivacidade e despretensão da adolescência, enquanto a linha atual é mais sóbria. 

Vale ressaltar o uso de uma trilha sonora característica para cada período. Enquanto a jovem Morgan é representada por Stereophonics e The Killers, Clara é o retrato da adolescente de 2025, que escuta Role Model e Phoebe Bridgers.

Quanto às atuações, o elenco desempenha seus papéis de forma satisfatória e a química dos casais principais é palpável, mesmo que sejam tipos totalmente diferentes de amor.

Com Clara e Miller, temos a impulsividade e o calor da paixão – algo que pode ter sido potencializado pelo relacionamento dos atores na vida real. Já com Morgan e Jonah, tem-se a carga emocional de uma vida inteira de sentimentos contidos, aliada à culpa por enxergar na morte dos parceiros a chance de recomeçar com quem realmente se amava, tudo sutilmente transmitido por Williams e Franco. 

 

A única ressalva da adaptação é a falta de desenvolvimento dos personagens secundários, que acabam reduzidos ao papel de suporte de cena dos protagonistas ou alívio cômico.

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Em resumo, Se Não Fosse Você não se apresenta como um longa que valha um Oscar, mas cumpre com competência o que se propõe: trata-se de um filme com ritmo leve e envolvente para se assistir sozinho ou na companhia da família e  de amigos, tem personagens cativantes que despertam interesse pelo desenrolar de suas histórias e promove reflexões sobre relações afetivas. 

Se Não Fosse Você estreia dia 23 de outubro nos cinemas.

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura @_itsbrinis

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