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Fabi Bang e Myra Ruiz
Foto: reprodução/wicked brasil

Dublado ou legendado? Conheça Fabi Bang e Myra Ruiz, vozes de Wicked no Brasil

Entre palcos, estúdios e milhares de fãs, as duas atrizes enfrentam desafios, celebram conquistas e consolidam uma história de quase uma década como as versões brasileiras da amizade mais icônica de Oz

No debate eterno entre dublado ou legendado, algumas vozes se tornam tão marcantes que extrapolam a discussão técnica e passam a habitar o imaginário coletivo. No Brasil, isso acontece com Fabi Bang e Myra Ruiz, intérpretes de Glinda e Elphaba no musical Wicked desde sua estreia nacional, em 2016, e agora responsáveis por dublar Ariana Grande e Cynthia Erivo na versão cinematográfica do mesmo universo encantado. As duas atrizes, já consagradas no teatro musical, carregam quase uma década de identificação profunda com seus papéis e, com isso, também a responsabilidade emocional de representar personagens amadas por fãs no Brasil inteiro. Em um momento em que críticas e hate aparecem com força nas redes sociais, revisitamos suas trajetórias para lembrar o óbvio: estamos diante de duas das artistas mais competentes, versáteis e admiradas da nossa cena teatral, que seguem entregando excelência com generosidade, estudo e respeito ao público.

Fabi Bang e Myra Ruiz
Foto: reprodução/annelize tozetto
O começo de tudo: duas trajetórias que já nasceram grandes

Antes mesmo de Wicked existir no Brasil, tanto Fabi Bang quanto Myra Ruiz já eram nomes sólidos e respeitados entre os profissionais do teatro musical. A formação das duas combina estudo formal, disciplina, atuações marcantes e escolhas de carreira que revelam uma maturidade artística acima da média. Cada uma delas percorreu um caminho próprio, mas ambas já demonstravam, desde o início, a mesma seriedade com que tratam sua arte ainda hoje.

Fabi Bang, conhecida pela técnica vocal cristalina e pela presença cênica precisa, se destacou em grandes produções como A Família Addams, O Fantasma da Ópera, A Pequena Sereia — onde encantou o público como Ariel — e o Kit Kat Club, da montagem brasileira de Cabaret. Nessas obras, consolidou uma assinatura como artista: a habilidade de unir leveza, humor, empatia e força dramática, qualidades que mais tarde se encaixariam perfeitamente em uma personagem tão multifacetada como Glinda. Sua voz doce, cheia de controle e nuances, já fazia dela uma das intérpretes mais promissoras do país.

Enquanto isso, Myra Ruiz se firmava como uma atriz de intensidade incomum, dona de uma profundidade interpretativa que a colocava naturalmente entre as profissionais mais potentes de sua geração. Antes de vestir o verde característico de Elphaba, ela já emocionava plateias com sua entrega visceral e sua capacidade de dar complexidade psicológica a papéis desafiadores.

Sua trajetória passou por produções que exigiam versatilidade, presença cênica e uma força emocional rara. Em Mamma Mia! — onde começou como ensemble e cover da Sophie — Myra já demonstrava uma naturalidade encantadora no palco. Em seguida, vieram trabalhos que ampliaram seu alcance artístico, como Fame, Shrek – O Musical (onde substituiu Fiona), Nas Alturas (In the Heights) interpretando Nina, Nine – Um Musical Felliniano como Saraghina, Rent dando vida à irreverente Maureen e Chaplin – O Musical.

Mais tarde, ela assumiria papéis de grande peso dramático, como Eva Perón em Evita Open Air, além de integrar o elenco de Meu Destino é Ser Star, Matilda (como Sra. Wormwood) e protagonizar Legalmente Loira como Elle Woods,  um desafio que reforçou sua habilidade de unir carisma, energia e técnica.

Em cada projeto, Myra deixava claro que não era apenas uma cantora excepcional, mas uma atriz completa, capaz de equilibrar vulnerabilidade e força com uma verdade cênica arrebatadora. Quando a ficha de Wicked foi anunciada no Brasil, já não restava dúvida: ela estava pronta para uma personagem tão complexa quanto Elphaba.

Wicked chega ao Brasil: a química perfeita

Com a estreia brasileira do musical, em 2016, um novo capítulo começou a ser escrito, não apenas para o teatro nacional, mas para a conexão entre público e artistas. Wicked é um dos maiores fenômenos do teatro musical mundial, exigindo protagonistas preparadas para lidar com números vocais complexos, cenas rápidas e emoções profundas. A expectativa era enorme – e Fabi e Myra não apenas atenderam a esse nível de exigência, como rapidamente superaram qualquer projeção inicial.

A química entre as duas em cena era surpreendente. O público via nascer ali uma parceria artística orgânica, afetuosa e totalmente comprometida com a narrativa das personagens. As performances de Fabi como Glinda eram ao mesmo tempo engraçadas, sensíveis e brilhantes, compondo uma personagem que transcendia o arquétipo da garota perfeita e revelava humanidade genuína. Já Myra, com sua potência vocal e emocional, entregava uma Elphaba inesquecível, carregada de força, fragilidade e revolta – uma personagem que, nas mãos dela, ganhava contornos ainda mais profundos.

Em pouco tempo, fã-clubes surgiram, vídeos viralizaram e uma legião de admiradores começou a acompanhar ambas em cada nova sessão. Elas não apenas interpretavam Glinda e Elphaba: elas se tornaram a definição brasileira dessas personagens.

A consagração: turnês, reestreias e a marca de uma década

O sucesso estrondoso da primeira temporada de Wicked no Brasil fez com que o musical retornasse ao país em novas oportunidades, sempre com público fiel e esgotando ingressos. E a presença de Fabi Bang e Myra Ruiz no elenco se tornou uma espécie de garantia emocional para os fãs, que ansiavam pela oportunidade de revê-las. A longevidade desse vínculo é rara no teatro musical, em que elencos costumam se renovar a cada nova montagem. O fato de Fabi e Myra permanecerem associadas aos papéis por tantos anos é mérito pessoal: elas mantiveram consistência vocal, maturidade artística e carisma constante, entregando performances sempre renovadas e profundamente honestas.

Ao longo desses anos, suas interpretações evoluíram. Não eram mais apenas as personagens da primeira temporada – eram versões mais completas, mais humanas, mais vividas. Essa maturidade só reforçou o quanto a presença das duas no musical se tornou um marco na história do teatro brasileiro. Em diversas entrevistas e relatos de fãs, fica evidente que o público reconhece esse comprometimento. Para muitos, Wicked no Brasil tem rosto e voz – e esses rostos e vozes são Fabi Bang e Myra Ruiz.

A conquista do cinema: as vozes de Ariana Grande e Cynthia Erivo

Com o anúncio da versão cinematográfica de Wicked, estrelada por Ariana Grande e Cynthia Erivo, uma pergunta começou a ecoar entre os fãs brasileiros: quem dublaria as protagonistas? A resposta veio com emoção e, para muitos, com um senso de justiça poética. Fabi Bang foi confirmada como a voz brasileira de Ariana Grande; Myra Ruiz, como a voz de Cynthia Erivo. Era o reconhecimento natural de uma trajetória construída com excelência.

Dublar um musical é um desafio técnico imenso. Não se trata apenas de cantar: é necessário interpretar, ajustar a respiração ao take original, sincronizar emoção, adaptar timbre e, ao mesmo tempo, preservar a própria identidade artística. Fabi e Myra trouxeram ao estúdio não apenas sua bagagem vocal, mas todo o histórico emocional construído ao longo de anos interpretando Glinda e Elphaba no palco. O cinema, assim, se torna um registro histórico desse legado.

Entre o amor e o hate: o peso de ser ícone

A popularização das redes sociais trouxe vantagens, como o contato mais direto entre artistas e público, mas também amplificou discursos agressivos. No debate entre dublado e legendado, que por si só já é polarizado, Fabi e Myra acabaram recebendo comentários injustos – algo que não condiz com a trajetória, o talento ou o profissionalismo de ambas. É importante reforçar que elas não tiraram o espaço de ninguém, não foram escolhas casuais e não chegaram ao filme por acaso. Elas foram convidadas por mérito, currículo, experiência e pela profunda conexão com essas personagens no Brasil.

Ainda assim, mesmo diante do hate, o carinho do público real – aquele que compra ingresso, retorna às sessões, acompanha as produções e se emociona de verdade – fala mais alto. A estreia do filme representa a consagração de duas carreiras íntegras e brilhantes, não uma batalha entre versões.

Fabi Bang e Myra Ruiz
Foto: reprodução/life fabi bang
O impacto delas para uma geração de fãs

Ao longo de quase uma década, Fabi Bang e Myra Ruiz se tornaram porta de entrada para muitos brasileiros conhecerem Wicked, teatro musical e até mesmo sua própria relação afetiva com a arte. Não é raro encontrar relatos de espectadores que descobriram o amor por musicais ao vê-las no palco, ou de jovens artistas que decidiram estudar canto, atuação ou dança inspirados pelas performances da dupla.

Esse impacto, profundo e duradouro, não pode ser medido apenas por números. Ele existe na memória emocional de quem viu uma Glinda radiante descer no globo ou uma Elphaba desafiando a gravidade com força e vulnerabilidade. Fabi e Myra não foram apenas intérpretes: foram referências, inspirações e vozes que marcaram a vida de muitas pessoas.

Fabi Bang e Myra Ruiz
Foto: reprodução/caio galucci
A importância de reconhecer e celebrar artistas nacionais

Ao ouvirmos Fabi e Myra no filme de Wicked, celebramos mais do que escolhas de dublagem – celebramos o talento brasileiro. É a prova de que nosso país forma artistas capazes de dialogar com produções internacionais, entregando performances tecnicamente impecáveis e emocionalmente verdadeiras. Em um momento em que elogios circulam menos do que críticas, é essencial reafirmar a importância dessas duas artistas para a cultura nacional.

Mais do que representar personagens, elas representam o Brasil. E fazem isso com excelência, profissionalismo e uma sensibilidade rara, que merece ser celebrada e reconhecida. Suas carreiras são exemplos de dedicação e amor pela arte, e suas vozes, agora registradas no cinema, permanecem como parte de um legado que seguirá encantando gerações.

Dublado ou legendado… o importante é reconhecer o talento

A discussão entre dublado e legendado sempre vai existir, e não há nada de errado nisso. Mas quando falamos de Fabi Bang e Myra Ruiz, falamos de um caso especial. Elas não são apenas dubladoras do filme: são parte essencial da história de Wicked no Brasil. Não é exagero dizer que marcaram uma geração inteira e que agora têm seu trabalho eternizado nas telas.

Ao revisitar suas trajetórias, o que se destaca é a beleza de duas carreiras construídas com estudo, coragem, entrega e respeito ao público. Fabi e Myra merecem ser celebradas,  não apenas como vozes de Glinda e Elphaba, mas como artistas completas que continuam engrandecendo o teatro musical brasileiro.

 

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Texto revisado por Alexia Friedmann

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